Mesmo em uma maca,
vou macaquear esse marasmo,
o arremedo mórbido de um orgasmo,
do morrer meticuloso das marcas.
................
No ranger estridente das facas,
à tecer nas letras os quiasmos
de viver condicionados como os asnos
e obedecer ao toque das matracas.
..................
As relações de nobres espasmos
da energia que se mostra fraca
não resta se desperdiçarmos.
................
Se passarmos em todas catracas
e nessa bossa não nos encontrarmos
não seremos seres, sacas?
Originalmente publicada em 28/08/2006
4 pitacos:
Não sei pq me lembrei de vc lendo essa poesia de Fernando Pessoa...
Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.
Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo : "Fui eu ?"
Deus sabe, porque o escreveu.
Penso que é o jeito de ser Daniel.
Adooooorei essa também!
Amo Muito!
Vc tem razão. O cólera está presente em cada linha e entrelinha do que fazes... Ótimo texto. Rimas fortes, marcantes. Diria até que incisivas... ABraços
Reli e já acho q pode virar música com crítica e ritmo fortes...algo como Rappa, ou um hip-hop bem politizado...
Muito prazer,poeta!!!
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