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INQUIETO

"Falo o que sinto e sinto muito o que falo - pois morro sempre que calo." (Affonso Romano de Sant'Anna_Que País é Este?)

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

À Caminho do Ninho


Avisem aos meus amigos do retorno
deste cidadão decidido e soturno
à tomar seu caminho de volta.

Avisem: ele virá de avião
e chegará nesta estação
e que virá sem escolta.

Avisem para prepararem as festas
para afinarem as orquestras
e entoarem as canções que gosta.

Sinapses Relapsas


Ao permanecer o provisório.
Improviso ao irrisório.
Minhas sinapses relapsas.
São lapsos de aspas.

Assobio o sabe-se lá.
Sabido ressabiado.
Subo sobre a sílaba,
embebido no esnobado

Excluído da centrífuga,
movimento do momento,
na favela o Rap é fuga
pra causar constrangimento.

Não há cimento,
apenas intento no acento.
Quando perdem crescem mais.
Assintótico aos demais.

domingo, 9 de dezembro de 2007

Eles não vão à Daslú

A sociedade foi feita por ricos.
E pros ricos ela foi desenhada.
Se um pobre não tiver muito afinco,
Vai viver pra sempre na merda.

Se quiséssemos distribuição igualitária,
Estabeleceríamos um teto de riqueza.
Mas quem for, na pobreza, um pária,
Terá milhões de reais em tristeza.

Ilhas, mansões, carrões, Daslú.
Fome, miséria e calor no talo.
Os pobres morrem como patos, incautos
Amarrados na escravidão dos contratos.

Seu Crime


O seu corpo é a imagem da perfeição.
Receio que minhas palavras não a descreverão
com a delicadeza merecida.

Seus ombros são os cabides dessa veste.
Os seus seios são doces taças de néctar.
A sua anca é suporte de um corpo delicado
e de nádegas arrebitadas.

Suas coxas claras escondem a beleza do seu sexo.
Seus pés macios parecem pisar nas nuvens.
A sua pele sedosa é cobertura sublime.

Eu sou
seu crime.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

A beleza está


Algumas vezes, a beleza está
na miopia dos nossos olhos,
no grau alcólico do sangue,
ou na satisfação com a vida.

E, muitas vezes, a feiura está
no senso crítico aguçado,
na tristeza de um endiabrado,
e no ardor obrigatório da lida.

O Belo e o Feio estão na percepção
e,não, em sua concretude física.
Prova disso é o amor e a paixão!

Os sentimentos nascem com a música
e trazem alento ao feio que a compaixão
o transformará em belo numa mente lúdica.



*a doçura do ácido perpassa a materialidade do olfato

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Calango



Não te prendo nem nas lentes

da fotografia.

Mas, posso te prender

em minha

caligrafia.

domingo, 2 de dezembro de 2007

Estatutos do olhar

Poesia e foto de Raphael Alves

Artigo I

Fica estabelecida como identidade do ser humano não mais sua impressão digital e sua assinatura, mas seu olhar.


Artigo II

Fica decretado que o olhar é bem individual, tal como suas inúmeras interpretações. E é dever de todos respeitar a visão de mundo do próximo


Artigo III

Fica decretado que a beleza está para o olhar como este, por sua vez, está para a alma e que esta aliança entre os três é indissolúvel.


Artigo IV

Fica decretado que é irrevogável, inalienável e irrenunciável o direito de cada um emocionar-se diante das belezas da vida.


Artigo V

Fica proibido o condicionamento do olhar apenas para o mal, tal como qualquer expressão ou indício de indiferença no semblante diante da humilhação e exclusão alheias.


Parágrafo único

O olhar humano passa a ser livre como os olhos do condor que passeia sobre os Andes.


Artigo VI

Fica decretado que a verdade deixa, a partir de agora, de ser uma palavra para tornar-se a característica de cada olhar.
Parágrafo único
Cada dia passa a ser o Dia Oficial do “Olhar Com Bons Olhos”.


Artigo VII

Fica estabelecido que as lágrimas serão o único remédio do olhar sincero para a alma ferida.


Artigo VIII

Ficam estabelecidas como primeira e derradeira comunicações o olhar direcionado a outro.
Parágrafo Único
As palavras tornam-se meras coadjuvantes na comunicação diante da importância do olhar nos olhos.


Artigo IX

Fica estabelecido que a alma será o guia daqueles que, por decisão divina, nasceram sem ou perderam o dom da visão.


