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INQUIETO

"Falo o que sinto e sinto muito o que falo - pois morro sempre que calo." (Affonso Romano de Sant'Anna_Que País é Este?)

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

BRAVO

Desce a água de um Rio fugidio
de encontro ao Mar
Cantam Aves seus piares e arrepio
sem saber cantar
Correm, entre as Folhas, Alevinos
Pairam Pedras sobre o leito
Troncos finos às espreitar
Carangueijos nutrem a terra pequeninos
sob a sombra da folhagem seca
Tecem teias, as Aranhas, por famintas
e os Insetos têm de escapar
Entre as ondas, surfam Peixes graudinhos
sem prancha para os levar
As Gaivotas sobrevoam um Cardume
vez em quando furam o Mar
O Pato d'água nada e afunda
para alimentar
Observam, os Urubus, em alto vôo
ventam-se atoa
Lá ao fundo, há um burburinho
que se move na harmonia de Golfinho
Atrás das Sardinhas
tantas são, tadinhas
Lá na Ilha, outra vida nos espera
mas a Selva assevera:
Deixe o Homem pra lá!

Refúgio


Fujo da opressão, dos prédios, por sacrilégio, das ruas cheias, das pessoas rasas.

Fujo de mim mesmo, do que fui, do que pretendia ser. Das obrigações mundanas, do tédio. Do aluguel do corpo, das contas a prestar.

Fujo das remessas rotineiras de afeto sem traquejo, sem beijo.

Fujo do passado, malogrado. Das histórias infindadas, dos abraços sem pegada.

Fujo das conversas com caminho traçado, com resultado.

Fujo de filosofias saturadas, de cartas marcadas, onde não se pode inovar.

Fujo de um mundo sem pecado, desvairado, onde só se pode acertar. Dos comportamentos marcados, ritmados, rotulados pra pagar.

Fujo de um povo apavorado, que tem tudo, mas insiste em negar.

Fujo para a praia do rescaldo, do meu lado, onde Ser é estar.

sexta-feira, 25 de julho de 2014

por si só


Como não amasse,
além de mim.
Vivesse um ser
afim de si,
só de si.

Como se trancasse,
comezinho,
ciente de seu ser,
sem conviver
viver.

Como se acomodasse,
sem coexistir,
lhe faz persistir,
em ser alheio,
ao meio.

Esquece se o permitir
seu ser só
por se seduzir,
outrossim,
só sim.

Sem se socializar,
faz passar
o espaço.
Não resta um rastro,

por fim.

terça-feira, 8 de julho de 2014

respiro


Qualquer esperança pra quem não tenha fé,
pra quem coloca o coração no pé.
Qualquer chute desferido pela defesa,
um ato de terror, cometido sem gentileza.

Qualquer sopro, se alguém tiver pulmão,
um respiro na clausura em que vive então.
Qualquer luz vence essa escuridão,
talvez se veja, caso haja, algo de bom.

Qualquer jeito a se dar na desilusão,
qualquer riso entoado ante a multidão
e uma centelha nos faz reviver.

Qualquer vitória sob violação,
qualquer grito árido para a geração
de um novo ritmo para sobreviver.

sábado, 7 de junho de 2014

frente ao fim



foi posto em cimento,
no cal do lamento.
e, assim, nesse posto,
tem-se por suposto.

mas move-se e movimenta
por seu planeta-placenta.
desponta em seu brilho,
provoca temor e arrepio.

pensa se pode ser livre
da condição em que vive,
em um novo ambiente.

só que prende-se ao chão,
pois, os pés o trapacearão
e tudo tornará repente.

sexta-feira, 23 de maio de 2014

És Tudo


Tem mais cuidado consigo
por apostar no destino,
pois sobrevive ao perigo
tão grande, por ser pequenino.

Controla o passo e o caminho, 
contorna o andor e, cedinho,
levanta o ânimo e seu tino
alarga o que, ainda, for fino.

Não rói mais sua unha,
convence a pedra a virar pluma.
Denomina o seu dono!

Corre por seu propósito
e por estar tão disposto
faz na vida o que faz no sono.

domingo, 11 de maio de 2014

As Mães Nunca São Sinceras


Sem pesar defeitos,
todos eles,
acima disso,
o Amor
por Você.

