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INQUIETO

"A inquietação através da experiência e da crítica parece que se rompe de encontro a uma rocha profunda, ampla e inamovível de modelos consentidos de interpretação, de lealdades e práticas." (Jürgen Habermas)

quarta-feira, 15 de julho de 2015

sentido

Eu passo ao fundo
em lhe fazer segura
e lhe pertenço

Em um segundo,
tem o absoluto
e me convence

Pois nesse mundo,
tem-se de tudo
e nada tem sentido

O meu estilo
é não ter estilo
e crença

sexta-feira, 10 de julho de 2015

ReCorte

Trafega em seu
bom passo e porte
Seu terno novo
apara o corte
Disse o que houve
sem dar suporte
Ninguém lhe ouve
e o mira forte
Atravessa ao norte
Tem seu porquê
jogar com a sorte
Seu solo tido
estraga o trote
em que antevê
e o acode
Vai em pinote
buscar seu ser
Sacode o ar
em seu transporte
Pensa em saltar?
comporte-se!

sexta-feira, 26 de junho de 2015

ORDEM DE SERVIÇO


Pelo poder afanado, conforme nascimento nunca questionado, ímpeto reconhecido, disposição acentuada. Consoante prenúncio anteriormente censurado, verbo silenciado, palavra engolida; no uso das atribuições nunca conferidas,

     CONSIDERANDO que as pegadas não duram mais que meia hora na areia; que as ondas vêm umas atrás das outras; que o sol seca a chuva;

    CONSIDERANDO que as conchas não decidem quem as pisam ou as prezam; que os tatuís servem de isca; que o robalo vira porção;

    CONSIDERANDO que os rios vertem-se por curvas tortas; que as águas esquentam com os meses; que as cachoeiras secam;

     CONSIDERANDO que quando já não há mais luz, chovem vagalumes; que o escuro não silencia o barulho; que os olhos se turvam;

     CONSIDERANDO que as ancas encantam os passos e o pescoço segue o trajeto; que o rumo não cessa a ruína; que há tanto desmazelo;

    DETERMINA-SE posição firme perante a vida; que as atitudes sejam de fato; que as palavras não sejam em vão.

Registrada; Publicada; CUMPRA-SE.

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Vai Vendo

Já tá na veia
nos envolvendo
Todo conhecimento
num estalo
do dedo
de qualquer sujeito
A tábua do consenso
do consentimento
de um só pensamento
No Conselho
do outro lado
do Planeta
há quem prometa
um encontro
entre um polo
e outro
O clima
já não muda tanto
com o vento
Tem corrente
imponente
em todo canto
Um só mandamento
invade e arrebenta
num tom violento
uma causa
O espaço
do seu sofrimento
se encerra
Põe pra dentro
a fera
e o seu ferimento
em terra


sábado, 13 de junho de 2015

Além do Tempo


O que você é?
Além do tempo
que confeccionou
seu sentido?
Se lhe por ao relento
qual será seu caminho?
sua disposição
O seu pensamento
é passado
Tem-se notado
o seu movimento
encantado
em outra opinião
Anda lado a lado
à ilusão dos seus passos
ante a imensidão
Os seus rumos errados
foram tomados
por pura indução
Se não tiver notado
seu aterramento
foi amarrado no vento
Pode até arrumar
um invento
pra sobreviver

sexta-feira, 29 de maio de 2015

A Receita

Cada conversa
versa
sobre seu lado
Tem demonstrado
o intento
O talento que tem
em si
Violento trajeto
que ostenta
Seu comportamento
Pimenta
Um invento e tanto
Um passo além
Põe tamanco
um metro e noventa
e levanta
fica atento
Qualquer movimento
o encanta
Acende o acento
imanta
Atormenta seu santo
devaneia num canto
inventa
Você tem em seu pranto
o tempo
Seu sustento
o extrato
do seu argumento
A Receita

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Dos Passos D.A.Dos

Trabalho em prédios
mais antigos que eu,
que a vida que levo
Peso o passado
sem saber,
sem querer apagá-lo
e apagando...
vivo o vivido
Meus antepassados
foram tão ou mais
preocupados com o futuro
em que me enquadro
Desse piso pesado,
empanado
e carcomido
Solo aterrado,
entontecido
Deixo o acaso
ser meu vizinho,
meus cantos
que escondem o pecado
de homem esquecido
Antes de ter
abandonado um caminho
que dizia ser
o mais adequado
aos meus filhos

quinta-feira, 7 de maio de 2015

intesTino

Tema
meter-se
em meio
a minha meta

Ate-se
ao seu tino
e preserve
a tensão
do intestino

Tenha
seu viés
na reta,
cometa
o desatino

Trace
sua rota
sem retorno
em torno
ao que lhe afeta

Afeto
ao teto
e o seu
destino
venta

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Espia


Não há rosas sem espinhos
não há vento que navegue
sem medi-lo
Não há cheiros que se entreguem
gustativos
Sem gritar.

Não há cores nas paredes
sem deslumbre
Não há luz que não se veja
em azedume
Não há alegria desprovida de cansaço
tristeza, sem percalço.

Não há rua sem calçada
não há pele nua
sem se ter tapada
não há nova ideia
ainda inventada

Não há palavra sem espaço
não há ponto sem traço
não há gente sem a gente
não há mais quem aguente.
não há sal adocicado.

domingo, 15 de março de 2015

aPátrida

UM PÁRIA
PERECE

SE PERTENCE


A     SI           SÓ



SEM           SUA




P  Á  T  R  I  A
           PERENE

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

(b)Isca

De uma rocha magmática,
foram talhadas suas curvas,
arredondadas suas formas,
em exagerado preciosismo.

O vento aparou seus seios,
o rio formou seu lombo.
Há pólem em seus cílios,
raízes em seu cabelo.

Quando solta-se, alheia,
surge, de imediato, o veio
do metal mais nobre encontrado.

Canta como a sereia,
não mostra a que veio
e afoga o seu convidado.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Na Terra do SOU

Dizem que sou
isso ou aquilo
aquilo outro
e aquilo mais
Um'outra coisa
coisa nenhuma
e eu, tanto faz!

Coisa que é
ou que não é
não importa mais
Importam os Uis
e não os Ais

Se porta um plus
um algo a mais,
porte-se blues
ou parta um jazz

Nos tons de azul
ou de lilás
teu corpo é cool
é habitat

Dizem que sou
isso ou aquilo
aquilo outro
e aquilo mais
Um'outra coisa
coisa nenhuma
e eu, tanto faz!

Se é rock'n'roll
e quer demais
perde um amor
por outros mais

Pode não ser 
o que deseja
mas tem tesão
e brotoeja

Se é bossa nova
ou se não é
só cabe a si
sambar

Coisa que é
ou que não é
não importa mais
Importam os Uis
e não os Ais

Toca seu groove
com entonação
e há quem ouça
samba canção

Suas artimanhas
só vão saber
os que forem
ao menos hipster

Dizem que sou
isso ou aquilo
aquilo outro
e aquilo mais
Um'outra coisa
coisa nenhuma.
Eu, tanto faz!