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INQUIETO

"Falo o que sinto e sinto muito o que falo - pois morro sempre que calo." (Affonso Romano de Sant'Anna_Que País é Este?)

sábado, 13 de junho de 2015

Além do Tempo


O que você é?
Além do tempo
que confeccionou
seu sentido?
Se lhe por ao relento
qual será seu caminho?
sua disposição
O seu pensamento
é passado
Tem-se notado
o seu movimento
encantado
em outra opinião
Anda lado a lado
à ilusão dos seus passos
ante a imensidão
Os seus rumos errados
foram tomados
por pura indução
Se não tiver notado
seu aterramento
foi amarrado no vento
Pode até arrumar
um invento
pra sobreviver

sexta-feira, 29 de maio de 2015

A Receita

Cada conversa
versa
sobre seu lado
Tem demonstrado
o intento
O talento que tem
em si
Violento trajeto
que ostenta
Seu comportamento
Pimenta
Um invento e tanto
Um passo além
Põe tamanco
um metro e noventa
e levanta
fica atento
Qualquer movimento
o encanta
Acende o acento
imanta
Atormenta seu santo
devaneia num canto
inventa
Você tem em seu pranto
o tempo
Seu sustento
o extrato
do seu argumento
A Receita

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Dos Passos D.A.Dos

Trabalho em prédios
mais antigos que eu,
que a vida que levo
Peso o passado
sem saber,
sem querer apagá-lo
e apagando...
vivo o vivido
Meus antepassados
foram tão ou mais
preocupados com o futuro
em que me enquadro
Desse piso pesado,
empanado
e carcomido
Solo aterrado,
entontecido
Deixo o acaso
ser meu vizinho,
meus cantos
que escondem o pecado
de homem esquecido
Antes de ter
abandonado um caminho
que dizia ser
o mais adequado
aos meus filhos

quinta-feira, 7 de maio de 2015

intesTino

Tema
meter-se
em meio
a minha meta

Ate-se
ao seu tino
e preserve
a tensão
do intestino

Tenha
seu viés
na reta,
cometa
o desatino

Trace
sua rota
sem retorno
em torno
ao que lhe afeta

Afeto
ao teto
e o seu
destino
venta

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Espia


Não há rosas sem espinhos
não há vento que navegue
sem medi-lo
Não há cheiros que se entreguem
gustativos
Sem gritar.

Não há cores nas paredes
sem deslumbre
Não há luz que não se veja
em azedume
Não há alegria desprovida de cansaço
tristeza, sem percalço.

Não há rua sem calçada
não há pele nua
sem se ter tapada
não há nova ideia
ainda inventada

Não há palavra sem espaço
não há ponto sem traço
não há gente sem a gente
não há mais quem aguente.
não há sal adocicado.

domingo, 15 de março de 2015

aPátrida

UM PÁRIA
PERECE

SE PERTENCE


A     SI           SÓ



SEM           SUA




P  Á  T  R  I  A
           PERENE

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

(b)Isca

De uma rocha magmática,
foram talhadas suas curvas,
arredondadas suas formas,
em exagerado preciosismo.

O vento aparou seus seios,
o rio formou seu lombo.
Há pólem em seus cílios,
raízes em seu cabelo.

Quando solta-se, alheia,
surge, de imediato, o veio
do metal mais nobre encontrado.

Canta como a sereia,
não mostra a que veio
e afoga o seu convidado.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Na Terra do SOU

Dizem que sou
isso ou aquilo
aquilo outro
e aquilo mais
Um'outra coisa
coisa nenhuma
e eu, tanto faz!

Coisa que é
ou que não é
não importa mais
Importam os Uis
e não os Ais

Se porta um plus
um algo a mais,
porte-se blues
ou parta um jazz

Nos tons de azul
ou de lilás
teu corpo é cool
é habitat

Dizem que sou
isso ou aquilo
aquilo outro
e aquilo mais
Um'outra coisa
coisa nenhuma
e eu, tanto faz!