Belo ou feio,
será Belo,
um ser supremo,
já que feito
pra Vencer.

Ouvido atento
para não dizer
o que, no momento,
possa parecer
tormento.

Um jeito simples
tenta pôr no eixo
o que nem um beijo
conseguiu
fazer.

As suas mentiras
são por ter
na mira
alguém pra
proteger.

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Testigo


Juro dizer
nada mais que a verdade
a que sempre me rege,
somente a verdade,
amem!

Prometo, por honra,
ser feita a nossa vontade
nas funções a mim confiadas
na terra ou no céu
também!

Garanto agora
e na hora de nossa morte
agir com probidade,
assim, entre as mulheres,
mamem!

Comprometo-me a perdoar
a quem tenha ofendido,
para a convivência humana,
buscando a paz,
além!

Prometo, por fim,
defender a Liberdade.
Eia, pois, advogada nossa,
já que a ti me confio,
amém!

segunda-feira, 10 de março de 2014

torna-te


Os acontecimentos têm-se
ante à toda relutância
em dar contradição
à essência.

Um ato é tomado
em tortas circunstâncias,
que te dão direção,
transformam-te em ti.

Ao tom da entonação,
no tempo em que te parte,
tens arte, que te faz existir.

Com o acaso à tona,
te torna,
sem termos como resistir.

domingo, 16 de fevereiro de 2014

consTiTua


me entrosei na panamericana,
após atravessad'os oceanos.
Em ritmo ordenado pela gana,
transitei em torno aos seus enganos.

Ao lhe trilhar em todos os sentidos
fui transformado em parte, aos prantos.
E, caso impeça tal canibalismo,
já vai estar exposta aos danos.

Qual seja o ideário adotado:
fuja ou fique em suporte,
vai ser um código encadeado.

Nos dígitos que nos dão direção,
sou linha avessa à razão
escrita sem ter resultado.

sábado, 21 de dezembro de 2013

emTeuTino


teu tato te tatua
no tempo em que estás, então
do todo, o que compactuas
ata teu tom à intenção.

ante tamanha atitude,
trates de teres virtude:
transe tudo que te dão.

na mente, a intuição
tem que tua atenção
toma o destino em suporte.

se não te aguentam, suturas,
o vento em que te aventuras
tem que tecer tua sorte.


quarta-feira, 16 de outubro de 2013

não ao não


Nenhuma norma anula a Natureza,
enervada em nômades humanos.
O nato entona em defesa
os nomes destinados dos seus manos.

Anunciad'o ânimo e nobreza,
nutre-se o ensino dos enganos,
nega-se o alcance da certeza,
arruinando o plano dos decanos.

A uma única tônica os condena.
Destina o seu sangue à gangrena.
Emana as notas do final.

Reclama os danos d'uma pena
e trama pra tornar eterna
a sua sina em ser vegetal.



quarta-feira, 7 de agosto de 2013

além

a semente vinga,
devora-se.
Desenvolve
o caule.

Desentranha-se
e envolve-se
na terra.
Desponta.

Soma-se
à conta.
Assombra.

Enfim, emana
antimalthusiana
seu sémen, além.

quarta-feira, 31 de julho de 2013

entreMentes



Se observar a vida de chofre,
mesmo sob o manto da saúde,
verá, a todo canto, amiúde
a ruína por que, tolo, sofre.

O torpor, há tempos,  lhe aturde
sequioso pela terra do enxofre.
Faz-lhe suplicar por ter um cofre
que tranque o ardor da juventude.

Do nascimento à morte, insidiosa,
há mais de mil versões da glosa
para dar fins ao retrocesso.

A vida é mortificação fantasiosa.
Se não tirar tento desta prosa,
devolva, no guichê, o seu ingresso.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

vivus voco

Sem razão para crer
nas invenções por aí,
sem sermão sequer
posta-se para iludir.

Comporta-se para conter
preceitos ao incutir
o que julga seu ser
lançar-se como elixir.

Mas, sem solução, se ferra
crente como seus pares.
Perde o duelo e a guerra
lhe faz atrasar hectares.

