Quarta-feira, 3 de Junho de 2009

O Ficcionista

Matéria de meu amigo Bernardo Medeiros

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O Ficcionista - parte2

Matéria de meu amigo Bernardo Medeiros

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Quinta-feira, 14 de Maio de 2009

VICiosa

Em meu trajeto sórdido
surgiu em tempo sóbrio
seu ar de espaço estudantil
fui a mil

O desenho histórico destes prédios
abre a ponte dos remédios
pra me consolar

Não passo um tempo são aqui
por isso acho que me confundi
e acabo por ficar aqui
sem fim.

Segunda-feira, 27 de Abril de 2009

Qualquer um

Não sabe os ovos em que pisa.
Anda sobre os saltos, imprecisa.
Desliza.

Tudo que é vivo lhe estranha
e usa a todo modo a artimanha.
Apanha.

Em quase todas festas se isola
e olha ao largo seu olhar de esmola.
Embola.

O que se poderia esperar
se já não vai mais se controlar.
Azar.

Quarta-feira, 22 de Abril de 2009

O santo judeu do Amazonas - página 1

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O santo judeu do Amazonas - página 2

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Terça-feira, 7 de Abril de 2009

Acidentar


Ainda sinto ser adolescente
com os sentimentos inerentes
a este estado febril.
...
Meu comportamento incongruente
em cada criação pendente
rompe os laços do meu fio.
...
Bate forte um motor no peito
o que move reto este sujeito
até algo o fazer estagnar.
...
Se as veias vierem interromper,
não pode mais se envolver
nos fluxos naturais da vida.
...
O seu nervo a se dissolver
e os músculos não vão envolver
qualquer função a realizar.
...
Suas idéias não podem prever
o que está para acontecer
em seu corpo a se adoentar.

Segunda-feira, 23 de Março de 2009

O super herói Celton


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Sábado, 14 de Março de 2009

PORN'alista

Tuas pernas são melhores que teus textos
e minhas gírias não passam de pretextos
pra te levar pra cama, pra te consolar
e nos teus peitos poder me afogar.

Tuas reportagens são sádicas
e as tuas expressões mágicas
fazem os meus hormônios despertarem
e quaisquer outras notícias renegarem.

Tu serás, então, a minha lauda
que preencherá a minha espada.
Neste texto, editor algum se mete.

Lide bem com as minhas orações 
pois, exagero nas entonações
pra te publicar na minha manchete.

Quinta-feira, 5 de Março de 2009

Sobre o viver



Sacou sua arma
não quis dizer
o seu propósito

Mas disse ser
um ser inóspito
aos demais

Talvez perceba
que a sua vida
é um perigo

Quis fazer
o seu destino
IINTERROMPER

As suas veias
tirar as meias
e DESCANSAR

Sexta-feira, 20 de Fevereiro de 2009

Morenna



Teus cabelos lisos, morena
me encantam a vista, serena.
Tua pele esquenta pequena
traz glamour à cena.

Me adocicam em doses
teus olhos ferozes.
Não escuto as vozes
só o faço em goles.

Tuas pernas lindas, pretensas,
deixam as atitudes tensas
para ver se engrena.

Se tiveres chamas propensas
bote fogo nas diferenças
pra nos ajustarmos sem pena.

Segunda-feira, 2 de Fevereiro de 2009

DeFlagre-SE


Você de conceito formado
não deve ficar abismado
co'as contradições da vida.

Se eu estiver ao seu lado,
vou questionar animado
a sua tristeza perdida.

Diante de um mundo entortado,
não há como ficar parado
sem cutucar a ferida,
para entender a saída.

O meu falatório acabado
só cessará se enganado
pela dissuasão convicta:
não há explicação pra vida.

Terça-feira, 30 de Dezembro de 2008

LíRiCa


Teu nome é lírico.
Me lembro dos lírios
e dos meus delírios
sem te melindrar.
...
Te levo pra Síria,
te invento gírias
do meu lerear.
...
És o meu colírio,
sem ti não me viro,
não posso ladrar.
...
Tua boca é a mira
onde a minha pira
quer se eternizar.
...
Minha fera fira
os meus freios frouxos
para te enfrentar.
...
E meu peito em prantos
perde os seus encantos
se eu não te aBRAçar.
Originalmente postado em 07 de abril de 2008

Domingo, 21 de Dezembro de 2008

FaiFeiÑFi

_ Oh meu, cê viu que fita?
Os treco num foro
e os mano se trisca.
_Qui coisa hein loko.
Os cara soltaro o pipoco
i agora os nego nem pisca
_Nói num vai mai se vê
entaum desliga a TV
qui vô pegá pista.

É mai um nego atormentado da vida
engole o segredo
mai fai um enredo
PIROTECNIA

Sexta-feira, 5 de Dezembro de 2008

Rumo ao infinito


Quero os teus braços e abraços.
Quero a tua mão e o coração.
Quero as tuas pernas, ternas.
Quero a tua sensação, então,
...
vamos construir a nossa vida
juntos. E nunca mais será igual.
Vens viver a vontade esquecida.
Vamos fazer o bem pro mal.
...
Endireita o meu ímpeto missionário
e acharei, em ti, meu dicionário
pras cartas que te escreverei, paixão.
...
Vamos devagar pelo início.
Me faze esquecer meu vício.
Tu serás meu universo, imensidão...

Terça-feira, 18 de Novembro de 2008

Carente de carinho


O porta-retrato que você me deu
está posto em destaque em minha mesa.
entendeu minha posição de ser ateu
foi a minha amante mais firmeza.
...
Derramei lágrimas em sua carta
em momento mais dificil dessa rota.
Meu coração quase que enfarta
mas ampliou o diâmetro da aorta.
...
Sem você não teria resistido
e afirmei que teria investido
em suas doses inTensas de paixão.
...
Se tiver, um dia, mulher como você
não pensarei duas vezes em dizer
quero o seu o amor, imensidão...

Quinta-feira, 13 de Novembro de 2008

Ameríncola Macambúzio

FOTO DE VANESSA MINANTE

Mesmo em uma maca,
vou macaquear esse marasmo,
o arremedo mórbido de um orgasmo,
do morrer meticuloso das marcas.
................
No ranger estridente das facas,
à tecer nas letras os quiasmos
de viver condicionados como os asnos
e obedecer ao toque das matracas.
..................
As relações de nobres espasmos
da energia que se mostra fraca
não resta se desperdiçarmos.
................
Se passarmos em todas catracas
e nessa bossa não nos encontrarmos
não seremos seres, sacas?

Originalmente publicada em 28/08/2006

Quinta-feira, 6 de Novembro de 2008

Poções de fel

FOTO DE MARINA GUEDES


Ao te extirpar de minhas entranhas
retirou-se de mim tuas artimanhas.
Te comportaste de forma ardil
e arranhaste o som do meu vinil.
...
Tenho tentado me dar com isto
e a cada vez que me reabilito
sinto uma extrema desproporção
das poções do teu fel rincão
...
Até vislumbro ter me livrado
do tronco onde fui açoitado
onde tive meu dom achacado.
...
Te perder me abriu ferida
mas me fez voltar à vida
bem mais forte pra lidar c´a lida.

Quarta-feira, 29 de Outubro de 2008

POLY.nésia

Apática, vc se foi.

A sua ausência dói

e o nosso coração corrói.

.........................

Sua presença inestimável

nos incrementou um nível

por nos fazer conhecer melhor

.........................

Você revelou nosso profundo eu

pois estar ao seu lado

nos deixou menos quadrados.

.......................

Porque você foi nessa?

Companhia polivalente a bessa

vai ficar sempre na cabeça.

Domingo, 19 de Outubro de 2008

PEGA não, PEGA nada


Eu colei em ti irmão.
Vamos causar diversão,
porque nessa roda viva
vale mais uma mente lasciva.

Prevejo uma doida canção
de tons nobres em dimensão
maior que a ação inclusiva,
minha grande paixão inclusive.

É nói na situação.
Vamo firmar união
pra fazer o mundo girar

Nós somos a fita em questão,
ganhamos na boa intenção.
Nós somos o nosso avatar!

Domingo, 21 de Setembro de 2008

Coisa lOuCA


Você me deixou estonteado
fui, por um dia amarrado
em suas fartas doses de beleza

Foi doce estar ao seu lado
ainda me sinto encantado
ainda falta, nos meus pés, firmeza

A sua boca dominou o meu olhar
e o seu sorriso sacudiu meu ar
que eu aspirei em ritmo profundo

Aspiro poder lhe reencontrar
em qualquer canto, em qualquer lugar
onde gravitacionar seu mundo.

Sábado, 23 de Agosto de 2008

ManoCômico



Ser um anjo em forma decaída
ter acesso sem saída à recaída
ver a vida de uma lida ladra
ser um quarto ao que se enquadra

Mitômano fulano de astros vastos
tem sempre as pedras nos sapatos
não se entende, nem levanta
e sente sempre o sopro de Amaranta

A dor que sente é sua nação
ela mesma o faz resistir
e move em solavancos, coração

Ele anda pelos cantos, por aí
só na fé de não crer em vão
nos confortos que ele vem a contrair


Amaranta
"Terceira filha de José Arcádio Buendía e Úrsula. Se apaixona por Pietro Crespi, assim como sua irmã, Rebeca. Esta arruma seu casamento, enquando Amaranta tenta interrompê-lo. Rebeca desmancha o noivado e se casa com seu irmão de criação José Arcadio. Pietro Crespi se apaixona por Amaranta, que mesmo apaixonada, não o dá esperanças. Tem uma relação amorosa com Aureliano José, seu sobrinho (filho do Coronel Aureliano com Pilar Ternera). Ao fim, mantém uma amizade com o Coronel Gerineldo Márquez, mas o esnoba. Morre virgem e com uma atadura na mão que carrega por boa parte da vida, fruto de uma queimadura em penitência que ela faz consigo mesma após o suicídio de Pietro Crespi." (Wiki)

Quinta-feira, 7 de Agosto de 2008

Beijing, Beijing...


