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INQUIETO

"Falo o que sinto e sinto muito o que falo - pois morro sempre que calo." (Affonso Romano de Sant'Anna_Que País é Este?)

quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

Terreirão

 Não aceita a idade

o rio corrido

as correntes margeiam

os troncos cortados

Não aceita suas rugas

a velhice dada

o caminho traçado

e o percorrido

Não se mete na blusa

com que pulava muros,

roubava frutas

e rezava

Não corre seus passos

e o prazo o engole

acelera o tempo

e reduz o espaço

segunda-feira, 18 de janeiro de 2021

Ca La Nuri

 Do caos

à paz

Da turba

ao isolamento

Dá hora

ao tempo

De mim

para ti

todo o meu vento

sábado, 9 de janeiro de 2021

Tijolo

 


A vida é uma reticência e ponto

Cheia de final sem recomeço

Plena de começos sem fim


A vida são vidas feitas

Sólidas ou rarefeitas

Não permanecem ou passam


Em cada trampolim

Pulamos 

Sem saber o pranto


Temos todos fatos

Em nossa fuça

Mas não há recusa


O que sabemos

Tão pouco vemos

Nos direciona


E nesse fim

Há destino

Ou novo fio



TiTolo

 



Jogo-lhe tijolo

na testa

Por uma finestra


Por todo seu caminho

Tem um carimbo no seio

Bem no meio


O que lhe faz assim

Sendo você, sem mim

São as veias


Um movimento

Carrega seu trilho

Sem desancar


Na correria

Perde seu Lar

E as paredes


Meu tijolo,

Agressão que seria

Constrói!


O seu rumo dói

Destrói

E desfaz

quarta-feira, 30 de dezembro de 2020

O nome da palavra



Só o tempo sabe o quanto estamos passados

Nem o vento 

Nem a chuva

Têm a mais puta ideia do quanto vivemos


A palavra proferida aos ares

Contém mais que seus significados

Carregam a vida

Vivida e renunciada


Nossas rugas e cicatrizes dizem tanto

Dos caminhos

Dos atalhos

Procurados na ânsia de nos encontrarmos


Uma frase tem espaços entre as letras

As lacunas do intentado

Onde moram pretensões

Por aventura aos nossos lados


Não há um só código

Não há um só dado

Há mais entre o silêncio e a fala

Que pensa nosso antepassado

domingo, 20 de dezembro de 2020

Lar de

 Já não tenho casa

Ou nunca tive conforto

Não pertenço a lugares

Mas a sentimentos

Que mudam a cada instante

Portanto moro em apartamentos

Em condomínio de emoções

Das minhas próprias emoções

Cheio de elevadores e escadas

Esse edifício pega fogo a todo instante

Há sempre um incêndio

E preciso correr de mim mesmo

Pra lugar algum

A única saída plausível

É a janela

Mas que acaba me fazendo ver

Ter mais belezas aqui dentro

Que suposto nos olhos alheios

Portanto fico

E queimo

O fogo arde e cura

Se desaba um andar da minha brasa

Já tenho um novo lar para viver

terça-feira, 15 de dezembro de 2020

O Pentelho Elétrico

 Ei fio, liga na tomada

Acende o pavio na tensão

Chamusca maçarico no cabelo

e vamo incendiar toda nação


Tem toda energia neste solo

Carregada desejosa e sem razão

Então pulemos juntos nesta dança

não importa qual coloração


A corda foi cortada p/ confete

Algemas vão virar celebração

pois se abrirem, é comício ou zoação


Tire a sua blusa e se junte

aqui o que não falta é divisa

à desmaiar metade e a outra pisa.