A razão finca raízes na terra,
a crença joga suas folhas nos ares.
Quando seu vôo se encerra,
deitam no solo os azares.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

iaí

que tal
teu tempo
que tanto
tento
atravessar?
um tormento,
um tonto
intento
em te
trancar.

teus traços
traçam
instintos
e tragam
o éter
dos trópicos
em que teu
destino
entontecido
tenta me
atar.

terça-feira, 2 de julho de 2013

Fremem

A palavra surge
sem causar espanto,
mas a frase inteira
traz estranhamento.

Outro trecho dito
traz um disparate
e os ouvidos mudos
calam-te.

O discurso segue
e os olhares tortos
tornam rubra a face.

Pelo fim dos versos,
num só solilóquio,
violentam-se.


domingo, 23 de junho de 2013

...

míseros avaros,
ora
inteiros,
metem-se nos vários
arrasos,
entram no terreiro
em transe,
bóiam
no banzeiro
e partem-
me ao meio
termo.

terça-feira, 7 de maio de 2013

inoPinado

Seus traços finos
me travam os pinos,
me fazem pirar.

Por seu encanto,
eu tento tanto
me destravar.

Mas os seus traços
traz`embaraços
ao bem estar.

E me contento
com meu intento
em ser seu par.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

quinta-feira, 4 de abril de 2013

O PLANO

                Eu tenho
                              um plano:

                              morro.
                          o
                subir


                ou
                       plano...

                       morro!
                ou

quarta-feira, 13 de março de 2013

aMuse-se

Navegue seu apreço em cada letra
e, a cada lance do acaso, me prometa
escorrer, nas lágrimas, o meu sangue
para dar, ao mar, um mangue.

Conserve os fracos galhos na salmoura
para se tornar a mulher que fora
a musa destes versos transviados
que pintam a pele em tons amargos.

Se se soltar do que lhe faz presa,
lhe acolherei com gentileza
para devorar sua perspicácia.

Não posso mais deixar acesa
à vossa ordem vaga, Altesa,
a longa ânsia pela sua audácia.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

aPáLavra

a palavra
repetida
muitas vezes
tem o seu
sentido
suprimido
suprimi
supre

a palavra
tem no seu
sentido
algo
por ter sido
repetiDA
repetIDA
repeTIDA

a palavra
sem ser
dita
teme ter
a sua letra
esquecida
e qu  ci  a
   q    c   a

rePETida
a palavra
su.........
a palavra

a pa lavra
a pa la vra
a p a l a v r a

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

biSonho

um homem metido às soluções
há de enrolar-se em seduções
sensíveis ao seu nutrido sonho.

sua ilusão torna-se confusa
ao ver-se dentro de sua blusa
tão só mais um ser bisonho.

assim, a dor o assola, lancinante,
pois, passa a ignorar, doravante,
o que tornara esse mundo enfadonho.

domingo, 9 de dezembro de 2012

Tais e Quais

Os PAIS
portam-se
tais e quais
os seus ANCESTRAIS
noutro lugar.

E MAIS,
tanto faz
se após ou atrás,
só endossam
os dEMAIS.

Bem perto
do CAIS,
seguram,
em PAZ,
sua prole.

Só seguem
RAIZ
rumo ao rito
onde quis
um FIM.

Os FILHOS
falham na diretriz
de entortarem
as TRAMAS
traçadas.

Postam-se
filhos e pais
como seus ancestrais
noutro TEMPO
e LUGAR.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

aSósCiados

Sim, sou seu
assunto
assumido
e sinto-me
sumido
de mim.

Assim, sento-me
no sotão
do sentido
tecido
em seu
cetim.

Eu sinto
ser tão...
só,
sucinto,
sem lhe
sitiar.

Mas antes
de seguir,
aceite
essa receita:
solte-se
e sinta-me.

E o sonho
sai em seu
sorriso
num só
serviço
a nos saciar.

sábado, 1 de dezembro de 2012

+QimperFeito

Sem coragem de dizer,
de assumir vontades,
as mais íntimas
guardadas no seio,
com medo e vergonha.

Por ser tão duro dar,
a quem mais quis,
o que menos queria,
ter de deixar
silentes os gritos.

Oa abraços não dados,
os beijos suprimidos,
os suspiros,
agora, resquícios
do que não fomos.

Após nos reinventar,
tirar-nos defeitos
e nos preparar,
esquecer-nos
sem leito.

perdiDAMEnte enDiaBrado


Dentro de mim, o magma que aguarda
muda, constante, as chamas desta farda.
Nos olhos, mostra-se o lume esperado
e o som retumba os ares do meu brado.