Temos em comum o abismo social.
Temos crescimento exponencial.
Meu mercado come o que fabrique.
Nossa ascensão nos uniu no BRIC
...
Também vamos despontar com as Olimpíadas
lutaremos bravamente em noss´íliadas.
Vamos inverter o fuso d´Ordem Mundial,
a que faz de nós eterno bananal.
...
Nossos atuais chefes e substitutos
tornarão os vivos um tanto nefastos
para entenderem do que são no fundo.
...
Um dia sei que estaremos juntos,
seja nos heróis, seja nos defuntos
e vamos abalar o FIM do mundo

Domingo, 3 de Agosto de 2008

Fascínio

O seu jeito de falar me encanta
dá descanso longo à minha garganta.
Os meus olhos bailam em sua saia
e não ousam avistar as suas falhas.

Sua ousadia me paralisa
e o piloto automático me mobiliza,
isso contraria a natureza
de ser a dialética minha proeza.

Me leve contigo pro seu lar,
pois, quando do seu lado me fixar,
voltarei a expor meu raciocínio.

Não terei vergonha de anunciar
minha vontade de ser seu par
pra lhe dar muito mais que meu fascínio.

Sábado, 12 de Julho de 2008

Calçada de domingo

Poesia e foto de Raphael Alves

Já acordara a beijar o solo com semblante ranzinza

E nas palavras dos sábios:

De que haviam estes lábios

tentar roubar-lhe o cinza?


Um dia ao beijá-la com tamanho impacto

havia de sair ferido decerto

mas, tal como bloco de concreto

permanece o peito hirsuto, ileso, intacto


Lá estava quem me tinha por vencido

e imóvel persiste!

Soubera ela que quem apenas nos sonhos existe

não pode ter numa calçada amanhecido?


Inda posto a levantar, via cada passarela

e os quarteirões, meios-fios e sinaleiros...

praças, esquinas, o mundo inteiro

tudo inicia, termina e pertence a ela


Afinal, é ela de tudo a base, o chão,

o porquê de alguns decidirem calar

enquanto prefiro por ela passear

sem rumo, até seqüestrar-me a razão


Jaz sobre ela o papel de lar de tantos aflitos

é dela a única certeza de saudade

a vastidão de todas numa única cidade

o cerne da paz e do conflito


Ungida pelo pó de meus versos tão banais

estes lembrá-la-ão dos que a perseguem

e que os passos por ela passam, seguem

mas as pegadas não a deixam jamais


Lê-se em sua construção

que repousa no olvido

que a música nunca fez tanto sentido

que nem tudo é rumo para a ilusão


Infringida por um corpo mendigo

uma alma presa à pedra inacabada

tal como é sutilmente repousada

na calçada uma manhã de domingo


Agora em seus canteiros um sonho malfazejo

de buscar as mãos, o colo da calçada

e olhar em seus olhos na alvorada

antes de dar-me de novo ao seu beijo

Quarta-feira, 9 de Julho de 2008

aRT.i.CuLaDo


Saber lidar com suas ligações
e articulá-las em suas funções
é a estratégia a se entreter
pra sentir o gosto de poder.

Equilibre, em si, as situações
que imprimem pilhas de pressões.
Distribua relativamente os seus esforços
para dominar seus osssos.

Em pé, poderá permanecer
nesse eterno enrijecer
de nos manter espertos.

Se vacilar ao se recolher,
não terá tempo de esmaecer
ante a virar recheio num espeto.

Segunda-feira, 23 de Junho de 2008

EnTimesmado


Você se esconde nos seus lapsos vocais,
você me prende cada dia um pouco mais.
Eu faço tudo que eu puder para trazer
mais para perto o meu desejo de você.

Os seus vacilos não me trazem grilos
as minhas idéias não têm sigilo.
As suas arguras são fáceis de esquecer.
não pense nunca em me arrefecer.

Sua vontade tem asas largas
pode planar macias as suas sagas
atrás de mais um naco de esperança.

Lhe enlaço em face ao que faço, fácil:
fazer você sorrir é o meu prazer dócil.
Com você, posso bailar em toda dança.

Quarta-feira, 4 de Junho de 2008

Dapávirada

Tem que fazer virar,
tem que fazer acontecer,
tem que valer a pena.

Você tem que tentar,
provar que pode ser
que a sua alma não é pequena.

Tem de desenrolar
para poder passar.
Vai se envolver nesses problemas.

Só vai se segurar,
se essa maré baixar,
se resolver os seus dilemas.

Eu sonho no luar
em te pegar no ar
para provar da sua gema.

Se cê me acompanhar
ninguém vai segurar
pra nossa ação não há algema.

Quando quiser ligar
aqui eu vou estar
E vamos juntos neste esquema.

É assim que vai ficar
nós dois a emparelhar
pra dar um jeito em nossa cena.

Quinta-feira, 29 de Maio de 2008

Crisado


Quando, às vezes, essa onda me engole
fico um tempo afogado, eu fico mole.
Mas, se passa, em um estante resplandece
os desejos gloriosos da minha prece.

Olha só, tudo muda muitas vezes.
Sua vida ainda terá muitos revezes.
Ser você é navegar nessa tormenta,
não ter medo de buscar o que intenta.

Só não ceda às pressões das correntezas,
que o levam leviano em incertezas
por onde nunca ousaria navegar.

Nade intempestivamente neste oceano
e, ao se sustentar neste auto-engano,
na crista dessas ondas poderá surfar.

Sábado, 17 de Maio de 2008

Vulcão Vitorioso


Essa lava que irrompe do meu peito

surgiu de um jeito misterioso.

Aguardava, há um tempo, nesta terra

Para mudar e animar o povo.


Poços de Caldas é minha paixão

É o meu time glorioso!

Em qualquer campo surge um Vulcão.

Vitorioso! Vitorioso!


Equipe unida, a melhor das montanhas,

no Sul de Minas derrama suas entranhas.

Nas praças, Thermas e Palace Cassino
seu futebol é declamado em hino.


A raça, força e determinação

são os motores desta nação.

Fazem o Poços Futebol Clube

avançar para ser o campeão!


Poços de Caldas é minha paixão

É o meu time glorioso!

Em qualquer campo surge um Vulcão.

Vitorioso! Vitorioso!


Nossas águas sulfurosas já diziam

e os minérios deste solo prediziam

as riquezas que este time vai trazer

e com Poços sempre se engrandecer.


Poços de Caldas é minha paixão

É o meu time glorioso!

Em qualquer campo surge um Vulcão.

Vitorioso! Vitorioso!

Quinta-feira, 17 de Abril de 2008

Ladrão de emoção

Roubei tuas lágrimas
E fiz delas minhas
Roubei teu sofrimento
E fiz dele cimento
Roubei tua tristeza
E fiz dela certeza
Roubei tua indecisão
E fiz dela cisão
Roubei teu amor
E fiz dele clamor
Roubei tua paixão
E fiz dela meu chão
Roubei tua alegria
E fiz dela alergia
Roubei tua energia
Roubei também teu sorriso
E fiz de improviso
Assim, minha sinergia

Segunda-feira, 14 de Abril de 2008

Confesse

Vasos devassos
Recheios rasos

Curte o costume
Assunta e assume,
Sou vaga-lume

Não pisco
Não risco
Ar de arisco

Esquenta o esquecimento
Esquece o acento,
Sou lento

O estreito estremece
E tudo merece
Confesse!

Terça-feira, 1 de Abril de 2008

Um cheiro

O seu cheiro impregnou em mim
todas as frases saem assim:
sem atingirem rumo algum,
como as palavras dignas de um bebum.
...
Mesmo sem tocar a sua pele
sinto seu corpo, sem que me rele
nennhuma parte sua, além das letras
as que encheram meu ar de tretas.
...
Pensando em em você eu não escrevo
uma só frase com algum relevo
que possam, de um jeito, me explicar.
...
As minhas orações são desconexas
diante de suas expressões perplexas
que só confundem, ainda mais, meu conjungar.

Segunda-feira, 24 de Março de 2008

De ondes...

POESIA E FOTO DE RAPHAEL ALVES





De onde a angústia vem?
Vem com o calor, ou como calafrio?
Vem pelo ar? Vem pelo rio?
Vem por que, quando e de quem?


De onde vem tal questão intransitiva?
Sem complemento...
A todo momento...
Solta em mim, à deriva


De onde vem o verbo a que me refiro?
Se antes de dizê-lojá o retiro
Por que seguiu para o horizonte?


E já que não pude detê-lo
alguém me esconda...
alguém me conte

Segunda-feira, 17 de Março de 2008

Ao Léo

De madrugada,

por que você correu de mim?

Você que amarrou os meus EUs

meus Titos, Benes, Ivans.

A sua figura me assusta

por me fazer ver minha descrença

por aumentar as possibildiades

e impestiar minha letargia

por me causar inveja

por limitar meus olhos

por enchê-los de lágrimas

Por me fazer ver

um mundo por outro prisma

Me ajude a retornar ao meu tempo

ao seu, ao nosso tempo.

