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INQUIETO

"Mas sigo o meu trilho. Falo o que sinto e sinto muito o que falo - pois morro sempre que calo." (Affonso Romano de Sant'Anna_Que País é Este?)

quinta-feira, 31 de agosto de 2006

Sou todos nós

*Poesia de Anderson Moço


São tantos os rostos que me cercam
Mas o que me persegue é o meu
Vejo-me em cada sorriso
E caio junto a lágrima
Do sentimento forte de solidão
Perco-me nos abraços de despedidas
E danço junto aos sorrisos de paixão
Meu mundo sou eu e um pedaço de todos
Minhas verdades são meus olhos
Meus desejos são minhas paixões
Sozinho na bruta realidade
Me cortam os sonhos
E em mim brotam saudades

terça-feira, 22 de agosto de 2006

Espero o tempo acabado

Só espero que esse tempo passe
e enrugue toda a minha face
espero que os minutos se matem
e que os cucos infinitos cantem
..........
Espero que o tempo trace
os destroços por quê passe
sem deixar seu sêmem
sem chorar seu orar. Amém.
..........
Espero, que quando o tempo pare,
que tudo não seja pário
para o nada que sobrará
.........
espero que minha vida seja levada
e quando estiver acabada
se finde sem, não mais, parar.

domingo, 20 de agosto de 2006

Doce Uva

Quero me entreter em suas curvas.
Deixam minha mente em nuvens turvas
Fará minha solidão pobre viúva
E me recheará com doces uvas
...........
Faça do abandono, o passado.
E terei prazer de novo ao seu lado
Mesmo com as tolices do meu fado,
Estarei em teus seios mergulhado
............
Passe por minha casa após a chuva,
Coloque-me inteiro em sua luva
Só, assim, me tornarei impávido.
............
Aconchegue-me perto de sua vulva
Com minha face a derramar a lava,
Que irrompe do meu peito afogado.

sexta-feira, 18 de agosto de 2006

Bela é a Noite

*Poesia de Anderson Moço


Bela é a noite
Com seu cheiro de liberdade
e calma de namorados dormindo

Bela é a noite
Que tem a brisa que refresca
e a luz, um convite para amar

Bela é a noite
No caminhar faceiro da moça da esquina
No bocejo cumprido da volta pra casa

Bela é a noite
É a vontade de festa
E o sexo a chamar

Bela é a noite
Para a criança que dorme
Para o homem que não pára
Para a mulher que chora
Para o moço que canta
Para quem vive a vida afora
Poesia de Anderson Moço

quarta-feira, 16 de agosto de 2006

Antropofagia da democracia

Poesia de Anderson Moço, Daniel Fleming e Moreno Bastos

Ontem comi um anteprojeto de lei
Saboroso e indigesto como a democracia
Farei um lobby estomacal pela autarquia
Para limpar minha boca nas barbas do rei
...............
Aguardo, sorrateiro, o desjejum da burocracia
Para falar livremente com demagogia
Só me calo com o guardanapo executivo
E os processos lavatórios do legislativo
......
Uma máquina de lavar processos relativos
Limpa o fim de semana de recessos retroativos
Na Piscina, os trampolins de falcatruas eleitorais.
Esqueçam os dias de cão, só lembrem dos carnavais!
.........
Ao digerir informações sem freios
Perco o controle dos fins e dos meios
Em um penico de ética desigual
Defeco um projeto inconstitucional


segunda-feira, 14 de agosto de 2006

Algumas vezes

*poesia de Anderson Moço


Algumas vezes quero gritar socorro!
Alguém me ame, alguém me chame
Socorro pelo filho que não tive
Socorro pelo sonho que perdi
Socorro pelo tempo que vivi
Socorro pela letra que esqueci

Algumas vezes quero gritar acorde-me!
Alguém me sacuda, alguém me muda
Acorde-me do pesadelo em que me esmerei
Acorde-me do ódio em que amei
Acorde-me do sonho que te dei
Acorde-me da palavra em que fiquei

Algumas vezes quero gritar basta!
Alguém me tire daqui, alguém me mata
Basta o meu egocentrismo
Basta o meu cinismo
Basta meu lirismo
Basta

Algumas vezes o silêncio me basta

O poeta

*Poesia de Anderson Moço

Tudo se justifica porque eu sou poeta
Se falo baixo ou grito palavrão
Se danço tango ou requebro
Se sou magro ou como muito
Se sou preguiçoso ou tenho saúde de ferro
Se sou cantor ou desafinado
Se falo bonito ou me desespero

Tudo se justifica porque eu sou poeta
Se amo de noite e durmo de dia
Se vou pra longe ou volto pra casa
Se abraço um amigo ou leio um livro
Se sou socialista ou comunista

Tudo se justifica porque eu sou poeta
Meu jeito, minha falta de jeito
Meu sexo, minha falta de amor
Meu sonho, minha falta de respeito

Em mim não há pecados
Não há defeitos
Por que eu sou poeta


Poesia de Anderson Moço

EMpazINADO


As vias sanguíneas estão congestionadas,
há interrupções arteriais engorduradas.
Os ossos descalcificados não suportam
o peso estonteante que os entortam.


Os pés dessa cidade estão tortos
e os dedos das suas mãos, devotos
às suas preces vãs. Desesperados
pedem aos seus atores mais cuidados.


Há músculos lisos estirados,
que de esforçados se romperam.
As articulações dobram erradas,
tornam suas pernas esgarçadas.


Nas coxas, se suporta esse peso
de um tronco farto por obeso.
No centro cerebral estupefato,
rompem-se adutoras num infarto!

Meu tempo

Meu tempo é rápido como vento em polvorosa.
Mas, corre distante para que, assim, possa vê-lo lentamente passar.
Ele me sufoca e me apavora os olhos.
Faz de mim a morte, mas a sorte não me deixa levar.

Meu tempo é triste como homem só em noite de lua cheia
Mas faz de mim piada para me ver gargalhar.
Ele me machuca, destrói dentro de mim.
Faz de mim abismo, mas meus sonhos não me deixam acabar.

Meu tempo é castigo antigo como noite sem sonhar.
É lembrança tão presente nesta minha mente que tanto insiste lembrar.

Poesia de Anderson Moço