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INQUIETO

"Mas sigo o meu trilho. Falo o que sinto e sinto muito o que falo - pois morro sempre que calo." (Affonso Romano de Sant'Anna_Que País é Este?)

terça-feira, 12 de dezembro de 2006

PARA PEDRO_DanielFleming

Por onde andará DanielFleming?
Ele sumiu sem virar o leme,
mas ele estará
sempre com você

Sempre que quiser o reencontrar,
é só começar a imaginar,
ele o encontrará nos seus
pensamentos
Sonhos
e lamentos

Juro,
adorei te conhecer,
mas os rumos do que veio
a acontecer
impediram nossa afinidade
Te conheci,
um pouco afinal
Você é um cara legal!

um abraço,

DanielFleming.


segunda-feira, 11 de dezembro de 2006

Vila Violada

Era uma vila muito engraçada,
não tinha esgoto, não tinha água
Ninguém podia se comunicar,
Porque internet não tinha lá.

Todos ardiam em suas contas,
mas não teriam ao final das pontas
infra-estrutura pra sobreviver
nem um livro massa pra poder ler

As suas calçadas, esburacadas
não os deixavam parar na estrada
Se poluiram com um palavrão
e enterraram a interação

E essa Vila não tem cultura,
identidade em suas ranhuras.
Mas quem visita quer entender
como é que pode permanecer.

terça-feira, 5 de dezembro de 2006

Reluzia (O Sombrio e o Brilho do SOL)



Só eram sombras quando surgia
Sorvia os feixes da serventia
Se não houvesse, se dava o eclipse
Sua ausência soava a apocalipse

Só eram sombras quando surgia
Vinha a Lúcia e a luz vinha
Ia a Lúcia e a luz ia

Assim que incidia sua postura
De satélite atônito em sua tontura
Refletia um flerte que flutua
E a sombra inerte tornava-se tua

Só eram sombras sem energia
E de importância as preenchia
Ao despontar sua sinergia
E colidir com o meio-dia

Só eram sombras e surgia
Vinha a Lúcia e a luz vinha
Ia a Lúcia
E não mais reluzia

quarta-feira, 29 de novembro de 2006

Quebra-Concerto_Daniel Fleming

O questionário constante
De seguir para o lado certo
O errado delirante
Quando eu só queria ir reto.
Donde surgiu tal invenção
Que desvirtua a realidade
Efeitos da criação
Com os sintomas da dubialidade.
Como podem inventar o certo
E me obrigarem a prosseguir
Talvez nem chegue perto
Por não querer admitir
Com a questão em entreaberto
Qual seja o canto entoado
O errado eu não conserto
O certo já ta enterrado.

quarta-feira, 22 de novembro de 2006

Arsênico – grande palco

Moreno Bastos

[aurora sagaz]

{coro}E esse medo constante de ser
E essa guerra a®mada de ter
E essa sina cansada de ver
E esse espelho chamado poder
[morro]
{narrador}Ele não tem a resposta a saber
[porta]
{fulano} Ele é só um funcionário, um peão da armação.
Um artista barulhento embaralha a razão.
{beltrana} O faz de conta é lá fora; não esqueçam a piedade,
aqui dentro todos são, em princípio, unidade. Já no chão,
eu não sei não, vai no rastro da maldade, a utopia é logo ali,
chamam lá de liberdade.
[abismo]
{sicrana} Ascender o delirante, o desenredo da história.
Vejo no meu semelhante, o desapego pela glória.
O que importa é o fascinante, o destempero ruminante dos
distintos re(i)lutantes nos castelos da demora.
[pedras]
{coro} E esse ter constante de guerra
E esse ser a®mado de medo
E esse poder cansado de espelho
E esse ver chamado de sina
[reticências]

{legendas}
Não é o fim, nem é doutrina,
continua mais pra frente, já na próxima esquina...

terça-feira, 21 de novembro de 2006

Contrarrio_Daniel Fleming

Não acha estranho?

Estar sempre antenado

Sem saber o que ganho

Por repetir o passado

Como posso aglutinar

Idéia tão complicada

Sem sequer questionar

Com a visão limitada.

Por isso, contrario e rio

Quando não provam a favor.

Para as respostas que crio

A contraprova é o torpor.