segunda-feira, 2 de novembro de 2020

Carta ou Convite

 Tenho palavras tortas atrás da porta

Eu bato

Caso tu não te importas

Abra

Cadabra

Uma palavra é agulha com linha enfiada

Me tece um fio 

E enrascadas

Sê o penhasco de que me lanço

Com amor ou ranço

O que mais se pode querer

É conhecimento

Atado à tesura

Não me penitencia

Pelo desespero

ou silêncio

São resumos do descontentamento

Expressão do tempo

Penso que tanto movimento

Cause ranhuras

Umas fresas na sua postura

Ou espanto

Estamos na praça

Tem tanto vento

Tão pouco banco

Procuro um assento

E ao te ver 

Quero tanto uma prosa

Quase uma briga

Uma rinha

Do meu jeito maluco

Imprudente

De fazer desencanto

Eu percebo

Que percebes

Ja não temos traquejo

Temos ataques

Travamos a luta

E neste tamanho

Brinda comigo

Num amargo

Cálice de cicuta 


sábado, 17 de outubro de 2020

Afogar-se sem medo

Vamos tentar ser felizes enquanto estamos vivos
Porque a tristeza é uma garantia
E não vai mudar se não se fizer nada a todo momento
 
Com as drogas que se puder pra alterar o ânimo
Com o dinheiro que se puder colocar fogo para se alterar o ambiente
E o esquecimento do que uma mente já prejudicada possa se beneficiar
 
Os rios continuarão passando contra se não se deixar levar
E ao navegar a favor
Engrossa a correnteza
Do que garante ao mundo
O permanente estado de tristeza
E tensão contrária por alguma felicidade
 
Abrir uma cerveja no café
Acender um cigarro no fogão
E mergulhar em águas turbulentas
Afogar-se
 
Pra vc digo
Penso em estar presente
Decidindo que o Rio Mondego precisa de mim
E o Tejo pode me aguentar

sábado, 10 de outubro de 2020

Rabisco

 Não quero lápis,

nem borracha,

posto o que escrevo

tem tanto relevo

quanto o tempo.

Não apago meus erros

por serem lampejos

de novas constelações.

Há um outro Universo

a cada caminho tomado ao avesso

pelo tamanho do seu interesse

Por que às vezes,

quando não se quer nada,

é que se consegue algo!

sábado, 1 de fevereiro de 2020

AntiCoagulante


É no traquejo dos tempos corridos
onde perdemos sentido,
nas esquinas.
Em um lampejo, temos destino.
Como quem tapa ferida,
acende um cigarro,
para descansar o lume,
de forma ardente,
em pele árida.
Nesse pranto, quando se tem prazer
na dor,
passa obscuro, o profundo significado
das mazelas.
Nesse ponto, o ímpeto da vida
é só destruição.
É no calor dos quartos ressecados pelo outono
onde se escondem os mais apurados pensamentos,
onde não há divergência entre as vontades,
nem se pode encontrar esperança.
É no fulgor do desespero interiorano
onde encontramos resposta
para o quê não se tem pergunta.
Tudo se pode ter
quando nada se quer.
Tudo pode
o ser
que não lhe souber.

terça-feira, 1 de outubro de 2019

Cão

Hoje, não vou!
Não vou!
Não voo.
Haja o que vi,
vivi,
vim ver.
Hoje,
eu não vou,
não volto,
não devolvo
minha vida.
Eu vazo.
Eu, vaso
vazio?
esvazio...
Envaso!
"Sê vadio,
mas não volta"
Não há diáspora.
Nem me revolto,
que o vento
e as veias
destes ossos
vão perpetuar
o ócio
dos meus destroços
Hoje, eu não vou.
eu sou!
Tento ser,
em vão,
o desvanecer
do cão
a adormecer
dentro de mim.
E de cada ser
que fica aqui.
Pelo que vi,
pelo que vivi,
pelo que sei,
do que senti,
não vou!
Hoje, eu não vou!

