terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Ligamentos Rompidos


Estirados cabos desunidos
são fios quebrados, iludidos
de um dia acharem pontas
e porem em dia as suas contas.
...
O mecanismo por eles movido
estático, espera ser ouvido,
pois teme padecer no esquecimento
se permanece, assim, sem movimento.
...
Os sinais elétricos enviados
acabam de uma forma inervados
por não alcançarem o seu destino.
...
Por um rompimento enviesado
de os porem em terminais encarcerados
resultam em gritante desatino.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Ñ+TV/Ñ+MVT/Ñ+MTV

MVT,
Ñ Vô TiVê
Como TeVi
Nem na MTV

Se Ñ TiVÉ 1 VT
P/ TiFaZê Vê o Q
TiVe PorTi

Ñ Vô Vê +
Nô C
A BLeZ Qia C
TVC
e TV
Só P/
MIM.

Ñ+TV
Ñ+MVT
Ñ+MTV

*bye bye sweet november

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Yo-Yo

"Nasceram flores no canto de um quarto escuro. Mas eu te juro são flores de um longo inverno" Otto, 6 minutos - "Instantes acabam a eternidade"



Em cada pedaço meu deixado
no ir e vir de um iô-iô lesado
vai ficar alguma marca minha
e apagará toda amorosa linha.

Se sou brinquedo de pouco divertimento
é bom que me desligue sem lamento
que agora a bateria resta fraca
e em meio aos movimentos sempre empaca.

Se conseguir se lembre que o motor
que move os mecanismos trazem dor
pois, sim, tenho nervos nessa parte.

As articulações estragadas de calor
refletem o desgaste de um amor
paralisante e passível de resgate.




Confissões solitárias


Me virei do avesso por você e agora pago pela minha inconsequente sinceridade. Sei muito bem o preço desta moeda, já que reiteradamente me submeto ao pouco caso alheio.

Isso não me fará parar.

Perco sim a crença depositada em cada um, mas não perco de modo algum a convicção na minha conduta íntegra. Mas sei que nunca haverão de me confortar em cada tombo desta vida desprovida de valores.

Cada um sabe as decisões que toma e como sempre faço questão de repetir: toda decisão é uma escolha e uma renúncia.

Eu nunca renunciarei ao que de mais nobre tenho: os meus sentimentos. É este mecanismo que nos apresenta à vida como vivos. É ele o responsável por todas as glórias e catástrofes cotidianas.

Ao escolher o puro devaneio de uma falsa liberdade, renuncia à um naco de sua humanidade.

Mesmo assim respeito sua decisão, sem deixar, porém, de demonstrar meu escárnio.

Isso por me dedicar a alguém cegamente. E esta mesma cegueira que me faz amar se apresenta como ignorância de um sentimental inapto à percepção da realidade.

Não vivo mesmo os fatos, mas suas consequencias, pois creio serem elas a razão de qualquer agir.

As hemoglobinas que dantes se preenchiam do mais pleno carinho, agora, são vasos vazios onde não se encontra mais espaço.

O buraco cavado no meu peito dia-a-dia não se preencherá facilmente. No entanto, o sangue venoso se aproveita deste espaço e se deleita ao sacudir inapropriadamente a minha frágil maquininha de bater.

Espero que não pare.

De um coração irremediavelmente machucado,

Daniel Fleming

BH - 23/11/2009



*** Muito obrigado pela linda cartinha. De certo ajudará na cicatrização***
Não nutro horror por ti, mas guardo a decepção.

sábado, 21 de novembro de 2009

tRePiDante


Meu peito tRePiDante ainda questiona
a profundeza exata do hematoma
marcado de uma forma destoante
por erro cometido e já distante.

As dúvidas que bloqueiam os batimentos
são caos aos meus nobres sentimentos
nutridos por ti com insistência
em cada estalo dado à consciência.

Espero te rever como o passado
nos meus sonhos delirantes. Vislumbrado
que te ama em cada hemoglobina.

Não é decisão de certo e errado
querer estar pra sempre ao teu lado
e seres sempre minha nobre concubina.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

ou TUDO ou NADA

Vamos M
.....E
.....R
.....G
......U
.....L
......H
.......A
.....R

no AR.AR.AR.

NADArrrrrrrrr

Viver no (vão)
Vir, Ver
em
Tão


Vem solid
FICAR

fazer rariV

VARÃO

Vem me MODIFICAR

e me fazer

F............Z
E......I
L

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Vasos Vazios


Se as flores da VIDA puderem indicar
como cura a FERIDA de uma mulher,
vão parar a descida do SANGUE que escorre
e sugar as ARGURAS largadas no AR.

As PAREDES controlam o espaço.
Seu LUGAR já não tem mais percalços
para se confortar.
Suas MEIAS deixaram seus PÉS.
Suas LUVAS lavaram ao invés de sujar.
Não há mais MOTIVO com que preocupar.