Do atributo não fujo

O fardo de nascença

Ou viro um caramujo,

Ou mantenho a sobrevivência.

segunda-feira, 30 de outubro de 2006

Soneto a triste vida - Por Anderson Moço

*Poesia de Anderson Moço

Não é só sonho
Nem só realidade
Não é o amor que componho
Nem só desejo ou saudade

É ela, é ela
A vida triste e bela
A realidade diferente
A fome do medo da gente

Tristeza, sofrimento ou solidão
É só, triste e incomoda paixão
É o lírico com o olhar da razão

Saudade, medo e coragem
É fogo, sonho, é a maldade
É a vida que me invade

sexta-feira, 20 de outubro de 2006

O Teimoso e o Persistente

Era um dia tranqüilo,
Que tudo certo havia de dar,
Mas eis que surge um grilo
Que persiste em atrapalhar
O Persistente, com toda pompa e razão
Conta reticentemente,
Uma história de proporção
O Teimoso, sem acreditar
Mostra-se receoso,
E começa a indagar...
No percorrer da dissolução
Mais dúvidas são levantadas
Quem se perde é a razão
Quem se encontra é a confusão
Buscar a resolução,
Idéia do Persistente.
Teimoso aceita então
Com acordo pré-existente
O busílis é atingido
Quando estão a se complicar,
Com problema dissolvido
Terminam sem concordar.

quarta-feira, 11 de outubro de 2006

Tatuagem - Por Anderson Moço

*Poesia de Anderson Moço

Tatuo em meu corpo minhas verdades,
meu desejo antigo e minhas vontades
Como um livro escrevo
na pele branca a tinta preta


São elas que trazem minha coragem
para que possa seguir a viagem
desse amor banido
no meu corpo bandido


Em várias letras
com vários pontos
Em várias seitas
com vários santos
meu corpo lê a esperança do amanhã
em uma verdade minha,
com uma dor sangrenta
da cor das primeiras luzes da manhã

FórmulAção_Daniel Fleming

Conforme minha inconformação
não me conformo com a formalidade
não formo com a forma,
com a norma disforme
 
As formas firmes não firmarão
com as formas fortes não formarão
transformarão a forma uniforme
e ficará a fome de informação
 
Sem forma, me formo
sem molde, me moldo
a figura disforme da inconformação
 
fomento a reforma
e fujo da forma
informo conforme minha formação

sexta-feira, 6 de outubro de 2006

Descrito

Moreno Bastos

Escrevo para ti em forma de desejo
Pra ti, começo com beijo no umbigo
Estapeio-lhe com mãos em brasa
Me lambuzo em teu cheiro e rastejo

Fecho meus olhos escuros para te seguir
Esqueço de palavras, a música que sobrevoa
Envaideço com tua língua em meu ouvido
Unhas riscam as costas, lhe escuto exaurir


Roço sua face, te enlaço, te faço vicejar
Ao redor,
Tem o meu corpo para lhe acompanhar

Encaramos o céu de brilho asfixiante
Te envolvo.
E nos perdemos em um silêncio ressonante

quinta-feira, 28 de setembro de 2006

Para quem nunca viveu um grande amor - Por Anderson Moço

*Anderson Moço

Para quem nunca viveu um grande amor
É mais fácil transar a noite do que esperar pela manhã
É mais gostoso andar sozinho do que viver o amanhã
É rir baixinho na volta a cidade
É se esquecer do hoje para não sentir saudade

Conversa, de repente, entre ele e o mesmo

Ontem, queria escrever poesia para te dizer - Tudo que queria é te mostrar um dia, que disso tudo que eu tinha, perdi, esqueci e larguei por ai. Sofri de um jeito novo, perdido entre aquele povo, parado, sofrido, mascado, mas rindo, que quase que me comovo. Corri pra frente, arrastei os dentes, cortando rente – Que coisa é essa? Tu não se incomoda com a moda que roda feito corrente?- Silêncio, respondeu a mente – Com que autoridade tu invade, nesse alarde, sem pedir licença? De calça arriada, covarde, sussurrei, murmurei e só não me mijei pra não ficar na descrença. – Você só tem esse muro de despeito, na verdade é mais um desses moleques satisfeitos, cheios de trejeito e com palavreado rarefeito. Já me virei de lado, entendi o recado, puxei o cobertor abandonado, no meu pé, que já estava frio de tão gelado. Vai ver esse aviso veio de lá do cerebelo. - Não é conversa, é aconselho. Vê se raciocina! Não me venha com utopia de disciplina, aqui na sua caixa, que manda sou eu e não tem idéia que contamina