sexta-feira, 26 de abril de 2019

viaggio in un bacio

a minha lingua pede à sua lingua
uma letra
uma palavra que me diga
dita
seja maléfica
ou bendita
a pista por que passa
a minha vida
me dê um sopro, um suspiro
do que seja seu estilo
para eu lhe ter comigo
suas palavras
a minha lingua pede a sua lingua
numa frase que não desdiga
pede que me sirva de comida
me explique e descomplica
os problemas do mundo todo
com um beijo
a minha boca pede à sua boca
que não seja coisa pouca
tenha desejo e paixão
para viajarmos
o mundo todo
num só beijo

desmantelo

quisera com lágrimas
dissolver o desencanto
presente, agora, em todo canto
se possível fosse
derreteria o cinismo
diluiria com meu pranto
a dor e o desespero
quisera com lágrimas
se possivel fosse
lavar a face da mentira
polir a fronte da desídia
para salvar os indolentes
de sua paralisia
quisera que as lágrimas
fossem antídoto para o despudor
que libertassem múmias
se possível fosse
de seus pensamentos
quisera com lágrimas
consertar a miopia
fazer ver
a quem já ama a cegueira
e com isso
acertar o caminho
mas se as lágrimas
nem as palavras
não são poções mágicas
para os insensíveis
há sangue que possa verter
em nome do impossível

quarta-feira, 27 de junho de 2018

Discricionariedade vinculada

No passo que puder dar,
no caminho que puder seguir
a vida leva-se
e se vai
esvaindo,
sem vaidade,
pelas posses
por que passam
os preceitos
que assumimos
No toque de um calcanhar,
com um joelho mambembe,
o tempo passa
e espaça
o percalço
Qual seja o trato
e os obstáculos impostos,
aposte
tudo o que tiver,
por sorte
ou propósito
Só o seu espólio,
no movimento intercalado
dos astros,,
determina
se posta-se calado
ou se comove
No tempo que tiver
e espaço que conquistar
tome o chicote ao alcance
da mente,
em hipótese
ou plano
que te comande
Seja o tanto que ande,
no tempo de agora
ou de antes:
Te faz testemunha
infante
do acaso!

domingo, 25 de março de 2018

o sentido de tudo

eu passo ao fundo
em me fazer seguro
pois, me pertenço

em um segundo
tenho o absoluto
e não convenço

pois, nesse mundo
tem-se de tudo
e nada tem sentido

o meu estilo
é não ter estilo
e crença











quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Janela de Vidro

São teus olhos,
a forma deles,
sua cor e desejo
o que carregam em si
insegurança e certeza
O teu jeito macio
de dizer,
teus movimentos
lentos,
Tua sede de viver
Minha sede,
uma saudade
pra se ter
São teus olhos,
largas janelas
Tua boca cheia,
terna promessa
Tua presença
é doce esperança
Teus pensamentos
são nossa dança

a crédito

O sol sustenta,
em ocre,
a cor da pele
e dita os modos
de quem tá na seca,
sob sedenta sede

Os ramos mesmos oram pelo verde
por saudade do solo, já rachado

Eis que um temporal os acomete
e muda o tempo todo ao lado

Com água, agora, há gana
tem gordura nos bois e há banana

O quê se planta dá
têm-se o que comer
pra sustentar o ocre,
a cor que o sol tingiu
na pele. A sua história

que entoa o riso
que a seca ruiu
que o calor secou
que a fome escondeu
e a chuva pariu

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Beija todo Mundo

O tempo só se mede
pelo número de sorrisos dados.
A alegria é um recado
do tempo que passamos juntos.
O amor,
ai, o amor,
mesmo sem saber o que é,
sei que é isso.
É beijar os seus lábios
e os lábios de todos à nossa volta.
É lhe dar um abraço apertado,
lhe derrubar pra cima
e dormirmos juntos
no solo dos nossos sonhos,
no aterro dos nossos sentidos
mais apertados.
E despertar ao seu lado
como se esse dia
fosse todos os dias.