Torne-se minha Lúcia,

minha Lena, minha Bia

apague meu pedro interior

acenda meu Rui

não me ponha Pingos

seja minha Vânia

minha Raquel

me ajude a viver

ao Léo.

Sexta-feira, 14 de Março de 2008

Internacionalização da Amazônia II

MATÉRIA DE RENAN ALBUQUERQUE PUBLICADA NO JORNAL AMAZONAS EM TEMPO NO DIA 14.03.2008. pÁGINA C8, MEIO AMBIENTE
...
Trata da INTERNACIONALIZAÇÃO DA AMAZÔNIA promovida, de fato, pelo sueco Johan Eliasch apoiado por altos escalões da política européia como pode ser conferido no site da organização http://www.coolearth.org/

PARA LER A MATÉRIA SALVE A IMAGEM ACIMA EM SEU COMPUTADOR
...
Para saber mais, leia ARTIGO-POÉTICO escrito por mim, publicado no Diário do Amazonas e, aqui, no dadosinversos.com
CLIQUE NO LINK ABAIXO
http://www.dadosinversos.com/2007/11/artigo-potico-dirio-do-amazonas.html

Lágrima

Você espreme minhas lágrimas
como um tubo de pasta de dente.
Não têm pra onde correrem sem
derramar...

Quinta-feira, 13 de Março de 2008

Ferrovia contra o desmatamento




CLIQUE OU SALVE AS IMAGEM EM SEU COMPUTADOR
PARA LER AS PARTES DO FOLDER

Terça-feira, 11 de Março de 2008

Artigo_ Diário do Amazonas_05.03.2008

Para ler o artigo, clique sobre a imagem

" Plínio Ribeiro, que está completando um mestrado em Administração Pública e Ciências Ambientais na Universidade de Columbia, foi um dos produtores do filme. Durante a filmagem do documentário "Return to the Amazon". ele foi coordenador das atividades no Brasil principalmente no planejamento e logística das expedições. Durante este período, escreveu um diário sobre suas impressões e aventuras em diversos e magníficos locais da floresta. O diário será publicado semanalmente e terá cinco partes.

...
O documentário “Return to the Amazon”, de Jean Michel Costeau, filmado durante os dois últimos anos, refaz os caminhos do oceanógrafo Jacques Costeau pela Amazônia, quando filmou “A journey of a thousand rivers, em 1982 e 1983. Seu filho, Jean Michel é o diretor do novo filme, que tem estréia marcada na primeira semana de abril na PBS (Public Broadcast System), uma TV pública norte-americana." (Texto dos Editores de O ECO)

.....

PARA LER O DIÁRIO DE PLÍNIO COM SUAS CRÔNICAS SOBRE A PRODUÇÃO DO DOCUMENTÁRIO "RETURN TO THE AMAZON" DE JEAN MICHEL COUSTEAU, EM O ECO, CLIQUE AQUI.

....

Sexta-feira, 7 de Março de 2008

Desatino

Poesia e Foto de Fernanda Preto

tenho tudo e nada tenho
sou tudo e nada sou
e quando penso que sei
que achei
nada sei e nada...
porque nem sei o que busquei
e na busca
vou vivendo
cada momento
oras me enganando
oras me surpreendendo
muitas vezes me odiando
e poucas me entendendo
e em nada me atrai esse jogo
que me joga num encosto
numa provocação vazia
de emoções fugidias
de encontros prazerosos,
porém inescrupulosos
de desejos vazios, cheios de incertezas,
de labirintos, arrancados de um recheio insoso,
doloroso, doentio...
que exalam o amor escondido
de tudo e de todos,
no ritmo acelerado da insatisfação
que transborda o desatino, exacerbado,
sempre repentino, incontrolável,
desejável, mas confuso...
Complicado...
E a pele que dilata insaciável
na espera do trancafiado,
coração dilacerado
por um passado desconhecido,
Marcado

Quinta-feira, 6 de Março de 2008

Diário de Viagem

Poesia e foto de Raphael Alves
aspalavrasmaissinceras.blogspot.com

Houve muitos dias...

Muito mais que alegrias

escondidas na bagagem

desta curta e finita viagem

...

Houve fantasia...

Muito mais que poesia

escolhida numa triagem

para esta longa e infinita mensagem

...

E há este relicário

cujo valor imaginário

é o de um dia que fora eterno

...
Mas acaba em São João

e se todos verão

eu, humildemente, inverno

Terça-feira, 4 de Março de 2008

Pós-caldense



Seus morros me fazem planar.
Seu frio me faz esquentar
e sua beleza, não sei quê falar.

Sou seu, em quê distância viver.
é minha, mesmo quantos tiver.
Sou Caldas se você quiser.

Sua ordem me faz divulgar.
Seu progresso tem bom paladar
e suas ruas são boas de andar.

Cada praça uma linda mulher,
cada café me domina o saber
de estar em si seja onde estiver.

Quarta-feira, 27 de Fevereiro de 2008

Queda Ocular

Quando cheguei no solo extasiado,
mirei o teu semblante logo ao lado.
Só de te ver acelerei as sensações
dentro de mim em grandes proporções.

Vou mergulhar de ponta no teu cristalino
entrar em queda livre no teu desatino.
O brilho dos teus olhos é a minha sina
parece engolir meu mundo com a retina.

A tua íris é o meu céu encantador
e a tua pupila dilatada oprime a dor
que eu sentiria sem estes momentos.

Abrirei meu pára-quedas no teu peito
pra me dissolver em ti, ser rarefeito.
E poder voar tranquilo em teus inVentos.

Domingo, 24 de Fevereiro de 2008

Contradito


Nada é como esperamos.
Ao pedir paz, brigamos.
Ao brigar, reconciliamos.
Ao querer comer, inflamos
e ao chorar, secamos.
Assim que somos, sumimos.
Se quisermos sumir, assumimos.
Ao se limpar, suínos.
Pra não acontecer
é só imaginar.
Se quiser lembrar, esqueço.
O que tem nos pés, cabeça.
O que tem nas mãos, engessa.
Para fugir sem pressa
pare de roer a mesa.
Para almoçar, a sobremesa.
Ao desconstruir, firmeza.
Ao pesar, leveza.
O reencontro é a arte do desencontro.
Para unir, desate.
Para respirar, enfarte.
Para calar, se parta.
Se quiser ficar, reparta.

Sábado, 23 de Fevereiro de 2008

mata_barata

baratas
suas ratas
se arrastam
nas arestas
sudorizam
os ladrilhos.
não dão ares
de andarilhos
mas insistem
em perambular.

Vou causar-lhes
morte.
e o chinelo
é o chicote
pra lhes açoitar.

Quarta-feira, 20 de Fevereiro de 2008

Nem me viu

Foto de Homero Flávio da Cuíca



Quem te viu, quem te vê

Bem-te-vi

A tua vida vadia

evadiu.

Se envolveu nos vacilos

da vida.

Visando averbar a revira-

volta.

Se teus sonhos sadios

dormiram,

se enfadou nos caminhos

fodidos

e faliu sua chance

de mudar sua

história.

Se roeu nas raízes

dos males

e morreu sem

brincares

nessa vida

arredia.

Segunda-feira, 18 de Fevereiro de 2008

Subtração

Poesia e foto de Raphael Alves

É sobre este estado de subtração

com milhas e milhas de falso pudor

que se apresenta em Novo Airão

e compreende o Estirão do Equador

...

E é sobre a serenidade que vive a viajar

E nem deixou seus votos por aqui

Não me encontrou em Amaturá

tampouco achou-me em Beruri

...

É sobre o ladrar dos cães

e sobre o silêncio que já descansa em paz

É da cor de Alvarães

e da textura de Codajás

...

É ainda o porquê destas palavras afins

que jorraram pela semana inteira

ao nascerem em Tonantins

e seguirem para São Gabriel da Cachoeira

...

E nunca quis soar estranho

com pretensões de mundos inteiros

Pois não foi várzea nem castanho

Refiro-me aos Careiros

...

Mas sempre foi sobre a descrença

deitada nua em pleno divã

que sequer fora a São Paulo de Olivença

mas implorava por Benjamin Constant

Quarta-feira, 13 de Fevereiro de 2008

Torresmo

A Saudade
essa vadia
dá pra todo mundo
a qualquer hora
por qualquer coisa
em qualquer dia.
Quero afogá-la
em lamentações
e expulsá-la
pr´outras estações.
Só quero ter
saudade
da Saudade mesma
e sair ileso
de virar
Torresmo.

Domingo, 10 de Fevereiro de 2008

Paixão Interrompida





Desajustados batem meus ventrículos
e a minha face obedece aos ventríloquos
que ajustam o caminhar da minha boca
ao me permitir só entoar essa voz rouca.

Só tem sangue venoso nos meus átrios
e esqueço os propalados adjetivos pátrios
para dar espaço à nossa paixão sadia
acabada em doses extras de covardia.

Romperam-se as funções das válvulas
e se puder lhe reciclar, salvo-las
para poder restar alguma parte minha.

A sua ausência desconjuntou os batimentos
e, por ora, os meus olhos são lamentos
de um coração a morrer de arritmia.

Quinta-feira, 7 de Fevereiro de 2008

Em meio aos templos derrubados

A12 Internacional/ Estadão dia 12/09/2005

Poesia de Daniel Fleming e Vilauba Herrera
Foto de Moreno Bastos

O texto do ditador é taxativo:
será feito sem dó nem piedade
O ataque é nuclear e preventivo.
Vão procurar nos escombros, a liberdade.