Artigo X

Passam a ser as Sete Maravilhas do Mundo:

a) O primeiro abrir de olhos do recém-nascido;

b) O olhar da mãe que amamenta o filho;

c) O olhar do pai que recebe o filho pela primeira vez no colo;

d) O olhar sábio dos idosos;

e) O olhar confortante da amizade;

f) O olhar da criança diante do brinquedo inesperado;

g) O olhar dos casais apaixonados.

E passa, também, a ser dever de todos contemplar, praticar e cultivar esses bens.


Artigo XI

Fica estabelecida a pureza do olhar como a suprema lei: a partir de agora, todos devem alinhar olhos e alma para contemplar o mundo, desbravando-o e redescobrindo-o com o deslumbramento dos olhos de uma eterna criança.





quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Putos Potros

O padrão é o patrão dos potros
e regula os pentelhos dos escrotos.
Puta que pariu se essa porra me pega!
É uma doença brava que nos cega.

As patifarias ordenadas por um torto
querem corrigir os ossos do meu corpo.
Porém, essa intransigência só relega
o trabalho atribulado a que se entrega.

Estou, no diapasão, absorto
E não parto as partes deste porto,
nem do barco que, a ele, se apega.

Vamos padronizar o desimposto,
daí, o acaso será nosso encosto
e a desordem será nossa regra.

Helô do Elo


Olha Helô do elo:
do outro lado do duelo
devo que me devore
Sim!
Escreva uma árvore!

Dá pra vê-la depravada
mesmo ao estar desesperada.
Sem empecilho no gatilho.
Sim!
Plante um filho!

Serve o acervo de cevada.
És diva evadida enviesada.
Ao ser sincera, sou missivo.
Sim!
Tenha um livro!

Se a ti não verso,
ninguém versa.
Não fico apenas imerso
num belo par de conversa
.

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

PirilimpimPLIN


Posso te dizer PirilimpimPlin,
fostes um grande irmão pra mim.
Eu queria te ter sempre do lado,
mas vais pra longe ser iluminado.

Tu amenizastes a dor da distância
das pessoas que amo de infância
e me deu ânimo para que agüente
árduas situações deste clima quente.

Vá logo, mas volte pra contar
o que aprendeu em tua missão
Volte para ser nosso avatar.

Tenhas contigo minha gratidão
e minha mente vai te acompanhar
em qualquer ponto da imensidão.

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Papa Inti


Grande provedor de nossas energias,
peço complacência à essa letargia.
Sei que também presta contas
ao Universo e não nos contas.

Mas, refaça os seus cálculos
e tire desse povo os obstáculos.
Estamos fartos da escassez de luz.
Nossa ferida é que nos conduz.

Mesmo com o afago dessa Lua,
nossa gente se sente nua
ao ir embora nos entardeceres.

Ilumine o caminho dessa rua
e faça dessa pobre gente tua
iluminados seres pra não pereceres.

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Jolie


Minha Angelina Jolie
te espero, há tempos, aqui.
Quero me esparramar nos teus braços
e esse será nosso laço:
um abraço

Se puderes acariciar os meus dias
e nos esquentar nas noites frias,
serás minha tapioca com queijo
e, alguém, de quem não me queixo.
Um beijo

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Ponta de Pedras


Vou me confundir com sua areia
branca
Vou me difundir em sua veia
branda
Vou me esparramar em sua teia
tranca
...
De longe avisto as suas pedras
pardas
e sinto menos minhas nobres
perdas
e me perder daqui seria eterno
pranto

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Santana do Santo Nobre


Santana do Santo Nobre
tem poucos dentes na boca.
Porque os sorrisos são muitos.
Não sabe somar mais que quatro.
E, se lhe mostrar seu retrato,
não vai se lembrar de nada.
É que, em Alter do Chão,
não há espaço pra outra coisa
que não seja as mais maravilhosas
visões da vida.
E, enquanto puder pensar em mais nada,
Santana do Santo Nobre o fará.
Sol sobre o rio Tapajós.
Lua sobre os igapós.
Alter do Chão.
Alter de si.
Alter então.

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Sensação sem noção

Vou tirar a tua roupa devagar,
me esfregar em todas as tuas partes.
E, quando parte do teu corpo desnudar,
vou beijar-te até que tenha um enfarte

Limparei toda a tua pele com a língua
e me ajudarás com a tua ginga,
a te fazer gozar, eternamente,
na impertinência sexual deste descrente.

