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INQUIETO

"Mas sigo o meu trilho. Falo o que sinto e sinto muito o que falo - pois morro sempre que calo." (Affonso Romano de Sant'Anna_Que País é Este?)

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Ditadura da honra

Poesia de Roberto Madureira


Tocava nos autos registros históricos
Qual não fosse insolência do Capitão do Mato
Sangue do sangue, ainda assim insensato
Capaz de aflorar instinto pouco bucólico

De dia é a troca: sangue por asas
E a depravação, ao cair da tarde
E os seus infurnados em estéreis senzalas
Com o rosto cortado e a carne que arde

Pois eis que chegamos na modernidade
E a bagagem do crápula ainda perdura
Eu carrego pra vida, ainda que dura
Que irmão é irmão, não tem cor nem idade

Mas se espalha no ar cheiro de capital
A máscara cai antes mesmo de abril
Macho se afina e Deus vira mortal
Pelo tal do dinheiro que move o Brasil

Pois é chegada a hora de um novo apartheid
Segregar: homens, meninos e corruptíveis
Se a Justiça é cega e não os enxerga
Cabe aos homens fazê-lo, indefectíveis

Avante honestos, dominem, vão além
Coloquem de pé a ditadura da honra
E pra que desprovidos de caráter ainda possam lutar


Dê-lhes apenas um punhado de notas de cem

Um comentário:

  1. Porra Daniel. Eu faço a poesia e você coloca uma foto que tem todo mundo....menos eu!!
    Mas eu entendi: o conjunto da obra representa o 6loko. São vocês 5 e mais eu, em forma poética...
    hehe..
    abraço

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