O sangue ferve diante do fulgor da lava
e me derrete a paciência que pairava
para a corrente incontinente do torpor
a despejar, em fogo afora, o interior.

Capaz de reformar as redondezas
e apagar para criar novas belezas,
devasta as velhas vias do passado.

Cinzas anunciam em sutilezas,
cingidas pelas muitas miudezas,
 um SER refeito por realizado.

domingo, 11 de novembro de 2012

inTeNTona


Atine-se à tônica da jornada,
que a cada tentativa intentada
acrescem impostura na labuta
pra lhe fazer continuar na escuta.

Mas lute contra a luta imposta
que se fizer da outra forma oposta
será contrário ao que, de fato, quer,
indisposto pra peitar o que vier.

Só pode ter, pra si, a vida,
ao viver em constante despedida
da obrigação de estar integrado.

Cada batalha falha, dissuadida,
será a rebeldia, assim, percebida
por tornar o imposto estatelado.


Justa Causa

Atrasados, seus olhares perdidos,
desencontrados,
não buscam a mesma linha.

Aos trancos, seus traquejos
desajustados,
estremecem ao se esforçarem.

Seus impassíveis pulsos,
desempregados,
se distanciam em silêncio.

E seus calados sentimentos
remanescentes
não bastam a lhes justificarem.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

susPiro

Faz-me brotar,
abrupto,
em solo fértil.

Faça-me viver
de novo e
lhe louvo.

Guie-me por
seu corpo
sem rumo.

Instrua-me
entre seus
sentidos.

Assunte-me
seu sumo
e eu piro.

Faça-me
ser seu
suspiro.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

passarinho

"Sem saber,
ao não querer
me ver,
você
me fez
CHORAR

ainda guardava
AMOR
pelo amigo
em DOR
que eu fiz
PASSAR"

Leseira sua
não é.
minha atitude
é ralé,
um tanto rude
e chulé.

mudo
ao seu suporte,
pront'a um
convescote,
nem me
prontifiquei.

sinto tardia
carga
d'uma vida
passada
a me por
após.

peço a você
(caso possa
agora,
meio à mora,
cortar
caminho...)

se posso ser
sozinho,
sem seu
solzinho,
por eu ser
PASSARINHO.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

direitinho


Por viver'em Singular Sociedade,
os homem'se debat'em vaidade
para saciarem seus sentidos,
darem azo aos anseios suprimidos.

Contudo, TUDO é D.A.Do. à finitude
mesmo os seres cheios de saúde.
Ao notarem, em atraso, que tolhidos,
travam guerra e todos são vencidos.

Percebendo os mesmos erros amiúde,
põ'em paz sua profana latitude
e enlatam regr'aos outros, oprimidos:

"Se cumprires direitinho, não sendo rude,
será concedida, a ti, a (vã) virtude
de esvaeceres, tu, os teus sentidos."

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

bizARria


Acompanhou Cabral em ato oficial,
fez o lobby indigenista.
Miscigenou.

Após o Apostolado,
de ter Jesus ao lado,
apôs-se a cada posse.

Nas praças
e palcos de teatros
atou triunviratos.

Atuou Contra e a Favor,
sem, nunca, se indispor.
Apaziguou.

Liderou massas cinéticas,
sem, nunca, desviá-las .
Deslanchou.

Rebelde em curto prazo,
na França, "por um acaso", 
adoeceu.

Agora, sem desculpa,
se esquece a Lupa,
o Pau Comeu!

terça-feira, 4 de setembro de 2012

sentIDOS e ConSIderaDOS


Sentidos e considerados,
sintonizados
em frequencia nenhuma.

Ligados aos pedaços,
apressam o passo,
APRUMAM!

O tom que entoam
arremete à Comuna,
acumulada, atada à Coluna.

Mas quem diria?
A diferença os UNE!
Transforma-los iguais!

Em sincronia,
desorientam,
o tino dos demais.

O que ressoa
e os persuade
é o senso a se assumir.

Só se arrazoa
sobre rasuras
amealhadas cada vez mais.

Mas a maçada os arrefece,
faz a crise causar
caracóis em seu seio.

