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INQUIETO

"Mas sigo o meu trilho. Falo o que sinto e sinto muito o que falo - pois morro sempre que calo." (Affonso Romano de Sant'Anna_Que País é Este?)

quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

O mundo subterrâneo dos siris

 


Passou aqui um ser assim

muito estranho de tão grande

Já se fora adiante


De chafuradado na areia, 

vou ver o que sucede

com olhos atônitos

observo, atento, os seus


Tenho olhos escuros

e viro a cabeça

cabelos!

Causo tumulto n'areia


Para lado ao buraco

preparo-me para voltar

não volto

só mato o que está à anotar


Parei para vê-lo 

não dava pra crer


Se olha, me escondo

por medo de tudo

do passo em meu teto

tremores no chão


Vieram mais dois

e então, outros dois

Daí me escondi

pra onde fugir?


É como vivo n'areia

um ser serelepe

que anda pros lados

com percalços


Como vivem lá em cima?

assim, sem andar pros lados

Quais são seus pecados?

Que não poem-se a esconder


Volto ao buraco

atrás das baratas e tatuís

O meu lar subterrâneo

já seguro d'humano

quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

Terreirão

 Não aceita a idade

o rio corrido

as correntes margeiam

nos troncos cortados

Não aceita suas rugas

a velhice dada

o caminho traçado

e o percorrido

Não se mete na blusa

com que pulava muros,

roubava frutas

e rezava

Não corre seus passos

e o prazo o engole

acelera o tempo

e reduz o espaço

segunda-feira, 18 de janeiro de 2021

Ca La Nuri

 Do caos

à paz

Da turba

ao isolamento

Dá hora

ao tempo

De mim

para ti

todo o meu vento

sábado, 9 de janeiro de 2021

Tijolo

 


A vida é uma reticência e ponto

Cheia de final sem recomeço

Plena de começos sem fim


A vida são vidas feitas

Sólidas ou rarefeitas

Não permanecem ou passam


Em cada trampolim

Pulamos 

Sem saber o pranto


Temos todos fatos

Em nossa fuça

Mas não há recusa


O que sabemos

Tão pouco vemos

Nos direciona


E nesse fim

Há destino

Ou novo fio



TiTolo

 



Jogo-lhe tijolo

na testa

Por uma finestra


Por todo seu caminho

Tem um carimbo no seio

Bem no meio


O que lhe faz assim

Sendo você, sem mim

São as veias


Um movimento

Carrega seu trilho

Sem desancar


Na correria

Perde seu Lar

E as paredes


Meu tijolo,

Agressão que seria

Constrói!


O seu rumo dói

Destrói

E desfaz