Se é rock'n'roll
e quer demais
perde um amor
por outros mais

Pode não ser 
o que deseja
mas tem tesão
e brotoeja

Se é bossa nova
ou se não é
só cabe a si
sambar

Coisa que é
ou que não é
não importa mais
Importam os Uis
e não os Ais

Toca seu groove
com entonação
e há quem ouça
samba canção

Suas artimanhas
só vão saber
os que forem
ao menos hipster

Dizem que sou
isso ou aquilo
aquilo outro
e aquilo mais
Um'outra coisa
coisa nenhuma.
Eu, tanto faz!

reCato

Essa noite eu sonhei com a sua boca
E a minha boca junto à sua boca
A nossa pele em relativa união
Os seus destinos todos num tesão.

Imaginei o toque dos seus lábios
Suavemente a mim sendo ajustados
Em um encaixe de amores intrincados
Por meio aos nossos sensos sábios

Se em sonho nos saímos assanhados
Em vida há de haver contatos
Pra nos fazermos realização.

Seus sorrisos mostram seus pecados
Pelos que espero sem recato
Em que quero me afundar, paixão.

desLancha

Moça, passa tua prancha
Surfa Moça!
Deslancha.
Não deixa atoa a tua toada.
Apaixona!

Moça, desliza nessa onda
Flutua moça!
Flana
Não perde teu tempo.
Acontece!

Moça, pisa no meu solo
Caminha moça!
Trilha
Não queima o pé
Pertence!

Moça, entra em minha casa
Deita moça!
Cede
Não nega teu prazer
Vive

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

moi_MÊME


Mesmo que não mame
em meus meios,
memorize um mote
pormenorizado.

Armazene um meme
e semeie o sêmem
do nosso sistema
dinamizado.

Junte-se aos mecanismos
dessa sonsa massa
concatenada.

Fecunde a sua mente
conforme os genes
a transmitem.

[Seremos, todos, nós MEMEs!]

domingo, 25 de janeiro de 2015

Tá daNado


Venha!
Atravesse o rio a nado
A noite,
com perigo ao lado.

Vamo,
tem cerveja e cigarro
Pula!
Não dá esparro.

Anda,
até aqui é raso.
Bóia,
não derrama o vaso.

Corre!
Tem alguma coisa aqui.
Cala,
já é mais que noite.

Ufa!
Já tamo na trilha.
Veja,
o pirilampo alumia.

Para,
onde é o caminho?
Pensa,
qual é o destino?

Vai,
já vamo chegar.
Pisa,
olha a lua lá.

Eba!
olha quanta areia.
Oba!
o mar incendeia.

Olha,
o sol vai nascer.
Sente
o calor em você.

Cara,
não vou esquecer
isso
nem quando morrer.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Há Mais de Meia Década

Até hoje sinto aquele beijo.
Tão curto tempo que até hoje dura.
Não ter tido outro me deixou sem jeito
de lhe olhar de novo sem ser receoso.

Sinto por você, amor sem igual
quero só lhe ver feliz mesmo que ao final
nunca viva junto aos seus carinhos.
Me contento em saber dos seus caminhos.

Estes dias mostram o que guardei por anos,
os seus ventos, suas brisas, ou seus encantos
que me ensinam a me tornar mais leve
não destruir meus sonhos, que me encontram.

Sem os seus defeitos, não se faz possível,
mas não os noto além do invisível
porque são nuances de sua bela forma,
dão caráter ao ideal que me conforta.

Não destrua meus sonhos e não me deixe perdido,
pois lhe quero tanto que não lhe quero mal.
Se não quiser mais o que você já tem,
levante a cabeça, me diga nos olhos.

Eu que não quisera ninguém ao lado
quero você quando precisar de mim.
Quero envelhecer consigo, juntos.
É o que há de mais profundo aqui.