Quando explorarmos os orifícios,
te terei pra sempre em nobre ofício
de transformar-te inteira em prazer.

Te fazer gozar é o artifício
pra me fazer gozar, desde o início,
pois, tua sensação é o meu lazer.

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Leseira Baré


Quanta vontade eu tenho
de não fazer nada no engenho.
O calor subtraiu minha força
penso em estar só mais minha moça.
.....
Para analisar a vagareza
tem de estar na natureza,
que condiciona os passos
na lentidão dos traços.
......
Mal consigo traçar letras
pra compor esse sone.....

domingo, 11 de novembro de 2007

Transtorno da Bagunça Particular

Primeiro Lugar/ Categoria 19-55 anos
VI Concurso Municipal de Poesias Tereza Mª V. C. de Faria
Interpretada por Selma Mixttura
Poços de Caldas - Minas Gerais - 11 de nov de 2008
........

Saiba: as confusões que fiz
foram profundas do tronco à raiz.
Se duvida do que diz minha boca,
saiba que é doida, insana e louca!

E da loucura entendo bem,
entre doidos sei quem é quem.
Já você traz a sanidade pura,
a mais forte forma de loucura.

Toda essa confusão
não chega à explicação.
Pois entender é deixar morrer
o estimulante que nos faz Ser.

Eu sou confuso dentro do normal,
eu sou normal nessa confusão.
Sou o feliz mais triste na lida,
eu sou o triste mais feliz da vida.

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Armoriar


Ponha um R rebelde no amoR!
Pense o avesso ao supor. 
O amor nos faz cometer os erros .
E a violência nos leva aos enterros .
..........

Mas sepultar uma dor assim,
é conquistar a liberdade enfim.
E a atrocidade dos seus punhos
conseguirá realizar seus sonhos.
.........

Assim será, como uma zona armada,
a transfigurar, de uma mente alada
para poder parar o poder podre.
..........

Pedaços de ti em cada rajada
acertarão as caras deslavadas
e poderá prender a arma no coldre!

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Amar a Mata


Um sentimento de proteção à Mata
é uma ofensa declarada a quem mata.
Se quiser, acaso, mostrar reação
ao grileiro da Mata em grande fração,
..........

ponha seus pés na estrada de terra.
Sinta em sua pele: o mormaço ferra!
A ameaça internacional gera ciúme
e já tiram, da floresta, seu perfume.
...........

Contudo, pouco dessa gente grita
contra os ritos da gente egoísta.
Acaricia na frente e , depois, destrata
............

Mesmo, no grito rebelde ambientalista
aje de forma legitima anarquista
para proteger e viver na Mata.

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Rosa Viva



Poesia e foto de Juliana Biscalquin - http://www.20bonsepoucosanos.blogspot.com/


Vou deixar aroma até nos meus espinhos, rosa que sou...
Que o vento vá falando de mim, posto que é leve.
Quero perder-me para que não se esqueçam de mim
e viver intensa, mesmo que breve.

Vou desfolhar-me para não ter fim.
Pétala e pétala, por pétala que dance.
Sorrio leve para guerras em mim.
Prossigo mito, ainda que canse

Levo comigo ardor e procura,
altar e prece que me revele.
canto que nina, dor que me cura.
Excedo vida que sempre segue...


terça-feira, 6 de novembro de 2007

O Vendedor de balas

Estão levando o pobre pro buraco.
As alternativas que ele encontrou
pra mandar 50 conto pro nordeste
é vida de esmoleiro em que investe.
..............
Vive os percalços violentos das vielas
e sofre a desconsideração de velhas.
Se passar pelo efeito de ser invisível
poderá acumular pertences no desnível.
.........
O carpinteiro quer montar sua vinícola
talvez voltar à exploração silvícola.
Só que, agora, anda na rua sem vacina.
............
Pede pra ser preso, pra ter vida boa
ou uma terra, que ninguém lhe doa,
que irá proteger com sua carabina!

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Elucubrações fantásticas

Dizem que farão, de nós, garrafas pet.
Pagam um bocado para proteger de ti
..........................
Tratou de retratar-se à organização,
já que o assunto causa comoção
.......................
Outrossim, a madereira Gethal formou
com os interesses que o Reino bradou:
"comprem as terras tantas de Manicoré."
.........................
 Johan e Kuerten são laranja-atores
a receberem, em vão, vastos valores
por espoliar o que deixaram em pé.