Conto-lhe m'a versão:
foi que indiquei o dedo
n'afronta ao arremedo
e à próxima direção.

Só que acataram
ao medo,
uns, só por meu gosto
azedo.

Mas nossa IRA,
insta ingerida
não nos dá saída,
faz da dor RAZÃO.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Ilusões Artificiosas


O céu não muda, como os fatos,
são as nuvens que lhe cegam,
elas se movem como os astros,
o céu é, diversamente, o mesmo.

Pela chuva, anseia o seu olfato,
mas as nuvens ali foram postas
para dissimularem um dilúvio
e lhe enviarem os ares da demora.

Fantasias desfalecem suas folhas
não há flores, ramos, não há frutos.
Só há a antiga amiga espera...
em seus soltos olhos, anuviada.

Se há desrespeito em minha fala
ofende-nos mais é quem se cala.
Ante a cada doce que se consome,
amarga-se, um tanto mais, a fome.

A vida é curta.
A morte é certa.
Pois seja em luta
franca e aberta.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

ARU barÉ


arraste em seus raivosos rios
os desarranjos dos meus desafios
e o rumo que tomar seu ramo
carregará o cancro do meu crânio.

areje os rastros do que irradio.
rarefaça a força do meu frio.
extraia os traços tortos do engano
em extrato torpe atado por tirano.

odorize as dores e os delírios
não darão direito aos desavisos
destinados a torcerem o trato.

atine-me para que os meus brios
trajem-se de seu aroma e guie-los
a sorverem o seu cenário, estupefato.

*foto de Artur Cesar

sábado, 4 de agosto de 2012

rebelde nATO


Minha rebeldia incorrigível
não se põe à mesa, por breaco.
Me faz enlutado como um vil
alarmista, por saber meu fraco.

O argumento de que a vida 
vale a pena só pela corrida, 
nada plena, tece enrascadas
nos buracos. Adotadas as toadas,

 sua lida, derivada de invento,
torna as circunstâncias em tormento
e lhe amarga nas lamúrias do fracasso.

Por operetas pátrias em que me susTento,
nas sílabas que sibilo, o meu intento 
é ATEAR as minhas chamas no Espaço.

*foto de Beto Strumpf

sexta-feira, 20 de julho de 2012

VAMODÁUMAFORCINHA


seTÁPArado, vaMODÁumaForcinha
noMoVImentoinVerteBRADOdaEspinha,
QcadaSucessivAUTOridade
AcresCEMuitosANOSàIdade.

NoSOSneurônioSeEsquecem
eOsOQuêsQosInteressem
imPedemOsLampejosDOAcaso,
tãoCertoOseuSOL-D.A.Do.raso

sePodeSERTÃOmelhor
QosPaposSabIDOSdeCor,
DisPonhaDetEUSpuDores!

AfrouxaOsFreiosdaFronte
ParaQoTeuHorizonte
possaSERoQFores!



terça-feira, 17 de julho de 2012

ALeTERa

a lETra ALTERa
a TERra
que se tem
na RÉta

o tERMO
enTuMece o
ATORmento

tORNAM
o tATO um
tanto tORTO

com SENtidos
tolOS nOS
tEUS
PENSAmentos

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Maria Lauda,



se lhe interessarem as minhas letras,
as minhas letras de câmbio,
lhe recomendo dispor
de seus serviços
e me saciar.

Se lhe interessarem os meus termos,
os meus termos contratuais,
sugiro ceder
seus artigos
íntimos.

Se lhe interessarem os meus valores,
os meus valores bancários,
tem de me verter,
de vazio,
em vergalho!

Mas se lhe interessa o que penso,
eu não lhe dispenso
e lhe peço,
aí sim,
mais um passo.

domingo, 17 de junho de 2012

florista do abSURDO



Em uma moto, carente de cuiD.A.Do.s,
esfolam calos, por anos, propagados.
Esgueira o corpo em um rude corredor
e'squece o'fício em fúria e dor.

Se para, se prepara, já que os fardos
transtornam os temor' estricnados.
Sujo sangue sug'a sina do calor,
assim, ass'o senso do seu dissabor.