Um VASO VAZIO se enche de AR.
De AR frio se faz esse VASO.
Não há PASSOS partidos a dar
E se não conseguir encontrar,
vai seguir sem ter LAR
sem ser VASO
o VAZIO
[..........]


sábado, 17 de outubro de 2009

ArreBenta





nade a onda
ainda que:
no nó do nada
ande onde
ando, endo,

indo...

à dona da duna desnuda
de banda da bunda benta.

ArreBenta
o tombo bambo
dos bobos brancos.

A barba branca bacana
acaba bancando
os cabras macabros
nas brocas
e cobram abraços
nas sobras braçais.

Os brios dos brancos
não sobem descidas
sadias
nos dias
c
a
í
d
o
s.

BamBamBam
DinDinDin
DunDunDun

Encerra acenando
cilada ao sarro
rosado
s
a
i
n
d
o
açoitado
no laço acirrado
dos donos
dos sonhos
sensatos.

A tosse estimada
destoa a toada

ATOA

nas tuas
[caladas gargantas]

Nem come
Nem janta

Nem coca
Nem fanta

Só fuça o percalço
com pouco eficácia
das fases fincadas

Vaza zanzando
o nada em palavra
na lavra
do nada.

Acabado.



sábado, 29 de agosto de 2009

Revolver

Somos a dúvida irresolúvel,
enrolados nas perguntas intrigadas.
Encasqueto nas esquinas destas quadras
e quadrados são, de fato, nossos lados.

Toda crise é um crime ao passado
que anistia, intenso, o seu futuro.
Cada passo dado em falso,
livra nosso corpo d'outro furo.

Os vazios penam em plenitude
e os detalhes encontrados amiúde
nunca explicam a totalidade.

Mas cada parte pífia nos ilude
em buscar a honra na saúde
de ter desprendimento da maldade.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

O Ficcionista

Matéria de meu amigo Bernardo Medeiros

Para ler a matéria clique na imagem

O Ficcionista - parte2

Matéria de meu amigo Bernardo Medeiros

Clique na materia para ler

quinta-feira, 14 de maio de 2009

VICiosa

Em meu trajeto sórdido
surgiu em tempo sóbrio
seu ar de espaço estudantil
fui a mil

O desenho histórico destes prédios
abre a ponte dos remédios
pra me consolar

Não passo um tempo são aqui
por isso acho que me confundi
e acabo por ficar aqui
sem fim.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Qualquer um

Não sabe os ovos em que pisa.
Anda sobre os saltos, imprecisa.
Desliza.

Tudo que é vivo lhe estranha
e usa a todo modo a artimanha.
Apanha.

Em quase todas festas se isola
e olha ao largo seu olhar de esmola.
Embola.

O que se poderia esperar
se já não vai mais se controlar.
Azar.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

O santo judeu do Amazonas - página 1

Clique na imagem para ampliar

O santo judeu do Amazonas - página 2

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terça-feira, 7 de abril de 2009

Acidentar


Ainda sinto ser adolescente
com os sentimentos inerentes
a este estado febril.
...
Meu comportamento incongruente
em cada criação pendente
rompe os laços do meu fio.
...
Bate forte um motor no peito
o que move reto este sujeito
até algo o fazer estagnar.
...
Se as veias vierem interromper,
não pode mais se envolver
nos fluxos naturais da vida.
...
O seu nervo a se dissolver
e os músculos não vão envolver
qualquer função a realizar.
...
Suas idéias não podem prever
o que está para acontecer
em seu corpo a se adoentar.

segunda-feira, 23 de março de 2009

O super herói Celton


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sábado, 14 de março de 2009

PORN'alista

Tuas pernas são melhores que teus textos
e minhas gírias não passam de pretextos
pra te levar pra cama, pra te consolar
e nos teus peitos poder me afogar.

Tuas reportagens são sádicas
e as tuas expressões mágicas
fazem os meus hormônios despertarem
e quaisquer outras notícias renegarem.

Tu serás, então, a minha lauda
que preencherá a minha espada.
Neste texto, editor algum se mete.

Lide bem com as minhas orações 
pois, exagero nas entonações
pra te publicar na minha manchete.

quinta-feira, 5 de março de 2009

Sobre o viver



Sacou sua arma
não quis dizer
o seu propósito

Mas disse ser
um ser inóspito
aos demais

Talvez perceba
que a sua vida
é um perigo

Quis fazer
o seu destino
IINTERROMPER

As suas veias
tirar as meias
e DESCANSAR

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Morenna



Teus cabelos lisos, morena
me encantam a vista, serena.
Tua pele esquenta pequena
traz glamour à cena.

Me adocicam em doses
teus olhos ferozes.
Não escuto as vozes
só o faço em goles.