Observação, Poesia hiperlinkada, clique nos links dentro da poesia para melhor compreensão

Amazônia Infestada


Um mal assola o solo da floresta.
Propaga-se pelos igapós e frestas.

Homens infestam esse organismo.
Deixam seqüelas com proselitismo.
Os micróbios se aproveitam dessa festa
farta e feita com a fatia que lhes resta.

Somos bactérias do evolucionismo

e traçamos troncos ao interagirmos.

Ouçamos o grito da morte indigesta.Nossa culpa está estampada na testa.
Então, findemos logo este terrorismo.
Apenas meio ambiente é o que resta
e teremos de reparar arestas

para não cairmos, de vez, no abismo.

domingo, 4 de novembro de 2007

Republique a República

Só lhe faço uma súplica,
Republique a República!
A tentativa que esvaiu
é um saber saboroso.
Não será desastroso
Se, já, no buraco caiu.

Pela boa vontade pública.
O Jornal da República!

O jornal dos jornalistas,
não tem empresas nas listras .
É o grito de independência
e o calar da clemência.

Aprenda com seu erro
e não trate como enterro
um exemplo exíguo
de um jornal-perigo!

Mino, uma só súplica:
Republique o Jornal da República!

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

Emanauseado


Há vertigens nas lacunas da cidade.
Por vezes, o seu caminhar vem tarde.
As bravas conquistas por espaço
são feitas na manha de um só passo.

A doença pouco-a-pouco lhe invade.
Ehhh, triste cidade! Será ingenuidade
ou maldade? O que passou, passou
e passo-a-passo formou esse inchaço.

A inflamação explode sem piedade
e faz reagir com ginga e vontade.
O comportamento geral é crasso.

Há um ranço melancólico que arde
e a
leseira ofusca algum alarde
a se ocasionar no
mormaço.



segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Tacanha


Esse teu olhar dissimulado
de desprezo por mim, alijado,
dói forte nas minhas entranhas
por não saber o que ganhas.
Me incomoda forte tua sanha
por ser tu mulher tacanha
a estimular o peso do fardo
por mim, arduamente, carregado.
Vão passar tuas artimanhas.
Vão passar dores tamanhas
que me tornarão liqüidado.
Vão passar as tuas sanhas.
Vão passar as minhas manhas.
E só ficarão no passado.

Poeira estrelar



Você pensa como se todos girassem ao seu redor. Pensa ser o sol que esconde a obscuridade de seus seguidores. Você regula o movimento de rotação de suas amizades. Limita as intransigências peculiares de seus amigos-satélites. Saiba, que, apesar de minha ignorância inerente ao meu estado humano, me localizo perante o Universo. Definitivamente, você não é meu Norte.
Pode se aproveitar de minha inconstante benevolência. Contudo, ressalto meus interesses e a necessidade de
conhecer o ambiente, inclusive dos astros-vaidoSoS.
Esse seu egocentrismo é, certamente, seu maior erro. quando toda sua áurea incandescente se esvair, sua beleza
arregar, achará o que lhe cabe nesse latifúndio. O efeito narcotizante de sua vaidade não dura mais que as necessidades críticas de seus servos. Sofrerá ao se ver esparsa na imensidão e tiver a obrigação de girar em torno de um ente maior que lhe assegurará a permanência em outro sistema solar.
E o sofrimento lhe será mais útil que todo o charlatanismo auto-propagador assumido por você.

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Os braços dos rios


As cores rústicas da beira dos rios Pauiní, Atucatuquini e médio Juruá, braços da principal bacia hidrográfica do mundo, reiteram a observação singela do escritor Milton Hatoum “Aqui a passagem do tempo é tão lenta que a vida pode caminhar sem pressa”. Essa percepção está, também, nas linhas, formas e expressões captadas pelas lentes de uma máquina capaz de diferenciar muito bem o natural do artificial.
Mas as lentes oculares dos homens da floresta vivem a natureza e não a diferencia. Sabem que cuidando dela, cuidam de si. Nas dificuldades da vida onde seus instrumentos são os mais simples, como os objetos de madeira, troncos, braços e pernas, Fernanda Preto consegue mostrar que há, neste lugar, mais expressão humana do que suposto.
Suas fotos mostram, nas cores da floresta e no uso que o homem faz dela, a proximidade que há entre os diversos tipos de vida na distância dos rincões mais inacessíveis. E a certeza da distância na beira dos rios dita o ritmo das mudanças e traz o alento da continuidade.