Enquanto mexem com a Faixa de Gaza
e lançam seus gases venenosos
o Homem do povo fica e o Severino Vaza
desses dias corruptos assombrosos.

Fardados vêm em plena chacina,
avançam de raio laser e avião,
correm de volta para a faxina
após a visita de um furacão.

Ao contrário de um cidadão assíduo,
em baixa o Bush puxa
a um corrupto conspícuo
sabujo de rabugice murcha.

Viciados pela diabólica doutrina,
disfarçados em capa democrata,
beijam os pés de Ofélia e Katrina
planejando o próximo tapa.

Segunda-feira, 4 de Fevereiro de 2008

Labirinto Gramatical

POESIA E FOTO DE RAPHAEL ALVES



Bom dia, boa tarde
Como vai, vossa excelência?
Hífen na metade
No fim, só reticências


Ando bem substantivo
Um pouco preposição
Um tanto adjetivo
Puramente conjunção

Estou perplexo
Mas que absurdo!
Nada circunflexo
Tudo muito agudo

É que o período simples
Tornou-se composto
Meio vocativo
Extremamente aposto

Foi uma vírgula, frase separada
Hora da exclamação
Ponto final? Que nada!
Olha o tamanho da interrogação

Sábado, 2 de Fevereiro de 2008

Pacto equilibrista



Tiro com esforço a tua blusa,
mas não assomes: me abusa.
Ao Libertar teus safos seios,
Sufoco num sopro os devaneios.
...
O teu cabelo é uma confortável cama
e a tua boca acende a minha chama.
Vou querer te pegar de novo,
se o teu céu clarear, eu chovo.
...
É doloroso me desfazer de ti
e me dissolvo ao te ver partir
pr´essa tua vida equilibrista.
...
O que eu disse foi o que senti
e vou virar saudades sem ti
nessa minha vida de malabarista.

Quinta-feira, 31 de Janeiro de 2008

Mulher de Minutos

Poesia de Monica Montone
Vídeo de Jiddu Saldanha


Não sou mulher de minutos
Daquelas que os segundos varrem
Para debaixo do tapete sujo

Não pinto os cabelos de fogo
Nem faço tatuagem no umbigo
Me recuso a usar corpetes e cinta-liga

Há sementes em meu ventre
São palavras que ainda não reguei
Prefiro guardá-las em silêncio
Até que o tempo amadureça os meus minutos
E a vida me contemple com seus frutos

Eu não borro os meus cílios na solidão da noite
Nem pinto meu rosto com a palidez das manhãs
Meu corpo é feito de marés
Onde navegam mil anseios
Eles são como veleiros sem direção
Porque eu estou sempre na contra-mão.

Terça-feira, 29 de Janeiro de 2008

As Cachoeiras do Santo Gabriel

Poesia e foto de Juliana Biscalquin


"Saúdo a todos, com ares de festa, com vinho de pupunha, com beijú e kiampira e um peixe bem muquiado. Envio meus sinais de fumaça de que retornei e quase intacta. Grata aos que vibraram. Entre piolhos já exterminados, queimaduras negligentemente cuidadas, picadas de origem anfibológica, vômitos e diarréias (sobre os quais seria dificil poetizar) sobrou ainda mais disposição para descobrir mundos novos, dentro e fora de mim. Katehe naka. Katehe xita. Estou de volta! Com os mesmos 20 e poucos anos e a bagagem um pouco mais pesada. "



São mais de cinco os mercenários, donos da cidadela

E mais de três os bêbados cristãos ordenados

Mais de nove os políticos endinheirados

São quarenta mil cento e trinta e sete¹ os explorados



São vinte e três as etnias

Imensuráveis as riquezas linguísticas

Que nas bocas opacas e oprimidas

Se convertem em palavras mínguas



O caos urbano

de um desregrado crescimento

Faz a ‘Bela’² continuar dormindo

De tanto acanhamento



Fome, dor, suicídio

Perspectiva, subjulgamento, omissão

51 é pra dar sentido

Ao que esfarinhou o coração



(O)Brigada Infantaria de Selva

Que à fronteira traz proteção

Pelo suor, pelo trabalho,

Colômbia!

Pelas promessas e prostituição



A mais indígena das cidades brasileiras

Tem Maria, tem Joana e Edivanson

São tukanos, barés, banivas-

-“Me chamo Cacique Henrique de Almeida³”



O xibé e o tabaco

Adiam o ronco do estômago, dolorido

Indigesta realidade manauara

Na minha barriga de branca bem alimentada



Observações:

¹ IBGE 2007

²"Bela Adormecida" - De São Gabriel da Cachoeira, avista-se a Serra de Curicuriari. Foi apelidada com o nome da fábula infantil por suas formas parecerem a de uma mulher deitada e dormindo.

³ Nomes reais, assim como os personagens do primeiro verso.

Domingo, 27 de Janeiro de 2008

Irrenunciável

Poesia e foto de Raphael Alves




Se de pedras e asfalto ao avesso
fazem-se essas ruas vadias
É em nuviosa melodia
que ao canto desapareço
...
Pelo tempo, o nosso apreço
inda maior seria
Se no fim da ventania
soprasse o recomeço
...
Com punhado de terra e água
misturados sorriso e mágoa
fez-se história de raiz forte
...
Contada à nossa maneira
com rimas de vida inteira
e capítulos para além da morte

Sexta-feira, 25 de Janeiro de 2008

BRANCA

Foto de Fernanda Preto

Amanheci apaixonado em ti
e se tinha receio por ti, o parti!
Vou declarar-te os anseios
pra me encontrar nos teus seios.

Estou viciado em tua chatice
e as palavras que nunca te disse,
vou despejá-las numa só frase:
Vou te comer em catarse!

Vou devorar teus assuntos
para criar em conjunto
o Universo na cama.

Nossas estrelas serão o teto,
nossa foda será o concreto
e essa vida será nossa trama.

Quarta-feira, 23 de Janeiro de 2008

FODA!

Foto de Fernanda Preto
www.fernandapreto.com

O seu pisar
é ímpar.
Seus calcanhares,
pazes.
As suas pernas,
ternas.
A sua coxa,
poxa!
A sua anca
espanca.
A sua bunda
abunda.
As suas costas,
postas.
Os seus seios
cheios.
O seu pescoço
eu coço.
A sua boca,
almoço.
Os seus cabelos:
lê-los.
O seu carinho,
ninho.
O seu sorriso,
piso.
Os seus olhares,
lares
e você toda
é FODA!

Quinta-feira, 17 de Janeiro de 2008

Vamu Botá Pá Frente

Poesia de Daniel Fleming e Vilauba Herrera - www.resmungosnovos.blogspot.com
Foto de [de lima] e.c.- www.venenodubem.blogspot.com




Vem_____Vista a sua peita,

Vai ______entre nessa barca

Vem _____e vamos pro churca.

Vai ______Vamu botá pá frente!

Vem_____________________

Vai ______Demente, indigente, tenente

Vem _____Vamu botá pá frente!

Vai______Quem faz a vida é a gente.

Vem_____ Faça de você, contente.

Vai______________________

Vem_____ Mude sua língua.

Vai______Invente novos motes.

Vem_____Vamu botá pá frente!

Vai______________________

Vem_____Invista na sua força.

Vai______Vamos catar a moça.

Vem_____Vamu botá pá frente!

Água

Quarta-feira, 16 de Janeiro de 2008

Os mEUS EUS e os tEUS

Não me venha com baboseiras,
de explicar nossa existência.
As suas soluções caseiras,
acabaram em deficiência.

O mEU dEUS são os tEUS
os tEUS EUS são os mEUS
o DEUS mEU é o EU
e o EU tEU é o sEU DEUS

Há uma infinidade de deuses,
que, em conjunto fazem os meses.
Não somos só universo,
somos o verso de um pluriverso

Eu sou o DEUS do mEU EU
EU sou o mEU se for tEU
EU sou DEUS sendo tEU
E o tEU DEUS somos NÓS

Santa Hipocrisia

Papemos prontamente o papa
esse popular não nos escapa.
Tem coragem de pedir castidade
e pensa estar na antigüidade.
.....
Pra ser papa tem de estar gagá,
pra nunca poder se indagar
se as besteiras que fala
estão aos conformes da sala.
......
Ponham esse doido no hospício!
Sua doutrina traz malefício
para a cabeça de um crente.
.....
Use sempre o preservativo!
Veja o que passa no coletivo
Pra ter a verdade na mente.

Segunda-feira, 14 de Janeiro de 2008

Artigo- Diário do Amazonas_18_12_2007


Publicado originalmente em http://www.narcosphere.com/ de http://www.narconews.com/

Como o Jornal não publicou o artigo na íntegra por omissão ou falta de visão faço-o abaixo.

Pela expulsão da Suez


* Daniel Fleming, jornalista, poeta e autor de dadosinversos.com


As vias sanguíneas estão congestionadas.
Há interrupções arteriais engorduradas.
Os ossos descalcificados não suportam
o peso estonteante que os entortam.

Os pés dessa cidade estão tortos
e os dedos das suas mãos, devotos
às suas preces vãs. Desesperados
pedem aos seus atores mais cuidados.

Há músculos lisos estirados
que de esforçados se romperam.
As articulações dobram erradas
tornam as suas pernas esgarçadas.

As coxas suportam esse peso
de um tronco farto de obeso.
No centro cerebral estupefato
rompem-se adutoras num infarto.