sexta-feira, 22 de setembro de 2006

Imprieefção

       Impsetiea minha mente
       Mainlpua meus pensamentos
       Peurrfa minha ideologia
       Esrteemce meus contentamentos
       Raetia minha disposição
       Faati minhas atitudes
       Etxerimna em meu coração
       Innstates de magnitude
  CaÇoa-me pelas costas
 Órfà de extrema importância,
      Ordena-me por vias tortas

terça-feira, 19 de setembro de 2006

Vida que me abate

*Poesia de Anderson Moço

Um dia acordei e tudo havia mudado
O que eram, deixaram de ser
Tudo estava estragado

Minha vida agora era sofrer
O homem já não mandava
A mulher já não sorria
O sonho não se realizava
A felicidade muito sofria

Quis gritar, correr, fugir
Quis achar o viver por vir
Mas era só sofrimento
O amor era vago de sentimento

A criança chorava o medo
O jovem matava o novo
O dia acabava cedo
As lágrimas cobriam o rosto

Tudo era pobre de emoção
O riso, o choro, a canção
O amor, a raiva, a resignação

O poeta lamentava a perda
O amante o seu coração
E a vida seguia em sua devastadora intenção

quarta-feira, 13 de setembro de 2006

Me prenda em sua liberdade


Você adora meus defeitos
e odeia minhas qualidades
rejeita-me se eu lhe aceito
me aconchega em suas grades
.......
Aprisione-me em sua liberdade
pois, suas asas são a minha cela.
Só sossego em sua saciedade.
Insatisfeita, me fecha a janela.
...........
Seus tornozelos tornam-se âncora,
as suas coxas, a minha fraqueza.
Os seus cheiros são minha cânfora.
........
Deixa-me pobre, a sua riqueza,
e a minha feiura lhe parece bela,
por ser feliz a minha tristeza!


Foto de plínio Ribeiro

terça-feira, 12 de setembro de 2006

Deveria esquecer

*Poesia de Anderson Moço

A cada dia trago em mim um arrependimento novo
Pelo que fiz ou deixei de fazer
Pelos olhos que viam o chão
quando deveriam olhar outras bocas
Meu arrependimento é maciço
Intenso como diamante
Constante como o tempo
Eterno como minha dor

Gostaria de serrar os olhos
Me esquecer quem fui
E nunca mais me lembrar quem sou

Meu arrependimento é como o fogo
Me destrói a alma
E me deixa vivo a me arrepender do próximo instante

Deveria amar mais
Ver flores que nascem para mim
Ver sonhos que se erguem como ondas
E se quebram na praia de minhas ilusões

Deveria esquecer
Só os que esquecem podem ser felizes

sexta-feira, 8 de setembro de 2006

Jornalirismo

Por favor, me digam onde é o buraco
Que eu pulo e acabo com isso, emplaco
Apuro esquema, qualquer problema ataco
Piso na lama de sapato branco, cato cavaco

Por favor, vou para a jaula dos leões, desatraco
Aguento tonelada, toco, chato e cheiro de sovaco
Ligo para Deus, Rá. Deixo recado até para rei polaco
Vou para a área, volto. Visado, me transformo em velhaco

Mas quando chega a hora do fechamento derradeiro
E vem o desespero, troco tudo, chamo o frei de cachaceiro
Idéias se escondem nas gavetas, inspiração cai do desfiladeiro

Preencho os espaços brancos entre mil cores de uma propaganda
E a notícia legendada fica ali, ao lado de um duplex com varanda
No bar em frente, xingo a verdade pra mostrar quem é que manda

quinta-feira, 7 de setembro de 2006

Bate e Pronto

*poesia de Moreno Bastos

Não me venha com frases de efeito
Para redondilhas já tenho o anti-corpo
Se preferir, me sirva um trago de sopro
Para te esquecer de pouco em pouco

Não me venha com seu olhar perfumado
Contra a paixão, comprei meu escudo
Se desejar, me esconda o conteúdo
Para não saber a droga com que me iludo