Tormenta



Tem marmanjo que num guenta
a minha imagem magenta.
Intendo atormentar as idéias
e torcer um tanto de ateias.
....
A convicção que ostentas,
ágape com as ferramentas,
não passa de prosopopéia

anterior à era da pangéia.
.....
Tire os enfins de suas ventas!
Cessa tuas manias nojentas
para assistir minha estréia.
....
Quem não sabe, inventa.
E o nosso invento atormenta
nas tripas em diarréia.

domingo, 21 de outubro de 2007

Poesia em demasia


Agora, chega de hipocrisia:
não é ensinada em aula, a poesia
O mundo que gira é o poema!
Inexiste qualquer esquema

O esquema é viver
e obedecer ao que acontecer
Não dê asas à azia!
Poesia em Demasia!

Pra controlar o descontrole
a poesia me engole.
Não me amole.
pois, não é mole.

Se atira o autoritarismo,
de ensinar o indecifrável,
sou todo o terrorismo
de uma aula interminável.

Só as discussões são sãs,
mas a apatia empata.
Toda desvalorização vã
desfacela a fatura e enfarta

O esquema é viver
e observar o que acontecer.
Não dê asas à azia!
Poesia em demasia!

A poesia é construção,
as palavras, os tijolos dos versos,
as estrofes, paredes do refrão
Apesar do meu piso inverso,
vou construir a desconstrução.

O senso crítico é o guindaste
que parte meu baluarte,
porque pra construir
o princípio é destruir
e continuar a rir.

Então vamos começar...
As paredes vão balançar...

Pode trazer os seus versos
que não ensinam poemas avessos.
Destruo suas rimas pedantes.
Desprezo a métrica antes.

O esquema é viver
e observar o que acontecer.
Não dê asas à azia! Poesia em demasia!

Se é polida , não é lida.
Sé é pobre, se encobre.
Mas, se rústica e rica
é uma acústica que fica!

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Eu odeio insetos



Eu odeio insetos,
Mas as borboletas me comovem
A arrogância em mim dissolvem
Só que sigo incerto.
Com a natureza eu flerto,
Mas o incômodo que promovem
Alçam vôo num reclame inquieto
Como a rarefeita nuvem,
Que me deixa certo
Estão perto!

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Me deixa te beijar

Beija-me
Não deixa-me
Me deixa ser só teu
Me deixa secar tuas lágrimas
Me deixa consertar minhas lástimas
Me deixa contar o que ninguém escreveu

Me deixa mudar ao teu lado
Me deixa melhor ao te ver
Me deixa por ti educado
Me deixa, de ti, entorpecer

Não me deixa só contrariado
Me deixa intrigado
Por não conseguir me expressar

Deixa de me deixar
Me dá uma deixa
Me beija

sábado, 22 de setembro de 2007

Amor sem temor

Quero um amor sem temor,
pois, prefiro o fogo da dor
à garantia inercial do gelo.
Por isso, lhe faço este apelo.

Deixe meu corpo em torpor.
Queime seu medo em louvor
para que tenha meu zelo.
Aposte suas fichas pra tê-lo

Já se disse que, para preservar,
só o fazemos por temer ou amar
e vejo em seus olhos, receio.

Vou nos unir em um lar,
fazer o seu medo acabar
e me afagar em seu seio.

domingo, 9 de setembro de 2007

Nos seus cachinhos

Quero me enrolar nos seus cachinhos
e dizer na sua orelha em sons baixinhos.
Vou apreciar, com gosto, os seus efeitos,
 posso suportar, de você, todos defeitos.

O seu charme é essencial ao meu caminho.
Vou lhe enquadrar e colocar no meu cantinho.
As suas palavras são carinhos no cabelo
e o seu suspiro faz pirar meu pêlo.

Eu sei de suas, momentâneas, limitações,
mas não configura em nenhuma das infrações,
eu gostar de você e você, de mim.

Posso desacelerar minhas intenções
e limitar minhas atuais declarações,
pois, sei que teremos um ao outro enfim.

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Vende-se amor

Se quiser vender seu coração
posso não pagar te antemão.
Deverei infindáveis prestações
para fazer jus às proporções.