Os manauaras não gostam que critiquem Manaus. Mas a crise e crítica são as únicas formas de começar a mudar a exígua infra-estrutura deste conglomerado urbano. Só depois de muito questionamento é que esta cidade vai parar de sofrer com o trânsito descabido, com as quedas constantes de energia, com a ausência no tratamento de esgoto, com o rompimento constante de adutoras e a falta d´água nas casas de uns e da ausência total na casa de outros.
Apesar, de estar localizada na maior bacia hidrográfica do mundo, 850 mil cidadãos de Manaus sofrem com falta d´água todos os dias, principalmente nas zonas Norte e Leste. 300 mil não têm sequer abastecimento. Culpados? O poder público, principalmente, Prefeitura Municipal e seus avalistas da Câmara Municipal que não cancelaram a concessão da distribuição de água. O contrato firmado, em 2000, com a empresa Suez Lyonnaise dês Eaux, vulgo Águas do Amazonas, não foi cumprido.
Ao invés do cancelamento, a empresa francesa foi beneficiada com um indigno aditivo no contrato em janeiro de 2007 pelo Prefeito Serafim Corrêa. No aditivo, está estabelecido que a empresa só tem a obrigação de fornecer água aos manauaras durante 12 horas por dia. O serviço não melhorou, os lucros da empresa sim.
Em janeiro deste ano, haverá outra surpresa, prevista no presentinho do Serafim: reajuste de 9,24% referentes ao período de maio de 2006 à novembro de 2007. Em fevereiro, já havia sido concedido aumento nas tarifas de 24,09% , enquanto a inflação (IGP-M) acumulada em um ano foi de 3,68%. Os manauaras estão pagando caro por um serviço porco. Os donos desta empresinha não estão nem aí, moram na França, tomam banho com água Perrier, ao mesmo tempo que os “índios” do Brasil, que lhe garantem o luxo, se banham no esgoto dos fétidos igarapés que eles tinham a obrigação de tratar.
Em 2004, o Uruguai declarou a água como bem de todos eproibiu sua privatização Em 2005, a Suez foi expulsa da Bolívia. Em 2006, a Suez foi expulsa da Argentina. Em Manaus, a espoliação está firmada até 2045, ainda há tempo de se fazer justiça.

Sexta-feira, 11 de Janeiro de 2008

Poema da Batalha

Poesia de Gabriela Correa
Música de Thiago Correa



Sabes quando aperta-te o peito?
Angustiado permanece, preso
Tente respirar com todo este peso
Sufoca a alma e o orgulho
Pensas que quero ferir-te?
Machuco a ti e a mim

Equívocos são como pedras
Atingem a cabeça que se põe a ressoar
Vibração que arde, corta coração
Retalhos de sentimentos largados ao chão
Colho-me, varro-me.

Aspire meus erros e os jogue fora
Limpe os vestígios e lustre os absurdos
Com esforço talvez se tornem glórias

Procuro a fronteira que me separa da exatidão
Sou imigrante, não tenho permissão
Choco-me com a guarda, violentamente
Mas sou fraca, perco a batalha sangrenta
Dentre tanto sofrimento hasteio a bandeira da paz

Segunda-feira, 7 de Janeiro de 2008

Aurora




Se a tristeza consumir seu dia

levante-se para uma nova guia

que fará tudo a seu belprazer,

assim que ela puder crescer.



Só se lembrará desse novo dia

que lhe matará a melancolia

e fará sempre algo por você.

É sempre assim que vai ser.



Em todas suas decepções

terá muitas outras opções

para conseguir reestabelecer.



Batam em conjunto novos corações!

E esta ressonância nos dará trações

para todo dia a Aurora nascer.

Pedido de adoção





Para esse pedido de adoção

encho o meu ar de comoção

para aceitar um filho pródigo

que tenta desvendar seu código.



Conheço-lhe tão pouco,

mas sinto-me tão seu.

Prometo só lhe deixar aos prantos

e retornar para entoar seus cantos.



Quero me banhar na sua luz.

Sua geografia é que me conduz

com atitude de ripa-na-chulipa.



Quero me esbaldar nas suas praias

e converter suas guapas de saias,

pois, sou filho de Floriano com Floripa.

Fortaleza





Em um encontro inesperado no busão

foi que aconteceu, talvez, a solução.

Pena estar em sua Fortaleza ancorada

e eu perdido numa vida abandonada.


A sonegação feita no seu beijo

é mesmo a resposta que almejo

de uma mulher instigante no acento

que fez das minhas palavras, vento.


Só não faça desgastar meu repertório

e mê de algo mais que terno e irrisório,

pois, quero lhe ter, seja quando for.


Posso amargar a sua ausência

se estiver certo da anuência

de que verei sempre a sua cor.

Ditadura da honra

Poesia de Roberto Madureira

Tocava nos autos registros históricos
Qual não fosse insolência do Capitão do Mato
Sangue do sangue, ainda assim insensato
Capaz de aflorar instinto pouco bucólico

De dia é a troca: sangue por asas
E a depravação, ao cair da tarde
E os seus infurnados em estéreis senzalas
Com o rosto cortado e a carne que arde

Pois eis que chegamos na modernidade
E a bagagem do crápula ainda perdura
Eu carrego pra vida, ainda que dura
Que irmão é irmão, não tem cor nem idade

Mas se espalha no ar cheiro de capital
A máscara cai antes mesmo de abril
Macho se afina e Deus vira mortal
Pelo tal do dinheiro que move o Brasil

Pois é chegada a hora de um novo apartheid
Segregar: homens, meninos e corruptíveis
Se a Justiça é cega e não os enxerga
Cabe aos homens fazê-lo, indefectíveis

Avante honestos, dominem, vão além
Coloquem de pé a ditadura da honra
E pra que desprovidos de caráter ainda possam lutar

Dê-lhes apenas um punhado de notas de cem

Terça-feira, 25 de Dezembro de 2007

Janto-lhe-as



Espantalho-me com a asneiração

esbravejante dessa população.
Ao esbugalhar abrigos beiram

ao genocídio que asseveram.


Madureira me alertou, enfático,

da importância do que ratifico:

para conquistar o seu domínio

exige-se pronto um agir exímio.


A elegância de suas postulações

vão repercutir entre as razões

e poderão lhes fazer conquistar.


O quebraencabeçamento dos motes

vão fazer dos seus dotes

a sua arma de estimular.

Quarta-feira, 19 de Dezembro de 2007

À Caminho do Ninho





Avisem aos meus amigos do retorno

deste cidadão decidido e soturno

à tomar seu caminho de volta.


Avisem: ele virá de avião

e chegará nesta estação

e que virá sem escolta.


Avisem para prepararem as festas

para afinarem as orquestras

e entoarem as canções que gosta.

Sinapses Relapsas


Ao permanecer o provisório.
Improviso ao irrisório.
Minhas sinapses relapsas.
São lapsos de aspas.

Assobio o sabe-se lá.
Sabido ressabiado.
Subo sobre a sílaba,
embebido no esnobado

Excluído da centrífuga,
movimento do momento,
na favela o Rap é fuga
pra causar constrangimento.

Não há cimento,
apenas intento no acento.
Quando perdem crescem mais.
Assintóptico aos demais.

Terça-feira, 11 de Dezembro de 2007

Completo Desconhecido


Por um tempo,
pouco tempo,
você vem indiferente,
com ares de distância e
com olhares de desejo arrogante
de quem nada alcança.

Com a frieza de um homem pedante
que vive na ilusão, de quarto em quarto buscando
a satisfação inquietante, vazia... iludido,

de nada...

Talvez de olhares falsos insinuantes diante...
De cada mundo escondido
por trás de cada rosto banido
Por camadas de vidro,
que te mostram um caminho,
talvez escolhido, talvez encoberto.


Pelo medo do próximo passo
sozinho.
Um completo desconhecido...
Jogado do sonho
sofrido.

Pela tristeza do agora não vivido
e do amanhã já passado
remoto...

Mais uma vez iludido, engolido pelo ego,
envelhecido de possibilidades passadas,
ultrapassadas, ultrajadas...
Ferido.

De novo e ainda o desconhecido.
Continua na luz baixa do quarto,também,
esquecido.

Alguém que clama pelo próximo
pedido, embaçado, indeciso,
sozinho...

Com a imensidão aos pés,
mas com o domínio impedido...
Trancado...


Encravado nos próprios sentidos
não sentidos.
Armado de tempo passado parado,
agora fechado.
Lacrado.

Impenetrável.
Inexistente.
Insaciável.
Apagado.

Domingo, 9 de Dezembro de 2007

Eles não vão à Daslú



A sociedade foi feita por ricos.
E pros ricos ela foi desenhada.
Se um pobre não tiver muito afinco,
Vai viver pra sempre na merda.

Se quiséssemos distribuição igualitária,
Estabeleceríamos um teto de riqueza.
Mas quem for, na pobreza, um pária,
Terá milhões de reais em tristeza.

Ilhas, mansões, carrões, Daslú.
Fome, miséria e calor no talo.
Os pobres morrem como patos, incautos
Amarrados na escravidão dos cotratos.

Vídeo de Bernardo Fernandes, Marcella Elias e Vinícius Zanotti

Ser Calmociteno

Poésia de Vilauba Herrera
O sol socou-lhe a cara, depois das 12 horas.

Acordou flácido e com o queixo dolorido.

Para não pregar os olhos, tomou um comprimido.

Gole de vinho avinagrado para acelerar a melhora.


Dizia que não existe bom dia pela manhã.

A raiva quente ao bocejar, que lhe domina

cuidava com banho frio e aquela dose de Ritalina

Já no metrô, se acalmava com um drops Diazepan.


Baldeação, tumulto e correria até o final.

Descia louco, xingava todos, "Vão pra puta que pariu!"