PeDrógão Grande

Depois das cinzas que o fogo espalhou por todos os cantos.
Depois de todo o sofrimento e desespero.
Das dores e queimaduras.
Depois do trânsito e circulação interrompidos.
Depois das vidas tolhidas, do choro incontrolado e desmantelo.
Depois do medo

A chuva lava o que sobrou de nós.
Lava o sangue, o pó e as lágrimas.
Lava a dor, o choro e o atropelo.
A chuva que cai lá fora é a mesma chuva que cai aqui dentro.
A mesma chuva que lavou a alma da Ana Luiza.
Lava agora o resto que sobrou dos sentimentos.

Flaming

Esse incendio
nao matou pessoas queimadas
nao dizimou aldeias
nao fez chorar paises
por suas estradas

Esse incendio
nao queima hectares inteiros
nao ultrapassa fronteiras
nao chama atencao
dos bombeiros

Esse incendio
tambem comecou com um raio
em um pau seco
e insensato

Esse incendio
tambem arde acordado
tem o seu lume entortado,
e traicoeiro

Esse incendio
quase nao se ve por ai
pensam estar apagado
pois queima dentro de mim

Samba Enredo

Vem, me dá a mão,
mergulha comigo.
Entrega-se,
como me entrego.

O amor é imensidão,
um mar
sem proporção,
um rio sem fundo,
um trampolim.

Pois, pula comigo
num desatino

Deixa seu medo
por um segredo.
Estamos juntos
e temos seguro.

O nosso abraço,
por mais que segundos,
nos protege
e assegura
o nosso enredo.

вси(ч)чко е едно



Eu ja tenho um chão
e meu chão sou eu
eu quero um teto
um teto de estrelas
um universo que me apeteça
um mundo que me obedeça
uma terra pra pisar
um céu pra olhar
e um mar

Calla Coração



Sem teus cabelos
um nome a menos
um escorredor de sentimentos
um escorregador pras emoções
Sem teus poemas
uma palavra silente
um país descrente
um pária a mais
Sem teus olhos
uma praia sem água
um mar sem ondas
uma rocha sem caimento
Sem tua energia
um declínio
um calabouço sem influências
um só desespero
Sem tuas carícias
um descontentamento
uma desolação
uma espera sem tempo
Sem teu corpo
um copo vazio
uma bandeira a meio mastro
uma senzala
Sem teu desprendimento
em uma prisão
com um cadeado sem chave
um coração se Callou

LisBuenas

De um lado a santidade,
do outro a devassidão
No meio, o rio Tejo,
a aeronave e o mar
De um lado, o outro lado,
desse lado, a solidão
e a ponte une em desejo
meu corpo
aos cravos
De um lado, o acaso,
do outro lado, o destino
O rio maneja meus ares
e me inclino
do céu ao chão

Antes Amar Antes


A viagem
é a felicidade em movimento
Um Fado sem lamento
Um Rock sem raiva
Um jazz
e nada mais
mais que menos
muito mais que o pelo menos
E por muito menos
seremos tudo
o que jamais teremos

Hate Late


Vou me impor
contra todos os batalhões,
todos os morteiros
Tenho a ponte de Amarante
pra vencer Napoleão
Caso tenha fogo adiante
Adiante!
Vamos dar um empurrão
cairão da ponte.
O meu fogo
os apaga
e eu queimo tudo, então

Sevilha

Todos podem se virar
basta querer
Colocar os pés no chão
a cabeça nas nuvens
y volar
Todos temos um sol
para nos olhar
podemos olhar pra ele
a se por
e alvorecer
Em todo canto
em todo lugar
há espaço pra ser
mais que só você
mais que só o sol
mais
e mais
e mais

Malagueta

Ponha uma pimenta
no meu caldo
e me escaldo
Me aguenta
e te calo
Sei o que intenta
o que tens nas ventas
No es malo
Es buenissimo
que lo tenga
sin recato

