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INQUIETO

"Mas sigo o meu trilho. Falo o que sinto e sinto muito o que falo - pois morro sempre que calo." (Affonso Romano de Sant'Anna_Que País é Este?)

sábado, 17 de outubro de 2020

Afogar-se sem medo

 [17/10 06:58]  Vamos tentar ser felizes enquanto estamos vivos

[17/10 06:58]  Porque a tristeza é uma garantia

[17/10 06:58]  E não vai mudar se não se fizer nada a todo momento

[17/10 06:58] Com as drogas que se puder pra alterar o ânimo

[17/10 06:59] Com o dinheiro que se puder colocar fogo para se alterar o ambiente

[17/10 07:00]  E o esquecimento do que uma mente já prejudicada possa se beneficiar

[17/10 07:01] Os rios continuarão passando contra se não se deixar levar

[17/10 07:01]  E ao navegar a favor

[17/10 07:01] Engrossa a correnteza

[17/10 07:02] Do que garante ao mundo

[17/10 07:02]  O permanente estado de tristeza

[17/10 07:02] E tensão contrária por alguma felicidade

 [07:05, 17/10/2020] Abrir uma cerveja no café

[07:05, 17/10/2020]  Acender um cigarro no fogão

[07:06, 17/10/2020]  E mergulhar em águas turbulentas

[07:06, 17/10/2020] Afogar-se

[07:27, 17/10/2020]  Pra vc digo

[07:28, 17/10/2020] Penso em estar presente

[07:28, 17/10/2020] Decidindo que o Rio Mondego precisa de mim

[07:28, 17/10/2020] E o Tejo pode me aguentar

sábado, 10 de outubro de 2020

Rabisco

 Não quero lápis,

nem borracha,

posto o que escrevo

tem tanto relevo

quanto o tempo.

Não apago meus erros

por serem lampejos

de novas constelações.

Há um outro Universo

a cada caminho tomado ao avesso

pelo tamanho do seu interesse

Por que às vezes,

quando não se quer nada,

é que se consegue algo!

sábado, 1 de fevereiro de 2020

AntiCoagulante


É no traquejo dos tempos corridos
onde perdemos sentido,
nas esquinas.
Em um lampejo, temos destino.
Como quem tapa ferida,
acende um cigarro,
para descansar o lume,
de forma ardente,
em pele árida.
Nesse pranto, quando se tem prazer
na dor,
passa obscuro, o profundo significado
das mazelas.
Nesse ponto, o ímpeto da vida
é só destruição.
É no calor dos quartos ressecados pelo outono
onde se escondem os mais apurados pensamentos,
onde não há divergência entre as vontades,
nem se pode encontrar esperança.
É no fulgor do desespero interiorano
onde encontramos resposta
para o quê não se tem pergunta.
Tudo se pode ter
quando nada se quer.
Tudo pode
o ser
que não lhe souber.