Entrava na primeira lanchonete: "Me arranja um Rivotril"!


O dia passava soturno, não olhava pela janela.

Procurava alguém, inconformado, louco por um revide.

Mas só encontrava o caos que almejava, dentro de um Dualid.


Seu Crime




O seu corpo é a imagem da perfeição.

Receio que minhas palavras não a descreverão

com a delicadeza merecida.


Seus ombros são os cabides dessa veste.

Os seus seios são doces taças de néctar.

A sua anca é suporte de um corpo delicado

e de nádegas arrebitadas.


Suas coxas claras escondem a beleza do seu sexo.

Seus pés macios parecem pisar nas nuvens.

A sua pele sedosa é cobertura sublime.


Eu sou

seu crime.

Sábado, 8 de Dezembro de 2007

Desfaçatez

Poesia de Gilton Bezerra


Para ser mais cortês,

denominei desfaçatez

o fim do ano mais uma vez.

E as diárias ... Sou freguês!


Quero dá e receber.

Só tenho banana e abacaxi.

Depois nem estou mais por aqui.

E as diárias ... Sou freguês!


Os clientes morrem de fome.

Nós morremos engasgados.

Eles porque não comem,

nós porque as diárias ... Sou freguês!


Alguns exclamam, interrogam...

Nós chamamos isso de feira

Talvez conheçam por farra.

Mas de que importa? ... Sou freguês!

Sexta-feira, 7 de Dezembro de 2007

RDDM




Respeito, democraticamente, aos direitos das mentes!

Repito renitente essa regra sem algum medo e defeito.

Respeito, democraticamente, aos direitos das mentes!

Em sociedade, entre os homens, só isso pode ser feito.


Respeito os direitos da mente até de um crente.

Contanto, que mudar minha mente não intente.

Meu peito pesa ao ter de decidir em um pleito

pela mente que pesa. Eleita para nos dar jeito.


Respeito os direitos da mente doente

se restrita estiver entre seu ambiente,

se não tratar de atentar no meu leito.


Respeito os direitos da mente inocente.

Até da que nega respeitar a gente.

Pois, o quê pensa será rarefeito.

Quinta-feira, 6 de Dezembro de 2007

Sem dor, sem ganho



Algumas vezes, a beleza está

na miopia dos nossos olhos,

no grau alcólico do sangue,

ou na satisfação com a vida.


E, muitas vezes, a feiura está

no senso crítico aguçado,

na tristeza de um endiabrado,

e no ardor obrigatório da lida.


O Belo e o Feio estão na percepção

e,não, em sua concretude física.

Prova disso é o amor e a paixão!


Os sentimentos nascem com a música

e trazem alento ao feio que a compaixão

o transformará em belo numa mente lúdica.



a doçura do ácido perpassa a materialidade

Terça-feira, 4 de Dezembro de 2007

Calango




Não te prendo nem nas lentes

da fotografia.

Mas, posso te prender

em minha

caligrafia.

Domingo, 2 de Dezembro de 2007

Estatutos do olhar

Poesia e foto de Raphael Alves

Artigo I

Fica estabelecida como identidade do ser humano não mais sua impressão digital e sua assinatura, mas seu olhar.


Artigo II

Fica decretado que o olhar é bem individual, tal como suas inúmeras interpretações. E é dever de todos respeitar a visão de mundo do próximo


Artigo III

Fica decretado que a beleza está para o olhar como este, por sua vez, está para a alma e que esta aliança entre os três é indissolúvel.


Artigo IV

Fica decretado que é irrevogável, inalienável e irrenunciável o direito de cada um emocionar-se diante das belezas da vida.


Artigo V

Fica proibido o condicionamento do olhar apenas para o mal, tal como qualquer expressão ou indício de indiferença no semblante diante da humilhação e exclusão alheias.


Parágrafo único

O olhar humano passa a ser livre como os olhos do condor que passeia sobre os Andes.


Artigo VI

Fica decretado que a verdade deixa, a partir de agora, de ser uma palavra para tornar-se a característica de cada olhar.
Parágrafo único
Cada dia passa a ser o Dia Oficial do “Olhar Com Bons Olhos”.


Artigo VII

Fica estabelecido que as lágrimas serão o único remédio do olhar sincero para a alma ferida.


Artigo VIII

Ficam estabelecidas como primeira e derradeira comunicações o olhar direcionado a outro.
Parágrafo Único
As palavras tornam-se meras coadjuvantes na comunicação diante da importância do olhar nos olhos.


Artigo IX

Fica estabelecido que a alma será o guia daqueles que, por decisão divina, nasceram sem ou perderam o dom da visão.


Artigo X

Passam a ser as Sete Maravilhas do Mundo:

a) O primeiro abrir de olhos do recém-nascido;

b) O olhar da mãe que amamenta o filho;

c) O olhar do pai que recebe o filho pela primeira vez no colo;

d) O olhar sábio dos idosos;

e) O olhar confortante da amizade;

f) O olhar da criança diante do brinquedo inesperado;

g) O olhar dos casais apaixonados.

E passa, também, a ser dever de todos contemplar, praticar e cultivar esses bens.


Artigo XI

Fica estabelecida a pureza do olhar como a suprema lei: a partir de agora, todos devem alinhar olhos e alma para contemplar o mundo, desbravando-o e redescobrindo-o com o deslumbramento dos olhos de uma eterna criança.





Sexta-feira, 30 de Novembro de 2007

Artigo-poético Diário do Amazonas - 30/11/2007



Clique na imagem para ler o artigo



Quinta-feira, 29 de Novembro de 2007

Putos Potros


O padrão é o patrão do potro

e regula os pentelhos do escroto.

Puta que pariu se essa porra me pega!

É uma doença crônica, brava e brega.


As patifarias ordenadas por um torto

querem corrigir os ossos do meu corpo.

Porém, essa intransigência só relega

o trabalho atribulado a que se entrega.


Estou, no meu despadrão, absorto.

E não parto as partes do meu porto,

nem do barco que, nele, navega.


Vamos padronizar o desimposto.

Daí, o estilo será nosso encosto

e a desordem será nossa regra.

Helô do Elo


Olha Helô do elo:
do outro lado do duelo
devo que me devore
Sim!
Escreva uma árvore!

Dá pra vê-la depravada
mesmo ao estar desesperada.
Sem empecilho no gatilho.
Sim!
Plante um filho!

Serve o acervo de cevada.
És diva evadida enviesada.
Ao ser sincera, sou missivo.
Sim!
Tenha um livro!

Se a ti não verso,
ninguém versa.
Não fico apenas imerso
num belo par de conversa
.

Quarta-feira, 28 de Novembro de 2007

PirilimpimPLIN


Posso te dizer PirilimpimPlin,

fostes um grande irmão pra mim.

Eu queria te ter sempre do lado,

mas vais pra longe ser iluminado.


Tu amenizastes a dor da distância

das pessoas que amo de infância

e me deu ânimo para que agüente

árduas situações deste clima quente.


Vá logo, mas volte pra contar

o que aprendeu em tua missão

Volte para ser nosso avatar.


Tenhas contigo minha gratidão

e minha mente vai te acompanhar

em qualquer ponto da imensidão.




Trigue-e-intrigue


Poxa Coxa,


cê cochou um calça frouxa nas coxas


e deixou a colcha roxa,

seu trouxa!?!
........
trava línguas de Moreno Bastos e Daniel Fleming

Segunda-feira, 26 de Novembro de 2007

Papa Inti


Grande provedor de nossas energias,

peço complacência à essa letargia.

Sei que também presta contas

ao Universo e não nos contas.


Mas, refaça os seus cálculos

e tire desse povo os obstáculos.

Estamos fartos da escassez de luz.

Nossa ferida é que nos conduz.


Mesmo com o afago dessa Lua,

nossa gente se sente nua

ao ir embora nos entardeceres.


Ilumine o caminho dessa rua

e faça dessa pobre gente tua

iluminados seres pra não pereceres.


Sexta-feira, 23 de Novembro de 2007

Diário do Amazonas - 23.11.2007 - pag-04-política


Clique na imagem para ler o artigo-poético

Quinta-feira, 22 de Novembro de 2007

Jolie


Minha Angelina Jolie

te espero, há tempos, aqui.

Quero me esparramar nos teus braços

e esse será nosso laço:

um abraço


Se puderes acariciar os meus dias

e nos esquentar nas noites frias,

serás minha tapioca com queijo

e, alguém, de quem não me queixo.

Um beijo

Quarta-feira, 21 de Novembro de 2007

Ponta de Pedras


Vou me confundir com sua areia
branca
Vou me difundir em sua veia
branda
Vou me esparramar em sua teia
tranca
...
De longe avisto as suas pedras
pardas
e sinto menos minhas nobres
perdas
e me perder daqui seria eterno
pranto

Sexta-feira, 16 de Novembro de 2007

Santana do Santo Nobre


Santana do Santo Nobre
tem poucos dentes na boca.
Porque os sorrisos são muitos.
Não sabe somar mais que quatro.
E, se lhe mostrar seu retrato,
não vai se lembrar de nada.
É que, em Alter do Chão,
não há espaço pra outra coisa
que não seja as mais maravilhosas
visões da vida.
E, enquanto puder pensar em mais nada,
Santana do Santo Nobre o fará.
Sol sobre o rio Tapajós.
Lua sobre os igapós.
Alter do Chão.
Alter de si.
Alter então.

Quarta-feira, 14 de Novembro de 2007

Sensação sem noção


Vou tirar a tua roupa devagar.

Me esfregar em todas as tuas partes.