Dos Carmelitas

De manhã
de manhãzinha
encontrei um céu no paraíso
Me deitei com isso
e tive uns momentos de prazer
Não sabia
que abaixo do nosso compromisso
não havia um tecido
que pudesse intrometer
Amanhã
ou qualquer outro dia
levanto nosso recato
e nos faço ser benditos
por todo tempo

Silente

Se me poda
me consome
Mal sabe meu nome
e me manda calar
- Menos Daniel
menos
muito menos
E por querer tanto mais
não lhe dou mais nada
nem um centavo do meu ser
nem um átimo
nem um segundo
somente silêncio
e um abraço
frouxo
de despedida

vděčný

aqui, parado
me mechendo
lembro de tudo
lembro de ti
lembro de todo mundo
Sou grato a isso
por poder lembrar
e sentir isso aqui
essa satisfação
de ter vivido
nesses dias
o que não poderia viver
em um milênio
Em um mes
eu vivi
Mais que o mesmo
Convivi sem medo
e assim, sendo
sou supremo
por ter sido assim
por ser o rei
do meu reino
o leão da minha selva
o papa da minha igreja
o ser do meu jeito de ser
eu mesmo


@ Bouzov Castle

The orange coup

a cup can scoop,
a glass can pass,
but a heart
can't heal
A mark made a mess
in your heart
and nothing else
matters anymore
If I was trying to stay,
you said to me:
"Go away!"
Cause you can't
see my bass
beating
at the rithym
of your algorithm
About the things,
don't care
Just care
about our Coeur

Je Suis Ça

eu tinha tudo
e carregava tanto
já não preciso de nada
eu só preciso andar
Eu te buscava
e não encontrava
porque o peso tamanho
me impedia de olhar
para ti, para mim
e para o céu
Eu deixei tudo pra trás
já não tenho mais peso
sou uma folha, uma pena
que voa no vento
dos teus cabelos
e um dia
vai repousar
nos teus dedos
Vai sentir medo a menos
e nos teus apelos
vai ter um lar
vai ter um lar
Eu tinha tudo
e carregava tanto
Eu deixei tudo pra trás
e sem este peso
eu já posso voar
nos ventos
dos teus cabelos
eu posso voar
eu posso voar
nos ventos
dos teus cabelos
eu moro
eu moro lá

My brown eyes

Você me dá esperança
e me tira
Você, comigo, dança
e me baila
Você tem swing nas ancas
tem algo que espanca
Você me ilumina
e escurece
Você me origina
e me desconhece
You have my brown eyes
and don't recognize it

The Brain Book

Premero, se passa el tiempo
despues la salut
y, ahora, la vida
Pues, viva!
Completamente
todas las cosas
cada cosita
Tá tudo na cabeça,
dans la tete
Haga lo que puedes
y viva
La felicita de vivere
and be all in one
Já que: one thing is another
I am you
you are me
and we
together
are everything
Me llama a su mundo
y giramos
desde el bigbang
hasta el fin de tudo

Gérmem

De você,
em mim,
não restam só
as bitucas
no bolso esquerdo
das calças e dos shorts
Não restam apenas
as palavras
doces e amenas,
os olhos verdes,
as pernas grossas,
A altura inalcançável
De você,
em mim,
não resta
apenas um poema
uma estrofe
um só verso
Não resta
somente
um semestre
uma novela
uma novena
De você,
em mim,
não resta,
unicamente
a voz rouca
entoada em belas canções
ritmada em habilidosos debates
Não resta
de forma exclusiva
a imagem dos seus desenhos
ou a invenção dos meus sentimentos
De você,
em mim,
resta
mais que somente
a semente que plantamos
e que um dia há de germinar
há de germinar!