Aceite o prato de coisas gastas que lhe dei
Aquilo tudo imundo, mudo e fora da lei
Da sua boca manchada disso que não sei

Te quero além, mas sem sair de perto
Ouvindo o som de tua pele, desconcerto
No meio desse verso torto e entreaberto

quarta-feira, 6 de setembro de 2006

A partir de agora

Agora, vou viver a sua luta
serei, da sua guerra, o soldado.
Sou dado às coisas do cuidado
que se deve ter a uma fêmea astuta.
..........
Em todos os combates de trincheiras,
sob os ataques de uma frota aérea,
usarei a arma que for mais venérea
para te livrar de quaisquer rasteiras.
..........
Serei sua linha de frente,
franco atirador de peito aberto,
quando o bloqueio estiver rente.
........
Serei assim se estiver perto
e do jeito mais atraente,
te darei uns montes de afeto .

Senhor de si

*Poesia de Anderson Moço

Minha derradeira história
eu mesmo contoMinha derradeira memória
eu mesmo monto
Quanto sorri ou chorei
só eu lembro
Quanto amei ou deixei de amar
só eu que sinto a saudade
Se choro ou jogo fora
Se amo ou mando embora
Sou eu o senhor de minha história
Sou eu o senhor de minhas memórias

segunda-feira, 4 de setembro de 2006

Quase nada

*Poesia de Anderson Moço

Vivo em um mundo de mentiras descaradas
Onde poucos são reis
E todos são quase nadaVivo em um mundo de verdades mal-contadas
Onde quase tudo que há
É bobagem, é quase nadaVivo em um mundo de vontades escancaradas
Onde ter é quase ser
Onde viver é quase nadaVivo em um mundo de saudades encurraladas
Onde o tempo corre rápido
E a vida é quase nadaVivo em um mundo de paixões violentadas
Onde tudo é só maldade
Onde amar é quase nadaVivo em um mundo de vidas mal levadas
Onde viver é uma bobagem
Onde o eu é quase nada

Justa Jibóia

Se enrole em mim como uma jibóia
quebre meus ossos e minhas convicções
faça de mim a sua melhor bóia
e me derreta com suas fricções
.........
me traga os livros que te fazem rir
e não esqueça dos que fazem chorar
pois, serão eles o meu elixir
para entender que te faz pensar
..........
Me deixe, assim, preso a ti
me torne um cão sem poder latir
e os meus uivos há de escutar
..........
As minhas dores tornarão as tuas
e, em todas a pele que deixar nas ruas,
terá um pouco do meu doce amar.

quinta-feira, 31 de agosto de 2006

Sou todos nós

*Poesia de Anderson Moço


São tantos os rostos que me cercam
Mas o que me persegue é o meu
Vejo-me em cada sorriso
E caio junto a lágrima
Do sentimento forte de solidão
Perco-me nos abraços de despedidas
E danço junto aos sorrisos de paixão
Meu mundo sou eu e um pedaço de todos
Minhas verdades são meus olhos
Meus desejos são minhas paixões
Sozinho na bruta realidade
Me cortam os sonhos
E em mim brotam saudades

terça-feira, 22 de agosto de 2006

Espero o tempo acabado

Só espero que esse tempo passe
e enrugue toda a minha face
espero que os minutos se matem
e que os cucos infinitos cantem
..........
Espero que o tempo trace
os destroços por quê passe
sem deixar seu sêmem
sem chorar seu orar. Amém.
..........
Espero, que quando o tempo pare,
que tudo não seja pário
para o nada que sobrará
.........
espero que minha vida seja levada
e quando estiver acabada
se finde sem, não mais, parar.

domingo, 20 de agosto de 2006

Doce Uva

Quero me entreter em suas curvas.
Deixam minha mente em nuvens turvas
Fará minha solidão pobre viúva
E me recheará com doces uvas
...........
Faça do abandono, o passado.
E terei prazer de novo ao seu lado
Mesmo com as tolices do meu fado,
Estarei em teus seios mergulhado
............
Passe por minha casa após a chuva,
Coloque-me inteiro em sua luva
Só, assim, me tornarei impávido.
............
Aconchegue-me perto de sua vulva
Com minha face a derramar a lava,
Que irrompe do meu peito afogado.