Quando parte de teu corpo desnudar,

vou beijá-la até que tenha um enfarte!

..........

Limparei toda a tua pele com a língua.

E me ajudará com a tua ginga,

a te fazer gozar eternamente

com a impertinência sexual deste descrente.

.........

Quando eu me enfiar nos orifícios,

te farei pra sempre um nobre ofício

de transformar-te inteira em prazer.

............

Te fazer gozar é o artifício

pra me fazer gozar desde o início.

Pois, tua sensação é o meu lazer.
...
Originalmente publicada neste blog em 28/08/2006

Terça-feira, 13 de Novembro de 2007

Leseira Baré


Quanta vontade eu tenho
de não fazer nada no engenho.
O calor subtraiu minha força
penso em estar só mais minha moça.
.....
Para analisar a vagareza
tem de estar na natureza,
que condiciona os passos
na lentidão dos traços.
......
Mal consigo traçar letras
pra compor esse sone.....

Domingo, 11 de Novembro de 2007

Poesia vencedora do concurso de Poços/MG 2008

Interpretada por Selma Mixttura
Poços de Caldas - Minas Gerais - 11 de nov de 2008

.......
Transtorno da Bagunça Particular
........

Saiba: as confusões que fiz

foram profundas do tronco à raiz.

Se duvidou do que diz minha boca,

saiba que é doida, insana e louca!
.......

E da loucura entendo muito bem

e entre os doidos eu sei quem é quem.

Mas, você tem a sanidade pura,

que é a mais forte forma de loucura.
.......

Toda essa minha confusão

não chega perto de uma explicação.

Pois, entender é deixar morrer

o estimulante do que te faz Ser.
........

Eu sou confuso dentro do normal,

eu sou normal nessa confusão.

Eu sou o feliz mais triste na lida,

eu sou o triste mais feliz da vida.
.........

Foto de Sandra Bonates

Diário do Amazonas - 09/11/2007

Para ler o artigo, clique em cima da imagem

Sexta-feira, 9 de Novembro de 2007

Armoriar


Ponha um R rebelde em seu amor!

E faça dele sua arma contra a dor!

O amor nos faz cometer os erros .

E a violência nos leva aos enterros .

..........

Mas sepultar uma dor assim,

é conquistar a liberdade enfim.

E a atrocidade dos seus punhos

conseguirá realizar seus sonhos.

.........

Assim será, como uma zona armada,

a transfigurar, de uma mente alada

para poder parar o poder podre.

..........

Pedaços de ti em cada rajada

acertarão as caras deslavadas

e poderá prender a arma no coldre!

Quinta-feira, 8 de Novembro de 2007

Americanos somos nós


- velho!
-olha minha estratégia de guerra
-já pensou se a internet de um país inteiro fosse cortada da noite pro dia?
-ia ser o caos nos tempos modernos

-assim como ocorreu nos eua qdo todo mundo ficou sem tel...

-quando foi isso?
-mas com a internet seria muito pior
-imagina como funcionaria a bolsa?
-como os bancos funcionariam?

-no 11/09. ninguém se comunicava
-ia ser trash mesmo

-qual país vc pretende cortar a net?

-tem que sair alguma coisa dessa cabeça sobre isso
-de quem quiser guerrear com a gente
-ja disse que uma guerra mundial esta próxima

-vão querer roubar nosso petróleo já já.. depois de hj

-as diferenças se acirram cada vez mais entre o eixo
-Israel, EUA, UK X Irã, Venezuela, Córeia do Norte, Palestina, Iraque...
-Ocidente versus Oriente
-as coisas não vão ficar nessa estabilidade muito tempo...
-nós vamos presenciar isso
-pelo menos e o que minha intuição me fala
-as coisas rumam nesse sentido
-e pra qual lado vamos dessa vez?

-eu me abstenho.

-babaca
-eu sou Venezuela na cabeça

-vou me mudar para a pacata suécia

-se vc largar o país na hora que ele mais precisa de vc
-te renego no país se quiser voltar
-vai ser exilado

-eu sou pacificador, nem vem me chamar pra ir pra guerra
-se invadirem o brasil, eh uma coisa
-agora se invadirem os outros, q posso fazer?


-cê acha que os eua não vão querer usar o território brasileiro pra atacar a Venezuela?
-isso certamente vai nos colocar no meio da pendenga
-e acho bom
-precisamos mesmo resolver uns assuntos passados
-a expropriação do outro e prata
-a derrubada das florestas
-a escravidão dos negros e Índios
-vamos decretar nossa independência do consenso capitalista

Amar a Mata


Um sentimento de proteção à Mata

é uma ofensa declarada a quem mata.

Se quiser, acaso, mostrar reação

ao grileiro da Mata em grande fração,
..........

ponha seus pés na estrada de terra.

Sinta em sua pele: o mormaço ferra!

A ameaça internacional gera ciúme

e já tiram, da floresta, seu perfume.

...........

Contudo, pouco dessa gente grita

contra os ritos da gente egoísta.

Acaricia na frente e , depois, destrata
............

Mesmo, no grito rebelde ambientalista

aje de forma legitima anarquista

para proteger e viver na Mata.


Quarta-feira, 7 de Novembro de 2007

Rosa Viva


Vou deixar aroma até nos meus espinhos, rosa que sou...

Que o vento vá falando de mim, posto que é leve.

Quero perder-me para que não se esqueçam de mim

e viver intensa, mesmo que breve.


Vou desfolhar-me para não ter fim.

Pétala e pétala, por pétala que dance.

Sorrio leve para guerras em mim.

Prossigo mito, ainda que canse


Levo comigo ardor e procura,

altar e prece que me revele.

canto que nina, dor que me cura.

Excedo vida que sempre segue...


Poesia e foto de Juliana Biscalquin - http://www.20bonsepoucosanos.blogspot.com/

Terça-feira, 6 de Novembro de 2007

O Vendedor de balas

Estão levando o pobre pro buraco.

As alternativas que ele encontrou

pra mandar 50 conto pro nordeste

é vida de esmoleiro em que investe.

..............

Vive os percalços violentos das vielas

e sofre a desconsideração de velhas.

Se passar pelo efeito de ser invisível

poderá acumular pertences no desnível.

.........

O carpinteiro quer montar sua vinícola

talvez voltar à exploração silvícola.

Só que, agora, anda na rua sem vacina.

............

Pede pra ser preso, pra ter vida boa

ou uma terra, que ninguém lhe doa,

que irá proteger com sua carabina!

VÍDEO de Andrey Cassaro, Bernardo Fernandes, Gabriel Banzato e Vinícius Zanotti

Sozinha na cama


Navalha na carne.
Na carne opulenta.
Aos olhos de quem não escuta
Na boca seca de sede do outro,
do outro que se oculta.
Na distância vazia de dois mundos
onde um está em fuga
e outro em busca.
Buscam o cheiro.
Transpira o corpo
e se dissolve em lamúrias.
No grito que cala
O silêncio engasgado
de quem vive passado
na imagem do passado
transformado em tumulto.
Na bagunça vivida,
o coração na batida
no último passo,
que, a cada espaço,
se esparrama com intuito.
No desejo de futuro,
na vontade de desgarro,
no embalo de um amasso
que se sente como
um vulto.



Poesia e foto de Fernanda Preto - www.fernandapreto.com

Segunda-feira, 5 de Novembro de 2007

Elucubrações fantásticas

Dizem que farão de nós uma garrafa pet.
Pagam um bocado para proteger de ti
..........................
Tratou de retratar-se à organização,
já que o assunto causa comoção
.......................
Outrossim, a madereira Gethal formou
com os interesses que o Reino bradou:
.........................
Frank, Johan e Kuerten são laranja-atores
a receber em vão vastos valores
por espoliar o que deixaram em pé.


Observação, clique nos links dentro da poesia para melhor compreensão

Amazônia Infestada


Um mal assola o solo da floresta.

Propaga-se pelos igapós e frestas.

Homens infestam esse organismo.
Deixam seqüelas com proselitismo.

Os micróbios se aproveitam dessa festa
farta e feita com a fatia que lhes resta.

Somos bactérias do evolucionismo

e traçamos troncos ao interagirmos.


Ouçamos o grito da morte indigesta.
Nossa culpa está estampada na testa.
Então, findemos logo este terrorismo.

Apenas meio ambiente é o que resta
e teremos de reparar arestas

para não cairmos, de vez, no abismo.

Domingo, 4 de Novembro de 2007

Republique a República

Só lhe faço uma súplica,
Republique a República!

A tentativa que esvaiu
é um saber saboroso.
Não será desastroso
Se, já, no buraco caiu.

Pela boa vontade pública.
O Jornal da República!

O jornal dos jornalistas,
não tem empresas nas listras .
É o grito de independência
e o calar da clemência.

Aprenda com seu erro
e não trate como enterro
um exemplo exíguo
de um jornal-perigo!

Mino, uma só súplica:
Republique o Jornal da República!

Sexta-feira, 2 de Novembro de 2007

Emanauseado


Há vertigens nas lacunas da cidade.
Por vezes, o seu caminhar vem tarde.
As bravas conquistas por espaço
são feitas na manha de um só passo.

A doença pouco-a-pouco lhe invade.
Ehhh, triste cidade! Será ingenuidade
ou maldade? O que passou, passou
e passo-a-passo formou esse inchaço.

A inflamação explode sem piedade
e faz reagir com ginga e vontade.
O comportamento geral é crasso.

Há um ranço melancólico que arde
e a
leseira ofusca algum alarde
a se ocasionar no
mormaço.

