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INQUIETO
"Falo o que sinto e sinto muito o que falo - pois morro sempre que calo." (Affonso Romano de Sant'Anna_Que País é Este?)
sexta-feira, 29 de maio de 2026
quinta-feira, 28 de maio de 2026
enxurrada
em tanta secura
um pingo d'água
é lago
em tanto silêncio
um som
é agulha
fere como a chuva
toca seu solo
e penetra
de tão calado
por tanto tempo
arrebento
num escândalo
tudo samba
sem sola
as letras contidas
e tão comprimidas
explodem
num mesmo átimo
as frases soltam
seus saltos
e agora mais puras
expressões da fúria
lhe estouram
quarta-feira, 27 de maio de 2026
urgências
Hoje à noite vai chover
amanhã não
a tarde vai se dissolver
entre o seco e o molhado
Assim que acordar
tudo vai correr
vai lhe interromper
num só estampido
Ponha-se em pé
apronta suas coisas
pega as ferramentas
siga a lista de tarefas
e cai sobre o seu ser
toda a desavença
entre o que desejou
e os seus afazeres
De tanto sonhar
por ter tantos planos
ergueu um oceano
sobre sua planície
segura este tranco
que por querer tanto
acaba sendo escravo
dos seus pensamentos
quarta-feira, 6 de maio de 2026
Matéria Escura
tudo o que vemos
é ausência
uma trama em que
assentamos
o concreto
é ausência
uma trama em que
assentamos
o concreto
mais que o sólido
todo etéreo
se esvazia
e nos consolida
tudo o que tocamos
nos torna
tacanhos
sendo que o espaço
entre o que se toca
tece os sensos
o que pensamos
é processo
e nada o que está posto
tem passagem
desolados
tateamos o acaso
a procura de um piso
e pisamos
descalços
em falso
na cabeça
temos que o senso
e os sentidos
que os guiam
brotam flores
só que tortos
nossos guias
botam postes
e alegrias
desvirtuam
nossos portos
nossos portos
os mapas distorcidos
em sua fonte
guiam todo horizonte
e o rumo
tido como sorte
bota toda nossa vida
bota toda nossa vida
em morte
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026
O número é letra
Lhe dou uma luz
de ver todo o dia
o sol que lhe gira
e nos põe energia
de ver todo o dia
o sol que lhe gira
e nos põe energia
lhe digo em palavras
pois tenho nas contas
o nosso saldo
não tem resultado
Conte comigo
eu tenho palavra
se der seu abrigo
um verso lhe abraça
Se casa comigo
seu par é primo
pondo em seu dedo
um zero no enredo
E quase acertado
na soma zerada
a letra lhe altera
não tem resultado
Tá tudo acertado
não tem resultado
Um zero
é letra
terça-feira, 27 de janeiro de 2026
nem tão errado, nem tão real
um tolo, amado,
diz ser um deus
e, enganado,
nos dá adeus
diz ser um deus
e, enganado,
nos dá adeus
Por ter seus olhos
com tanto brio
vê num relapso
um outro rio
E deste lado
põe forte o nado
sem ver corrente
e se prende
Não sente errado
por ter deixado
de lado
o que fora nau
Sob seus cuidados
sob seu zelo
é sábio
e se faz real
sexta-feira, 7 de novembro de 2025
Paísão da porra!
Que País é este!
onde os abraços são ofertados a esmo
e estes abraços são fortes e demorados
em que a diferença no trato
é de um, dois ou três beijos na face
e não basta um aperto de mão
onde os abraços são ofertados a esmo
e estes abraços são fortes e demorados
em que a diferença no trato
é de um, dois ou três beijos na face
e não basta um aperto de mão
Que País é este!
em que recém encontrados
oferecem repouso e estadia
mesmo sem ter dito de fato
há profunda intenção no ofertado
e muito afeto a cada contato
Que País é este!
em que o clima não muda os sorrisos
em que a chuva não desfaz laços
nem o calor dá refresco à alegria
o vento semeia carinho
espalhado em todo o agito
Que País é este!
em que as línguas não criam barreiras
criam novas línguas e novos motes
tudo para dizer: Eu te amo!
para acalentar o cuidado
e apaziguar o ânimo
Que País é este!
em que as mazelas não superam virtudes
em que as tristezas é que interrompem a alegria
e nunca o contrário
em que viver é uma arte aprimorada
e o convívio é o estado da arte
Que País é este!
em que se esquece toda divergência
com um simples copo de cerveja
e, claro,
muitos mais abraços, afetos e cuidados
distribuídos aos montes, em todo espaço
Que País é este!
em que a pobreza nunca foi de espírito
e os recursos são amplos e infindáveis
e, destes recursos,
os mais belos são os humanos
que, por sua vez, são naturais
Que País é este!
em que os animais compõem as famílias
São legatários e herdeiros
dormem nas camas
e tem seus próprios banheiros
não são esquecidos ou atropelados
Que País é este!
em que se divide a comida
e supre a carestia no vôo
onde há oferta em castanhas
as mangas lhes caem nos cocos
e estes cocos dão bons papos e prosas
Isto não é um País (só)
é verdadeira Nação
de mães, pais, pets e irmãos
muito mais que um país
é um puta Paísão!
sábado, 1 de novembro de 2025
amar is over
De tanto pensar
E tanto pensei
Já quis e não mais
Um passo a querer
E tanto pensei
Já quis e não mais
Um passo a querer
Agora e por tudo
De toda maneira
Já tive um motivo
Nenhuma ladeira
Amar é uma luta
E tudo se busca
Armar-se no fim
É faca e caveira
Por tanto motivo
E sem ter razão
Peço em joelhos
Corte-me o não
Corte-me o não
sábado, 25 de outubro de 2025
ant-IA
O que produzo
Sob qual produto
Sabe lá seus rumos
As suas origens
Nem seu destino
Sob qual produto
Sabe lá seus rumos
As suas origens
Nem seu destino
Os seus ouvidos
E o que se escuta
Trava en permuta
os nossos pinos
Um peão à frente
Sem cavalo atrás
Pede à nossa dama
Que se movimente
Em diagonal
Já por desatento
Provo do irreal
Provo do irreal
Que me tem
concreto,
inserto
e desproporcional
inserto
e desproporcional
Ama a Chama
Se me ama
Se me quer cama
Não bote fogo
Não puxe a corda
Espere
Não me acorda
Se me quer cama
Não bote fogo
Não puxe a corda
Espere
Não me acorda
E se me chama
É que me ama
É que me ama
Vem, me pega
Que se me esfrega
Eu me repuxo
E lhe dou luxo
E lhe dou luxo
Deito ao lado
Contrário
Ao ódio
E, não,
Não me endireito
Não apaga
e me chama
Não me puxa
E não fujo
Terras Raras
A saudade é um ímã de neodímio
Atrai tudo, por quê me redimo
um pedaço qualquer do meu aço
Puxa toda a força e despedaço
Sim, sinto sua falta e falho
E nem lhe digo de verdade
Que nisso resiste a gravidade
Põe carta longe do baralho
Vale muito nos perder
ter distância e querer
Que a cada polegada
Soma, à força, a pegada
À distância, vejo os passos
E sigo o seu destino
Pois não lhe ter por perto
É só um torto desatino
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