Vai ter que procurar em Marrakech,
Lisboa, Moçambique ou Paquistão
Mas devo estar em Poços, então
Topa morar comigo em qualquer canto.

Sinto cada letrinha digitada no teclado
pra desfazer o caos deste seu vendaval,
seus maremotos que engolem, incontrolados,
os meus vulcões a lhe lavarem o mal.

Deixa o mundo dar seus passos soltos
e um dia vamos pisar a mesma pegada.
Daí levante, pronto, a sua cabeça,
olhe meus olhos e diga se não digita.

Tenho sofrido muito nessa vida
e o único que não posso suportar
são as palavras do seu sofrimento
no mais, tudo pode me atrapalhar.

Não preciso de alianças para o amor
que me faz gaguejar, que me lacrimeja,
que me faz estar ai, estando aqui,
me faz querer viver só pra lhe ver.

Eu tenho a cabeça enterrada nas nuvens,
mas aceito que bote meus pés no chão.
Se se aventurar em minhas ilusões,
pés no chão, nós nas nuvens, não terá trovões.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Pingo ou Pau

Se passa o correntão
e tomba o tronco,
não cai o pingo,
não junta nuvens.
Atrapalha o sistema
e retorna o sintoma,
lhe seca o seio.

Qualquer que seja atitude
tem magnitude
altera o trânsito dos dados
põe-se a injuriar reflexos
torna o meio mexido,
qualquer química aquecida
por um comportamento enriquecido.

A modificação por meio agressivo
provoca pânico progressivo
se desequilibra as medidas
que lhes conformam acolhidos
sob condições contidas.
Uma distensão desaparecida
em mundos inimagináveis.

Seus atos sendo comedidos
ajustam todos os sentidos
ao tempo de outros mecanismos
em cadenciada sincronia.
Assim, outros seres vivos
e demais componentes químicos
marcham em conjunta harmonia.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

INTIMAÇÃO

Ama-me como a TI
Além dos Limites
e imite o Mito
em que te Meti.

Tu tens o que Prometi,
todos os meus Horizontes
e após Partir
Persistes!

Meu Time atua por Ti
se tens Tons Tristes
para me aTingir.

Pinte-me com tuas Pintas
Pratique-me
ou não posso Existir!

Universal do Reino do NÃO

Atenção!
Garçonetes, colegas de trabalho
garimpeiras ministeriais.
Procura-se um reino perdido
Entregue ao temor
Desencanto renovado,
destino destruído
Um ponto pacífico
afinal
Atenção!
destruidoras de lares, beatas,
vizinhas comensais,
Imperadores da inexistência.
Procura-se o desapego
o desencontro informativo
a desintrusão corporal
Atenção!
colegas da escola,
confraria da fralda.
Desimportantes soluções
são impostas
Requerem apreço
aos percalços
do que se prende afora
Confundem o acordo
Atenção!
Ascensoristas da escada abaixo,
rejuntadores do fundo de quintal.
Há um novo aplicativo na praça
baixe seu jornal
forre a gaiola
Vem aí o temporal
Atenção!
esperadores da agonia,
espectadores do absurdo,
impulsivos pares.
Hoje é o dia da paz
Toca o bonde do astral
em fogosa sincronia
para cada qual
Atenção!
motoristas do acaso,
psicanalistas do desejo,
corretores do inferno.
Lastreia-se pudores
em utópicos acontecidos,
impossíveis insinuações
alistados em passado
descontinuado
Atenção!
Usineiras da emoção,
faxineiras da beleza,
madeireiras das convicções.
Os dias estão contados
caíram na conta
Pregaram a receita
mas não resolvem
o sinal

Devenir

O que mais me importa
não são portentosas potências,
calorosas cadências,
a razão de existir.

O que mais me toca
não são sutis diferenças,
abismais semelhanças,
as condições impostas.

O que mais me move
não são senis pensamentos,
profundos comportamentos,
a gana em questionar.