sexta-feira, 18 de agosto de 2006

Bela é a Noite

*Poesia de Anderson Moço


Bela é a noite
Com seu cheiro de liberdade
e calma de namorados dormindo

Bela é a noite
Que tem a brisa que refresca
e a luz, um convite para amar

Bela é a noite
No caminhar faceiro da moça da esquina
No bocejo cumprido da volta pra casa

Bela é a noite
É a vontade de festa
E o sexo a chamar

Bela é a noite
Para a criança que dorme
Para o homem que não pára
Para a mulher que chora
Para o moço que canta
Para quem vive a vida afora
Poesia de Anderson Moço

quarta-feira, 16 de agosto de 2006

Antropofagia da democracia

Poesia de Anderson Moço, Daniel Fleming e Moreno Bastos

Ontem comi um anteprojeto de lei
Saboroso e indigesto como a democracia
Farei um lobby estomacal pela autarquia
Para limpar minha boca nas barbas do rei
...............
Aguardo, sorrateiro, o desjejum da burocracia
Para falar livremente com demagogia
Só me calo com o guardanapo executivo
E os processos lavatórios do legislativo
......
Uma máquina de lavar processos relativos
Limpa o fim de semana de recessos retroativos
Na Piscina, os trampolins de falcatruas eleitorais.
Esqueçam os dias de cão, só lembrem dos carnavais!
.........
Ao digerir informações sem freios
Perco o controle dos fins e dos meios
Em um penico de ética desigual
Defeco um projeto inconstitucional


segunda-feira, 14 de agosto de 2006

Algumas vezes

*poesia de Anderson Moço


Algumas vezes quero gritar socorro!
Alguém me ame, alguém me chame
Socorro pelo filho que não tive
Socorro pelo sonho que perdi
Socorro pelo tempo que vivi
Socorro pela letra que esqueci

Algumas vezes quero gritar acorde-me!
Alguém me sacuda, alguém me muda
Acorde-me do pesadelo em que me esmerei
Acorde-me do ódio em que amei
Acorde-me do sonho que te dei
Acorde-me da palavra em que fiquei

Algumas vezes quero gritar basta!
Alguém me tire daqui, alguém me mata
Basta o meu egocentrismo
Basta o meu cinismo
Basta meu lirismo
Basta

Algumas vezes o silêncio me basta

O poeta

*Poesia de Anderson Moço

Tudo se justifica porque eu sou poeta
Se falo baixo ou grito palavrão
Se danço tango ou requebro
Se sou magro ou como muito
Se sou preguiçoso ou tenho saúde de ferro
Se sou cantor ou desafinado
Se falo bonito ou me desespero

Tudo se justifica porque eu sou poeta
Se amo de noite e durmo de dia
Se vou pra longe ou volto pra casa
Se abraço um amigo ou leio um livro
Se sou socialista ou comunista

Tudo se justifica porque eu sou poeta
Meu jeito, minha falta de jeito
Meu sexo, minha falta de amor
Meu sonho, minha falta de respeito

Em mim não há pecados
Não há defeitos
Por que eu sou poeta


Poesia de Anderson Moço

EMpazINADO


As vias sanguíneas estão congestionadas,
há interrupções arteriais engorduradas.
Os ossos descalcificados não suportam
o peso estonteante que os entortam.


Os pés dessa cidade estão tortos
e os dedos das suas mãos, devotos
às suas preces vãs. Desesperados
pedem aos seus atores mais cuidados.


Há músculos lisos estirados,
que de esforçados se romperam.
As articulações dobram erradas,
tornam suas pernas esgarçadas.


Nas coxas, se suporta esse peso
de um tronco farto por obeso.
No centro cerebral estupefato,
rompem-se adutoras num infarto!

Meu tempo

Meu tempo é rápido como vento em polvorosa.
Mas, corre distante para que, assim, possa vê-lo lentamente passar.
Ele me sufoca e me apavora os olhos.
Faz de mim a morte, mas a sorte não me deixa levar.

Meu tempo é triste como homem só em noite de lua cheia
Mas faz de mim piada para me ver gargalhar.
Ele me machuca, destrói dentro de mim.
Faz de mim abismo, mas meus sonhos não me deixam acabar.

Meu tempo é castigo antigo como noite sem sonhar.
É lembrança tão presente nesta minha mente que tanto insiste lembrar.

Poesia de Anderson Moço