Você vale milhares de tentações
ferraris, viagens e mansões.
O seu preço é um abraço sem fim.
Se pedir, lhe dôo meu rim.

Você vale a melhor felicidade,
vale os temores da idade,
vale as mais altas risadas.

Você vale as flores do mal,
vale qualquer carnaval,
vale milhares de fadas.

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Não conheço

Eu não conheço a felicidade,
mas a tristeza me conhece,
muito bem.

Não conheço a cidade,
mas as ruas do meu bairro
me perseguem.

Não conheço a solução,
mas, os problemas da questão,
eu inventei.

Não conheço o que mereço,
mas me despir do desprezo,
eu não sei.

Eu não me conheço,
mas carrego apreço
pelas batalhas que travei.

domingo, 19 de agosto de 2007

Iguais demais

A sensação de superar sua natureza
é inerente a qualquer ser vivo.
Sobressalta-se com sua proeza
e menospreza os outros, lascivo.

Se estivesse sem essa sensação
não teria motivos, não haveria razão
para superar de supetão a tristeza
e transformá-la em eterna certeza.

Pode ser considerada a magia
a fazer, de sua oratória, hipocrisisa
pois, pensam diferir dos demais.

Só que isso outros também pensam
e preenchem-se com pretensão.
E os deixam, então, mais iguais.

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

Condenação Terminativa

As minhas atribuições esquecidas
pelos responsáveis da autarquia
deixam as esperanças embebidas
numa solução que eu teria um dia.

Eu mesmo tentei arguir o contrário,
às suposições de desfalque ao erário.
Porém, temos mesmo de reconhecer:
os seus atos visam, apenas, o enriquecer.

Despacharam sua condenação terminativa
e a sua atitude, um tanto evasiva,
vai acabar o levando atrás das grades.

Não há o que possa lhe absolver.
As rezas a que deve, agora, se ater,
se destinam a juízes e, não, a frades.


segunda-feira, 6 de agosto de 2007

www Eu e Vc

Se os pensamentos estivessem na net,
seríamos um só gosmento chiclete.
Os desvarios múltiplos da sua telha
despertariam outra nova centelha.

Se pudéssemos estar com qualquer um,
causaria um estranho zunzunzum.
Esse barulho o deixaria débil
e o teu corpo em estado febril.

Ou poderíamos ter o conforto
de estarmos em junção absortos
e ter em todos nosso pensar.

Dá pra ser assim. Há de ser.
Dáblio, dáblio, dáblio EUEVC
Clique duas vezes para entrar..

sábado, 4 de agosto de 2007

Saca só essa parada_Tinindo e Trincando

Entra errada a batida,
dá treta errada invertida,
em meio ao barulho e mordida.

-Decido, decide, decida!!!
- Eu não acho a saída.

-Abaixa o topete Prequete não trete.
só com o flerte, a parada se inverte.

-Saca só essa parada...
É gostoooooosa,
é engraçaaaada!
É um conto de fada?
É uma treta danada,
Aquela safaaaaada...

O presságio, o ágio, o pedágio?
O bolso ta frágil?
-Mãos para o alto,
é um assalto!
-Não reajo.

Está enterrada a batida perdida,
em meio ao barulho e mordida.

domingo, 29 de julho de 2007

Discussionário

O quê te vens à cabeça
Quando te prensas se pensas?
Se remoeres o universo,
Coloque-o em estrofes e versos

Pra dispensares a amargura
Precisas usar tua bravura
Começa a construir estrutura
Pra suportares as ranhuras

Solta teu tufão então
Tem fé na onda neural
Ao juntares esquecidas secções
E transformá-las em nobres conexões

É dessa forma o nascer das feições
E a aquisição, pelos pés, das trações
Inicia-se um mexer-cavalgar
A essência do seguir-caminhar
.

segunda-feira, 23 de julho de 2007

Hipocrise

Putas em promoção
Hippies comercializando
Padrecos de baixo-calão
Ávidos, no comando

Prole de otários
O mole aos malvados
Tiram os salários
dos mal informados

Patrão traiçoeiro
Bobo tristonho
Cavalo rampeiro
Sustentam os sonhos

Súditos mal criados
Conduzidos pela moral
Rebelião dos endiabrados
Pra retornar ao normal

terça-feira, 17 de julho de 2007

Sucinto

Sinta só Cynthia Sutil:
"Não insista para que persista"
Esse assunto que surtiu
é um acinte ao que sinto
Sinto ser sucinto,
é efeito do absinto

quarta-feira, 11 de julho de 2007

À Cynthia em centímetros

Sente Cynthia Cintilante.
Consente ao soneto um instante.
Está tudo no estatuto:
só és Sutíl se eu for astuto

Sentia satisfação incessante.
Incidia esse dia estonteante.
Só me assusta um assunto:
Apetece eu estar puto?