O que mais me incomoda
não são vãs violências,
vorazes demências,
desejar devir.

O que me ceifa agora
é ver tudo afora,
não ter outra escolha,
ter que digerir.

Queira

Quero alguém pra mexer nos meus livros, bagunçar minhas gavetas, chacoalhar minha vida.

Alguém que encante meus dias, que me tenha como seu encanto, igualmente.

Quero alguém que respire meus cheiros. Sinta meus medos. Venha comigo. Juntos.

Alguém que destampe meus poros, que me tampe de novo. Alguém que me encha de espaço.

Quem aprecie meus mitos. Minhas histórias inventadas pra justificar. Tudo.

Quero alguém pra dividir meu casaco. Pra dormir comigo os dias. Sonho.

Alguém que carregue as angústias, leve embora os temores. Desanuvie.

Quem não se importe com a louça. Viva aos pedaços, momentos.

Quero alguém pra fazer cafuné. Que me diga as coisas boas da vida.

Alguém que pertença a si mesma, sem me dominar.

Quero alguém que queira.

O que quero também

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Só Movemos

  Vemos
                     como somos
  Somos
                       o que vimos
ViVemos

sábado, 25 de outubro de 2014

Estado em SI

O indivíduo, em sua identidade,
é só quem pode determinar
o modo melhor como age.

Se há de ser inteiro ou metade,
fugir de sua verdade,
só cabe a si decidir.

Um cidadão pode se descuidar
pode ser covarde
e há que se conformar!

Se quiseres ser o que fores,
tem de ter aqui e alhures
limites aos teus Limites.

se tenta impor teus ardores
além dos de teus detratores,
toma o troco no mesmo ato.

Quem ultrapassa a proteção de si,
delineada lado a aliados,
bota o papo todo em choque,

                   em conFissão nuclear.

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Castelo de Areia


Forte mesmo
só debaixo do edredom,
onde destrono minha dor
e ninguém me vê chorar.

Paredes protegem meu castelo,
desfarelam como areia.
Há janelas gradeadas que me cegam,
portinholas que me trancam.

Na masmorra me consolo,
sinto-me o solo
de uma fortaleza
movediça.

domingo, 28 de setembro de 2014

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

iLuSão


Nem te conheço,
mas já te sinto nas mãos.

Não sei tua feição,
mas te suponho no sonho.

Eu não sei quem tu és,
mas te tenho
___________ILUSÃO...

Nem sei o teu nome,
mas já te dou apelidos.

Não sei o que pensas,
mas te imagino poemas.

Eu não escuto tua voz,
mas silencio os
_____________SUSSURROS.

Nem sei onde vives,
mas já te trago adereços.

Não conheço tua rua,
mas já transito teu seio.

Eu não vejo teu quarto,
mas teu lençol,
_____________INCENDEIO!

Engenho


Por onde anda o tempo
em que me perdi?
O tempo passado,
sem estar aqui.

Por onde anda o tempo
dos meus anos?
O tempo vivido
sem encanto.

Por onde anda o tempo
do sonho roubado?
O tempo acabado
em sono profundo.

Por onde anda o tempo?
Por onde anda a vida?
Por onde ando eu,
perdido, sem rumo.

Por onde anda o tempo
das ondas viradas?
O tempo das pedras,
dos passos pisados.

Por onde anda o tempo
que me enrugou?
O tempo que leva
o que me sobrou.

Por onde anda o tempo
dos ventos soprados?
O tempo esquecido,
nunca mais lembrado.

Por onde anda o tempo?
Por onde anda a vida.
Pra onde √ai querida,
me leve daqui!

Descortine-se


Ter de deixar ir um conhecido ou ir é abrir espaço para novas pessoas que se possa conhecer. 

Mas causa um incômodo repugnante despedir-se. Como quem fosse, deixasse de existir, como tivesse existido apenas ali naquele trecho, num lapso só. 