Tuas pernas lindas, pretensas,
deixam as atitudes tensas
para ver se engrena.

Se tiveres chamas propensas
bote fogo nas diferenças
pra nos ajustarmos sem pena.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

DeFlagre-SE


Você de conceito formado
não deve ficar abismado
co'as contradições da vida.

Se eu estiver ao seu lado,
vou questionar animado
a sua tristeza perdida.

Diante de um mundo entortado,
não há como ficar parado
sem cutucar a ferida,
para entender a saída.

O meu falatório acabado
só cessará se enganado
pela dissuasão convicta:
não há explicação pra vida.

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

LíRiCa


Teu nome é lírico.
Me lembro dos lírios
e dos meus delírios
sem te melindrar.
...
Te levo pra Síria,
te invento gírias
do meu lerear.
...
És o meu colírio,
sem ti não me viro,
não posso ladrar.
...
Tua boca é a mira
onde a minha pira
quer se eternizar.
...
Minha fera fira
os meus freios frouxos
para te enfrentar.
...
E meu peito em prantos
perde os seus encantos
se eu não te aBRAçar.
Originalmente postado em 07 de abril de 2008

domingo, 21 de dezembro de 2008

FaiFeiÑFi

_ Oh meu, cê viu que fita?
Os treco num foro
e os mano se trisca.
_Qui coisa hein loko.
Os cara soltaro o pipoco
i agora os nego nem pisca
_Nói num vai mai se vê
entaum desliga a TV
qui vô pegá pista.

É mai um nego atormentado da vida
engole o segredo
mai fai um enredo
PIROTECNIA

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Rumo ao infinito


Quero os teus braços e abraços.
Quero a tua mão e o coração.
Quero as tuas pernas, ternas.
Quero a tua sensação, então,
...
vamos construir a nossa vida
juntos. E nunca mais será igual.
Vens viver a vontade esquecida.
Vamos fazer o bem pro mal.
...
Endireita o meu ímpeto missionário
e acharei, em ti, meu dicionário
pras cartas que te escreverei, paixão.
...
Vamos devagar pelo início.
Me faze esquecer meu vício.
Tu serás meu universo, imensidão...

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Carente de carinho


O porta-retrato que você me deu
está posto em destaque em minha mesa.
entendeu minha posição de ser ateu
foi a minha amante mais firmeza.
...
Derramei lágrimas em sua carta
em momento mais dificil dessa rota.
Meu coração quase que enfarta
mas ampliou o diâmetro da aorta.
...
Sem você não teria resistido
e afirmei que teria investido
em suas doses inTensas de paixão.
...
Se tiver, um dia, mulher como você
não pensarei duas vezes em dizer
quero o seu o amor, imensidão...

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Ameríncola Macambúzio

FOTO DE VANESSA MINANTE

Mesmo em uma maca,
vou macaquear esse marasmo,
o arremedo mórbido de um orgasmo,
do morrer meticuloso das marcas.
................
No ranger estridente das facas,
à tecer nas letras os quiasmos
de viver condicionados como os asnos
e obedecer ao toque das matracas.
..................
As relações de nobres espasmos
da energia que se mostra fraca
não resta se desperdiçarmos.
................
Se passarmos em todas catracas
e nessa bossa não nos encontrarmos
não seremos seres, sacas?

Originalmente publicada em 28/08/2006

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Poções de fel

FOTO DE MARINA GUEDES


Ao te extirpar de minhas entranhas
retirou-se de mim tuas artimanhas.
Te comportaste de forma ardil
e arranhaste o som do meu vinil.
...
Tenho tentado me dar com isto
e a cada vez que me reabilito
sinto uma extrema desproporção
das poções do teu fel rincão
...
Até vislumbro ter me livrado
do tronco onde fui açoitado
onde tive meu dom achacado.
...
Te perder me abriu ferida
mas me fez voltar à vida
bem mais forte pra lidar c´a lida.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

POLY.nésia

Apática, vc se foi.

A sua ausência dói

e o nosso coração corrói.

.........................

Sua presença inestimável

nos incrementou um nível

por nos fazer conhecer melhor

.........................

Você revelou nosso profundo eu

pois estar ao seu lado

nos deixou menos quadrados.

.......................

Porque você foi nessa?

Companhia polivalente a bessa

vai ficar sempre na cabeça.

domingo, 19 de outubro de 2008

PEGA não, PEGA nada


Eu colei em ti irmão.
Vamos causar diversão,
porque nessa roda viva
vale mais uma mente lasciva.

Prevejo uma doida canção
de tons nobres em dimensão
maior que a ação inclusiva,
minha grande paixão inclusive.