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

coSIdo

Eu não bato panelas
nem formo panelinhas

Eu cozinho as ideias
às tempero com ervas
e as coloco na rinha

Eu não entoo hinos
não sustento vaias

Eu não bato palmas
deixo as mãos vazias
prontas para o tapa

Eu não defendo pessoas
não subverto liberdades

Eu formo convicções
por tê-las destroçado antes
e inventado universos
sob os meus prantos

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Si

Dentro do que pertenço,
meu pressentimento,
é que tenho pretenso
pertencimento
ao silêncio

Não o silêncio mudo das turbas
o silêncio sem desejo
Mas o silêncio do descanso
das vígulas,
que desencadeiam
o prosseguimento

O meu silêncio
é sempre sinal de continuidade
É pausa
nunca parada
É paragem
não a estação

Penso que pertenço ao silêncio
mesmo havendo em mim
todo o barulho

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Vida, Longa Vida

É assim que eu conduzo a vida.
São essas as curvas da esquina
O vento que toca o destino
sem entrada, e sem saída

Há precipícios, de início
Pula-se um passo, e o pessimismo
estende pontes com corda.
Me amarra e enamora

Todo atalho tomado é perdido,
um caminho sem sentido,
um rumo sem destino. E
no desmantelo, eu me materializo.

O perdimento dos meus sentidos
desenganados e desmentidos
enviesaram o quê sou constituído

No debate, há algum movimento
ocorre mudança e o tormento
faz jus ao que Vi, Vivi; e investigo!

sábado, 18 de novembro de 2017

Ataca e Ama

- Eu mudaria toda minha vida
pra ficar com ela.
- É serio, eu faria isso!
- Eu falando isso..
logo eu, falando isso!
- Você esperava isso?
- Que eu falasse isso?
(Quisesse compromisso,
sem o sumiço
que tem inventado
por qualquer caso.)
- Eu mudaria tudo por ela,
pulava da janela,
me trancaria atrás da porta.
- Não me importa,
tudo que for aorta:
sangre!
(Um tempo a mais
no sangue.)
- Eu viraria do avesso,
rezava ao contrário,
dobrava meu terço!
(Faz tudo pelo proveito,
que tem no peito.)
- Eu faço o que lhe for bom!
(sobe um tom)
(e se entorta...)
- Meu corpo, "compatriota",
comporta
a lama toda do mangue
e o enxame de outrora
assenhora
os temores da prece.
- Vem, regressa pra mim!
("O futuro não tem fim,
nem você sem mim".)

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Dragonfly Eye-Brown

Quando eu mudei de país
larguei tudo para trás
foi só pra te ter
pra perpetuar
Eu me casei
me reproduzi
Tive uma filha
que se casou
e te apresentou ao mundo
e seu esposo,
nunca teu pai,
foi imundo
Te apagou a alegria,
te escureceu os dias
Não havia amanhecer em seus dias
"In the mornings, was no mornings"
Não havia lua à noite
Mas a sua força,
o nosso laço
te faz crescer,
resistir
e alcançar
Seja eu e você,
siga nosso passo
e vamos
pertencer
ao Espaço!

terça-feira, 11 de julho de 2017

otró¶ico

Vou prum outro prédio,
pro sítio ao lado,
onde me encaixe.
Vem, vambora
tenho a minha história
- Dou Tora, Dotôra
Me ensina a aprender,
professora.
Leia meus poemas,
sente o sintoma,
convalesça
Onde estou agora?
Piso em que grama?
Quanto vale a grana?
O que lhe faz viver?
Já tem um tempo,
umas horas,
que não sinto por dentro
uma esmola
do que houve aqui
E, agora,
já não há mais glória,
razão pra existir
Vem, vambora
Tá frio lá fora
Vou te agasalhar
Me dá a mão,
dois beijos na face
um puxão de orelha
e uma foice
Foi-se o tempo
em que me deixava levar
Por ser leve
Sou mesmo levado
Eu tenho fogo no rabo,
não é mero detalhe
é um agrado,
o tempero do prato
Vamos almoçar?