Por vivermos tão sozinhos em um mundo tão cheio, no tempo em que despertamos para o encantamento da vida, impera a gana de compartilhar. 

Ao se entregar aos outros, conhece mais a si. Passa a identificar no comportamento alheio, suas características. Tem sempre alguma coisa de você no jeito do outro. 

Talvez isso torne tão duro partir. Separar-se é ver-se morrer um pouco. A vida que gostaria de ver refletida no próximo se esvai. 

Conhecer e deixar-se conhecer é descobrir-se.

Como Pedra


Deitado sobre a pedra,
abraçado a ela,
incorporado.

Manchado como ela.
Uma mancha nela,
um pedaço.

Duro como a pedra,
esparramado nela,
amolecido.

Parado como a pedra,
compassivo com ela,
emparedado.

Redondo como a pedra,
talhado por ela,
amealhado.

SurubUs


Pra que vivem os Urubus? 
Pra comerem a carniça 
restante da pescaria? 

Limparem a praia de hostis dejetos? 
Serem símbolo de clube? 
Anunciarem a morte? 

Acontece que os urubus 
não vivem para os nossos olhos, 
mas para o vento, 
a montanha e o mar. 

Vivem para a vida. 
Confrontarem o tempo,
plainarem na brisa, 
pisarem na areia 
e revoarem. 

Bem como nós, 
bichos, 
que também podemos voar!

BRAVO

Desce a água de um Rio fugidio
de encontro ao Mar
Cantam Aves seus piares e arrepio
sem saber cantar
Correm, entre as Folhas, Alevinos
Pairam Pedras sobre o leito
Troncos finos às espreitar
Carangueijos nutrem a terra pequeninos
sob a sombra da folhagem seca
Tecem teias, as Aranhas, por famintas
e os Insetos têm de escapar
Entre as ondas, surfam Peixes graudinhos
sem prancha para os levar
As Gaivotas sobrevoam um Cardume
vez em quando furam o Mar
O Pato d'água nada e afunda
para alimentar
Observam, os Urubus, em alto vôo
ventam-se atoa
Lá ao fundo, há um burburinho
que se move na harmonia de Golfinho
Atrás das Sardinhas
tantas são, tadinhas
Lá na Ilha, outra vida nos espera
mas a Selva assevera:
Deixe o Homem pra lá!

Refúgio


Fujo da opressão, dos prédios, por sacrilégio, das ruas cheias, das pessoas rasas.

Fujo de mim mesmo, do que fui, do que pretendia ser. Das obrigações mundanas, do tédio. Do aluguel do corpo, das contas a prestar.

Fujo das remessas rotineiras de afeto sem traquejo, sem beijo.

Fujo do passado, malogrado. Das histórias infindadas, dos abraços sem pegada.

Fujo das conversas com caminho traçado, com resultado.

Fujo de filosofias saturadas, de cartas marcadas, onde não se pode inovar.

Fujo de um mundo sem pecado, desvairado, onde só se pode acertar. Dos comportamentos marcados, ritmados, rotulados pra pagar.

Fujo de um povo apavorado, que tem tudo, mas insiste em negar.

Fujo para a praia do rescaldo, do meu lado, onde Ser é estar.

sexta-feira, 25 de julho de 2014

por si só


Como não amasse,
além de mim.
Vivesse um ser
afim de si,
só de si.

Como se trancasse,
comezinho,
ciente de seu ser,
sem conviver
viver.

Como se acomodasse,
sem coexistir,
lhe faz persistir,
em ser alheio,
ao meio.

Esquece se o permitir
seu ser só
por se seduzir,
outrossim,
só sim.

Sem se socializar,
faz passar
o espaço.
Não resta um rastro,

por fim.

terça-feira, 8 de julho de 2014

respiro


Qualquer esperança pra quem não tenha fé,
pra quem coloca o coração no pé.
Qualquer chute desferido pela defesa,
um ato de terror, cometido sem gentileza.