É nói na situação.
Vamo firmar união
pra fazer o mundo girar

Nós somos a fita em questão,
ganhamos na boa intenção.
Nós somos o nosso avatar!

domingo, 21 de setembro de 2008

Coisa lOuCA


Você me deixou estonteado
fui, por um dia amarrado
em suas fartas doses de beleza

Foi doce estar ao seu lado
ainda me sinto encantado
ainda falta, nos meus pés, firmeza

A sua boca dominou o meu olhar
e o seu sorriso sacudiu meu ar
que eu aspirei em ritmo profundo

Aspiro poder lhe reencontrar
em qualquer canto, em qualquer lugar
onde gravitacionar seu mundo.

sábado, 23 de agosto de 2008

ManoCômico



Ser um anjo em forma decaída
ter acesso sem saída à recaída
ver a vida de uma lida ladra
ser um quarto ao que se enquadra

Mitômano fulano de astros vastos
tem sempre as pedras nos sapatos
não se entende, nem levanta
e sente sempre o sopro de Amaranta

A dor que sente é sua nação
ela mesma o faz resistir
e move em solavancos, coração

Ele anda pelos cantos, por aí
só na fé de não crer em vão
nos confortos que ele vem a contrair


Amaranta
"Terceira filha de José Arcádio Buendía e Úrsula. Se apaixona por Pietro Crespi, assim como sua irmã, Rebeca. Esta arruma seu casamento, enquando Amaranta tenta interrompê-lo. Rebeca desmancha o noivado e se casa com seu irmão de criação José Arcadio. Pietro Crespi se apaixona por Amaranta, que mesmo apaixonada, não o dá esperanças. Tem uma relação amorosa com Aureliano José, seu sobrinho (filho do Coronel Aureliano com Pilar Ternera). Ao fim, mantém uma amizade com o Coronel Gerineldo Márquez, mas o esnoba. Morre virgem e com uma atadura na mão que carrega por boa parte da vida, fruto de uma queimadura em penitência que ela faz consigo mesma após o suicídio de Pietro Crespi." (Wiki)

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Beijing, Beijing...


Temos em comum o abismo social.
Temos crescimento exponencial.
Meu mercado come o que fabrique.
Nossa ascensão nos uniu no BRIC
...
Também vamos despontar com as Olimpíadas
lutaremos bravamente em noss´íliadas.
Vamos inverter o fuso d´Ordem Mundial,
a que faz de nós eterno bananal.
...
Nossos atuais chefes e substitutos
tornarão os vivos um tanto nefastos
para entenderem do que são no fundo.
...
Um dia sei que estaremos juntos,
seja nos heróis, seja nos defuntos
e vamos abalar o FIM do mundo

domingo, 3 de agosto de 2008

Fascínio

O seu jeito de falar me encanta
dá descanso longo à minha garganta.
Os meus olhos bailam em sua saia
e não ousam avistar as suas falhas.

Sua ousadia me paralisa
e o piloto automático me mobiliza,
isso contraria a natureza
de ser a dialética minha proeza.

Me leve contigo pro seu lar,
pois, quando do seu lado me fixar,
voltarei a expor meu raciocínio.

Não terei vergonha de anunciar
minha vontade de ser seu par
pra lhe dar muito mais que meu fascínio.

sábado, 12 de julho de 2008

Calçada de domingo

Poesia e foto de Raphael Alves

Já acordara a beijar o solo com semblante ranzinza

E nas palavras dos sábios:

De que haviam estes lábios

tentar roubar-lhe o cinza?


Um dia ao beijá-la com tamanho impacto

havia de sair ferido decerto

mas, tal como bloco de concreto

permanece o peito hirsuto, ileso, intacto


Lá estava quem me tinha por vencido

e imóvel persiste!

Soubera ela que quem apenas nos sonhos existe

não pode ter numa calçada amanhecido?


Inda posto a levantar, via cada passarela

e os quarteirões, meios-fios e sinaleiros...

praças, esquinas, o mundo inteiro

tudo inicia, termina e pertence a ela


Afinal, é ela de tudo a base, o chão,

o porquê de alguns decidirem calar

enquanto prefiro por ela passear

sem rumo, até seqüestrar-me a razão


Jaz sobre ela o papel de lar de tantos aflitos

é dela a única certeza de saudade

a vastidão de todas numa única cidade

o cerne da paz e do conflito


Ungida pelo pó de meus versos tão banais

estes lembrá-la-ão dos que a perseguem

e que os passos por ela passam, seguem

mas as pegadas não a deixam jamais


Lê-se em sua construção

que repousa no olvido

que a música nunca fez tanto sentido

que nem tudo é rumo para a ilusão


Infringida por um corpo mendigo

uma alma presa à pedra inacabada

tal como é sutilmente repousada

na calçada uma manhã de domingo


Agora em seus canteiros um sonho malfazejo

de buscar as mãos, o colo da calçada

e olhar em seus olhos na alvorada

antes de dar-me de novo ao seu beijo