Apaixona-te por mim.
Se engana se atuas.
dize-me tu um breve sim.

É assim que te situas:
Sinto só a ti em mim
Diz: sou só, Sim, Tua!

quinta-feira, 5 de julho de 2007

À Disposição

Eu vou ser o seu vizinho.
Vou estar de manhã à sua porta.
Quero entrar na sua casa de mansinho,
Pra sentir o sabor da sua boca.

O seu beijo é o Deus do meu pomar.
Sua doçura ameniza o amargor
do dia-a-dia só de lhe visitar.
Minha face mostra logo seu rubor.

Quero estar, aqui, sempre perto
da mulher que suga meu afeto
e me deixa, inteiro, estremecido.

Meus relativos vão sentir inveja.
Esse carinho, tem gente que almeja.
Mas vai ser só seu, enobrecido.

terça-feira, 26 de junho de 2007

Mugunzá

Vejo vivo nos olhos
seu pedido aos joelhos.
A ternura na  lágrima
faz falh`o diafragma

As suas intenções são nobres,
têm ímpeto de levar aos pobres
condições justas de trocar
e aprender a peitar as tropas.

Esteja atento, agora, aos meios
que os homens, tão cheios,
explodem em desproporção

Você submergiu no seu mundo
e crê estar certo e profundo,
mas se afoga nessa confusão.

sábado, 16 de junho de 2007

Enternecer

Preciso balizar a diplomacia
pois, todas vantagens que a aprazia,
se perderam na pouco sugestionável
mulher, sensata ao inquestionável

Tenho, mesmo, aspirações maiores
de trazer-lhe todo dia as flores.
Clamar por sua indulgência
E me fazer sua nobre vigência

Aguardo, ansioso, o lapso
que lhe trará em colapso
para nossa fusão verter

Do fuso saltará a faísca
que explodirá a conquista
de nosso eterno enternecer


quinta-feira, 14 de junho de 2007

LUmiLária

Ei, coloquei sua LUminária na minha mesa
Posso te dizer, ela é firmeza
É uma boa operária pra cabeça
Solução de que, no escuro, não enlouqueça

Quando a sua sensação me pesa
E a sua ausência a mente lesa
Sua luz torna-se presente
E diz ser eu, de novo, onipotente

Faça toda essa ofuscação
Em raios luminosos em direção
Ao que considere meu ideal
Para tanto, torne-se real

Acendo-me ao me entregar a ti
Pois, todas as vezes em que repeti
O BEM que você me faz
Não foram, ainda, vezes por demais.

segunda-feira, 11 de junho de 2007

Te odiei com amor, me amou com ódio

Não precisa de um psiquiatra
Um manicômio não a aceitaria
Precisa de alguém que a mal-trata
Que se incomode com essa putaria

Várias vezes estivemos perto,
Mas nunca daria certo
Agora, proclamo com ardor
Meu amor: meu dissabor

Me fez despejar palavras
As quais pronunciei sem travas
Me amou com ódio um ano
Ingênuo, ao invés de insano
Te odiei com amor um ano
Ingênuo, ao invés de insano

Várias vezes estivemos perto,
Mas nunca daria certo
Agora, proclamo com ardor
Meu amor: meu dissabor

Me confessou sua inocência
Me jurou o alto do pódium
Te odiei com amor, me amou com ódio

terça-feira, 5 de junho de 2007

Tu és doido

Tá tudo tiranizado na tribo
Traquejam nas entranhas o estribo
Se toquem que os toques da tourada
dão cornos esticados à manada

Atracam nossa vida em um tronco
e crêem sermos todos como um bronco
a triturarem tolices de suas tramas
e trcocarmos trotes pelas camas

Nossa trilha é dado incerto
das maravilhas desse reto
das Damas que fazem "muié"

Retires da terra tua estaca
ou tens tu a telha fraca?
Tu és doido, é?