Qualquer sopro, se alguém tiver pulmão,
um respiro na clausura em que vive então.
Qualquer luz vence essa escuridão,
talvez se veja, caso haja, algo de bom.

Qualquer jeito a se dar na desilusão,
qualquer riso entoado ante a multidão
e uma centelha nos faz reviver.

Qualquer vitória sob violação,
qualquer grito árido para a geração
de um novo ritmo para sobreviver.

sábado, 7 de junho de 2014

frente ao fim



foi posto em cimento,
no cal do lamento.
e, assim, nesse posto,
tem-se por suposto.

mas move-se e movimenta
por seu planeta-placenta.
desponta em seu brilho,
provoca temor e arrepio.

pensa se pode ser livre
da condição em que vive,
em um novo ambiente.

só que prende-se ao chão,
pois, os pés o trapacearão
e tudo tornará repente.

sexta-feira, 23 de maio de 2014

És Tudo


Tem mais cuidado consigo
por apostar no destino,
pois sobrevive ao perigo
tão grande, por ser pequenino.

Controla o passo e o caminho, 
contorna o andor e, cedinho,
levanta o ânimo e seu tino
alarga o que, ainda, for fino.

Não rói mais sua unha,
convence a pedra a virar pluma.
Denomina o seu dono!

Corre por seu propósito
e por estar tão disposto
faz na vida o que faz no sono.

domingo, 11 de maio de 2014

As Mães Nunca São Sinceras


Sem pesar defeitos,
todos eles,
acima disso,
o Amor
por Você.

Belo ou feio,
será Belo,
um ser supremo,
já que feito
pra Vencer.

Ouvido atento
para não dizer
o que, no momento,
possa parecer
tormento.

Um jeito simples
tenta pôr no eixo
o que nem um beijo
conseguiu
fazer.

As suas mentiras
são por ter
na mira
alguém pra
proteger.

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Testigo


Juro dizer
nada mais que a verdade
a que sempre me rege,
somente a verdade,
amem!

Prometo, por honra,
ser feita a nossa vontade
nas funções a mim confiadas
na terra ou no céu
também!

Garanto agora
e na hora de nossa morte
agir com probidade,
assim, entre as mulheres,
mamem!

Comprometo-me a perdoar
a quem tenha ofendido,
para a convivência humana,
buscando a paz,
além!

Prometo, por fim,
defender a Liberdade.
Eia, pois, advogada nossa,
já que a ti me confio,
amém!

segunda-feira, 10 de março de 2014

torna-te


Os acontecimentos têm-se
ante à toda relutância
em dar contradição
à essência.

Um ato é tomado
em tortas circunstâncias,
que te dão direção,
transformam-te em ti.

Ao tom da entonação,
no tempo em que te parte,
tens arte, que te faz existir.

Com o acaso à tona,
te torna,
sem termos como resistir.

domingo, 16 de fevereiro de 2014

consTiTua


me entrosei na panamericana,
após atravessad'os oceanos.
Em ritmo ordenado pela gana,
transitei em torno aos seus enganos.

Ao lhe trilhar em todos os sentidos
fui transformado em parte, aos prantos.
E, caso impeça tal canibalismo,
já vai estar exposta aos danos.

Qual seja o ideário adotado:
fuja ou fique em suporte,
vai ser um código encadeado.

Nos dígitos que nos dão direção,
sou linha avessa à razão
escrita sem ter resultado.

sábado, 21 de dezembro de 2013

emTeuTino


teu tato te tatua
no tempo em que estás, então
do todo, o que compactuas
ata teu tom à intenção.

ante tamanha atitude,
trates de teres virtude:
transe tudo que te dão.

na mente, a intuição
tem que tua atenção
toma o destino em suporte.

se não te aguentam, suturas,
o vento em que te aventuras
tem que tecer tua sorte.