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INQUIETO

"Mas sigo o meu trilho. Falo o que sinto e sinto muito o que falo - pois morro sempre que calo." (Affonso Romano de Sant'Anna_Que País é Este?)

segunda-feira, 30 de outubro de 2006

Soneto a triste vida - Por Anderson Moço

*Poesia de Anderson Moço

Não é só sonho
Nem só realidade
Não é o amor que componho
Nem só desejo ou saudade

É ela, é ela
A vida triste e bela
A realidade diferente
A fome do medo da gente

Tristeza, sofrimento ou solidão
É só, triste e incomoda paixão
É o lírico com o olhar da razão

Saudade, medo e coragem
É fogo, sonho, é a maldade
É a vida que me invade

sexta-feira, 20 de outubro de 2006

O Teimoso e o Persistente

Era um dia tranqüilo,
Que tudo certo havia de dar,
Mas eis que surge um grilo
Que persiste em atrapalhar
O Persistente, com toda pompa e razão
Conta reticentemente,
Uma história de proporção
O Teimoso, sem acreditar
Mostra-se receoso,
E começa a indagar...
No percorrer da dissolução
Mais dúvidas são levantadas
Quem se perde é a razão
Quem se encontra é a confusão
Buscar a resolução,
Idéia do Persistente.
Teimoso aceita então
Com acordo pré-existente
O busílis é atingido
Quando estão a se complicar,
Com problema dissolvido
Terminam sem concordar.

quarta-feira, 11 de outubro de 2006

Tatuagem - Por Anderson Moço

*Poesia de Anderson Moço

Tatuo em meu corpo minhas verdades,
meu desejo antigo e minhas vontades
Como um livro escrevo
na pele branca a tinta preta


São elas que trazem minha coragem
para que possa seguir a viagem
desse amor banido
no meu corpo bandido


Em várias letras
com vários pontos
Em várias seitas
com vários santos
meu corpo lê a esperança do amanhã
em uma verdade minha,
com uma dor sangrenta
da cor das primeiras luzes da manhã

FórmulAção_Daniel Fleming

Conforme minha inconformação
não me conformo com a formalidade
não formo com a forma,
com a norma disforme
 
As formas firmes não firmarão
com as formas fortes não formarão
transformarão a forma uniforme
e ficará a fome de informação
 
Sem forma, me formo
sem molde, me moldo
a figura disforme da inconformação
 
fomento a reforma
e fujo da forma
informo conforme minha formação

sexta-feira, 6 de outubro de 2006

Descrito

Moreno Bastos

Escrevo para ti em forma de desejo
Pra ti, começo com beijo no umbigo
Estapeio-lhe com mãos em brasa
Me lambuzo em teu cheiro e rastejo

Fecho meus olhos escuros para te seguir
Esqueço de palavras, a música que sobrevoa
Envaideço com tua língua em meu ouvido
Unhas riscam as costas, lhe escuto exaurir


Roço sua face, te enlaço, te faço vicejar
Ao redor,
Tem o meu corpo para lhe acompanhar

Encaramos o céu de brilho asfixiante
Te envolvo.
E nos perdemos em um silêncio ressonante