Mal sab'os sonho' a si assenhorados
em sua sanh' assídua nos pecados.
Agora, eis que, só uma solitária FLOR

cabe à si dar os fins fantasiados.
Foi o seu amor, afim de seus agrados,
quem fez esmaecer os tons de toda DOR.

domingo, 3 de junho de 2012

reDoBrado malungo


Voltaram à sincronia, os meus impulsos,
por tempos, afogados em soluços.
E, agora, um corpo cheio de vigor
desponta a reDobrar o que repor.

O passo apressado me expressa,
pronto a apresentar-me à Peça
para ATEAr chamas no unânime
consenso aceito só por pusilânime.

InTento enTornar tumulto em caos,
ir da platéia ao Pal`com paus
armado com medonhos motes.

Toda a ira, em mim, verte-se aos
Pares que BEM saBEM os maus
preceitos imputados com chicotes.

terça-feira, 22 de maio de 2012

CONTRA tudo e todos



diAnte à soLapada e suCUmbida SOciedade
SÓ rESTA o POsto inglóRIO, a inSANIDADE,
pra comBater, nos atos, o HÁbito TIRAno
vincuLado, em pleno erro, ao SER huMano.

HUMANO é SER você em conJUNTO
e não, SOmente, abSORVER o ASSunto
DITAdo, repetidas vezes, no ouvido.
de um ser, de SI, há TEMpos, tolhido.

Por isSo, só lutar é ViVer!
Por isSo, só estar é morrer!
E tudo mais são enGODos.

RESta enLutar-Se e atreVer.
Lhe rESta o chOro ou VOLver
a si CONTRA tudo e todos.

sábado, 5 de maio de 2012

bEla iNOmiNADA

Um só olhar teu me fez cair
em precipitação para o devir
de acolher-te, forte, aos braços meus
para tornar-me eterno semideus.

Num corredor opaco por impuro,
 o teu leve caminhar apuro
a por meu senso estremecido
e a mim, inteiro, embevecido.

Mesmo sem nome ou palavra,
afirmo formar farta lavra
dos mais belos fatos, juntos.

Tua explosiva fronte me enfarta
a ponto de te suplicar, em ata,
que o teu olhar permita os meus assuntos.



quarta-feira, 25 de abril de 2012

Forjado na Bigorna


Põe teus pistões pra bater!
Põe teu metal pra suar!
Põe teus pneus pra correr,
meu coração pra pulsar.

O sangue em teu tanque treme
sob o olhar a te admirar
e, ao teu ranger, teme
o estrondo entoado no ar.

Com ímpeto, forje o vigor
em forte ferro e calor
e nada me faz desmontar.

Se a fêmea fora feita de lata,
seu batucar em aço arrebata
meu peito pronto a'prontar.

segunda-feira, 19 de março de 2012

no cAsco do aCaso


Caso faça prece para o acaso,
quiçá, possa, em pronto prazo,
praticar os ofícios do pecado
e tornar-se, ternamente, abençoado.

Ainda que temido pelo atraso,
o seu porvir pede o arraso
a desbravar um sítio e, arroteado,
clarear caminho ignorado.

Deixe-se levar para dar azo
aos ventos violentos do descaso
e flutue em rumo enviesado.

Mergulhe fundo neste solo raso
para plantar sua semente em vaso
e florescer os frutos do passado.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

leave-A to LIVE



Eu quero vê-la e vivê-la intensa,
quero viver onde mora e pensa.
Estar na seda dos seus brios
e afogar-me em seus raivosos rios.

Os seus olhares partem-me ao meio,
fazem das pedras no caminho, veraneio.
A bruma, tão tranquila, a rodeia
e torna inteira a alma tida como meia.

Um beijo nos derrete ao merecer
a sua boca unida ao entardecer
e ao céu satisfeito, por sereno.

Pretendo abandonar-me por você
e dissolver-me sobre o anoitecer
para fazer, de mim, o seu terreno.

enViVecer


Desiludido por satisfeito
penso não ser sujeito
ao trânsito trivial da vida,
a esperar os passos pra saída.

O tempo espera-nos no leito
para tomarmos proveito
e libertar-nos da enraivecida
ocasião a borrifar-nos pesticida.

EntreLaçamo-nos à comprometida
privacidade, já persuadida
por sermos sós, em conjunto.

Mas se provarmos alternativa
nossa carcaça, por estar viva,
fará, do tempo, o defunto.