Foto de Plínio Ribeiro - www.amazonia21.blogspot.com

Segunda-feira, 29 de Outubro de 2007

Tacanha

Esse teu olhar dissimulado
de desprezo por mim, alijado,
dói forte nas minhas entranhas
por não saber o que ganhas.

Me incomoda forte tua sanha
por ser tu mulher tacanha
a estimular o peso do fardo
por mim, arduamente, carregado.

Vão passar tuas artimanhas.
Vão passar dores tamanhas
que me tornarão liqüidado.

Vão passar as tuas sanhas.
Vão passar as minhas manhas.
E só ficarão no passado.

Poeira estrelar


Você pensa como se todos girassem ao seu redor. Pensa ser o sol que esconde a obscuridade de seus seguidores. Você regula o movimento de rotação de suas amizades. Limita as intransigências peculiares de seus amigos-satélites. Saiba, que, apesar de minha ignorância inerente ao meu estado humano, me localizo perante o Universo. Definitivamente, você não é meu Norte.
Pode se aproveitar de minha inconstante benevolência. Contudo, ressalto meus interesses e a necessidade de
conhecer o ambiente, inclusive dos astros-vaidoSoS.
Esse seu egocentrismo é, certamente, seu maior erro. quando toda sua áurea incandescente se esvair, sua beleza
arregar, achará o que lhe cabe nesse latifúndio. O efeito narcotizante de sua vaidade não dura mais que as necessidades críticas de seus servos. Sofrerá ao se ver esparsa na imensidão e tiver a obrigação de girar em torno de um ente maior que lhe assegurará a permanência em outro sistema solar.
E o sofrimento lhe será mais útil que todo o charlatanismo auto-propagador assumido por você.

Quarta-feira, 24 de Outubro de 2007

Os braços dos rios

As cores rústicas da beira dos rios Pauiní, Atucatuquini e médio Juruá, braços da principal bacia hidrográfica do mundo, reiteram a observação singela do escritor Milton Hatoum “Aqui a passagem do tempo é tão lenta que a vida pode caminhar sem pressa”. Essa percepção está, também, nas linhas, formas e expressões captadas pelas lentes de uma máquina capaz de diferenciar muito bem o natural do artificial.

Mas as lentes oculares dos homens da floresta vivem a natureza e não a diferencia. Sabem que cuidando dela, cuidam de si. Nas dificuldades da vida onde seus instrumentos são os mais simples, como os objetos de madeira, troncos, braços e pernas, Fernanda Preto consegue mostrar que há, neste lugar, mais expressão humana do que suposto.

Suas fotos mostram, nas cores da floresta e no uso que o homem faz dela, a proximidade que há entre os diversos tipos de vida na distância dos rincões mais inacessíveis. E a certeza da distância na beira dos rios dita o ritmo das mudanças e traz o alento da continuidade.

Tormenta



Tem marmanjo que num guenta
a minha imagem magenta.
Intendo atormentar as idéias
e torcer um tanto de atéias.

....

A convicção que ostentas,
ágape com as ferramentas,
não passa de prosopopéia

anterior à era da pangéia.

.....

Tire os enfins de suas ventas!
Cessa tuas manias nojentas
para assistir minha estréia.

....

Quem não sabe, inventa.
E o nosso invento atormenta
nas tripas em diarréia.

Domingo, 21 de Outubro de 2007

Poesia em demasia



Agora, chega de hipocrisia:
não é ensinada em aula, a poesia
O mundo que gira é o poema!
Inexiste qualquer esquema

O esquema é viver
e obedecer ao que acontecer
Não dê asas à azia!
Poesia em Demasia!

Pra controlar o descontrole
a poesia me engole.
Não me amole.
pois, não é mole.

Se atira o autoritarismo,
de ensinar o indecifrável,
sou todo o terrorismo
de uma aula interminável.

Só as discussões são sãs,
mas a apatia empata.
Toda desvalorização vã
desfacela a fatura e enfarta

O esquema é viver
e observar o que acontecer.
Não dê asas à azia!
Poesia em demasia!

A poesia é construção,
as palavras, os tijolos dos versos,
as estrofes, paredes do refrão
Apesar do meu piso inverso,
vou construir a desconstrução.

O senso crítico é o guindaste
que parte meu baluarte,
porque pra construir
o princípio é destruir
e continuar a rir.

Então vamos começar...
As paredes vão balançar...

Pode trazer os seus versos
que não ensinam poemas avessos.
Destruo suas rimas pedantes.
Desprezo a métrica antes.

O esquema é viver
e observar o que acontecer.
Não dê asas à azia! Poesia em demasia!

Se é polida , não é lida.
Sé é pobre, se encobre.
Mas, se rústica e rica
é uma acústica que fica!

Terça-feira, 9 de Outubro de 2007

Eu odeio insetos


Eu odeio insetos,

Mas as borboletas me comovem

A arrogância em mim dissolvem

Só que sigo incerto.

Com a natureza eu flerto,

Mas o incômodo que promovem

Alçam vôo num reclame inquieto

Como a rarefeita nuvem,

Que me deixa certo

Estão perto!

Quinta-feira, 4 de Outubro de 2007

Me deixa te beijar

Beija-me
Não deixa-me
Me deixa ser só teu
Me deixa secar tuas lágrimas
Me deixa consertar minhas lástimas
Me deixa contar o que ninguém escreveu

Me deixa mudar ao teu lado
Me deixa melhor ao te ver
Me deixa por ti educado
Me deixa, de ti, entorpecer

Não me deixa só contrariado
Me deixa intrigado
Por não conseguir me expressar

Deixa de me deixar
Me dá uma deixa
Me beija

Sábado, 22 de Setembro de 2007

Amor sem temor

Quero um amor sem temor,
pois, prefiro o fogo da dor
à garantia inercial do gelo.
Por isso, lhe faço este apelo.

Deixe meu corpo em torpor.
Queime seu medo em louvor
para que tenha meu zelo.
Aposte suas fichas pra tê-lo

Já se disse que, para preservar,
só o fazemos por temer ou amar
e vejo nos seus olhos, receio.

Quero nos unir em um lar
e fazer o seu medo acabar
pra me afagar em seu seio.

Quinta-feira, 20 de Setembro de 2007

Cafuzo confuso

Enquanto discursam seus ideais chulos,
despenderei meus termos fulos.
Enquanto realizam seus abusos,
a vida entra em desuso.

Parem com os pensamentos avulsos!
Parem de jogar fora seus recursos!
Comecem a fazer movimento obtuso,
ou entraremos em parafuso.

Caboclos, mamelucos e cafuzos confusos
espanhóis, africanos, indígenas e lusos.
Parem com os pensamentos avulsos!
Parem de jogar fora seus recursos!

Todos professam os mesmos discursos.
Todos querem freqüentar os mesmos cursos.
Ninguém quer transfigurar o percurso.
Ninguém quer inverter esse fuso.

Comecem a fazer seus planos!
Comecem os sensos insanos!
Parem com os pensamentos avulsos!
Parem de jogar fora os recursos,
ou entraremos em parafuso!

Domingo, 9 de Setembro de 2007

Nos seus cachinhos

Quero me enrolar nos seus cachinhos
e dizer na sua orelha em sons baixinhos.
Vou apreciar, com gosto, os seus efeitos
e posso suportar, de você, todos defeitos.

O seu charme é essencial ao meu caminho.
Vou lhe enquadrar e colocar no meu cantinho.
As suas palavras são carinhos no cabelo
e o seu suspiro faz pirar meu pêlo.

Eu sei de suas, momentâneas, limitações,
mas não configura em nenhuma das infrações,
eu gostar de você e você, de mim.

Posso desacelerar minhas intenções
e limitar minhas atuais declarações,
pois, sei que teremos um ao outro enfim.

Quarta-feira, 29 de Agosto de 2007

Vende-se amor

Se quiser vender seu coração
posso não pagar te antemão.
Deverei infindáveis prestações
para fazer jus às proporções.

Você vale milhares de tentações
ferraris, viagens e mansões.
O seu preço é um abraço sem fim.
Se pedir, lhe dôo meu rim.

Você vale a melhor felicidade,
vale os temores da idade,
vale as mais altas risadas.

Você vale as flores do mal,
vale qualquer carnaval,
vale milhares de fadas.

Segunda-feira, 27 de Agosto de 2007

Não conheço

Eu não conheço a felicidade,
mas a tristeza me conhece,
muito bem.

Não conheço a cidade,
mas as ruas do meu bairro
me perseguem.

Não conheço a solução,
mas, os problemas da questão,
eu inventei.

Não conheço o que mereço,
mas me despir do desprezo,
eu não sei.

Eu não me conheço,
mas carrego apreço
pelas batalhas que travei.

Domingo, 19 de Agosto de 2007

Iguais demais_D.A.Do.Fleming

A sensação de superar sua natureza
é inerente a qualquer ser vivo.
Sobressalta-se com sua proeza
e menospreza os outros, lascivo.

Se estivesse sem essa sensação
não teria motivos, não haveria razão
para superar de supetão a tristeza
e transformá-la em eterna certeza.

Pode ser considerada a magia
a fazer, de sua oratória, hipocrisisa
pois, pensam diferir dos demais.

Só que isso outros também pensam
e preenchem-se com pretensão.
E os deixam, então, mais iguais.

Quarta-feira, 15 de Agosto de 2007

Condenação Terminativa

As minhas atribuições esquecidas
pelos responsáveis da autarquia
deixam as esperanças embebidas
na solução que eu teria um dia.

Eu mesmo tentei argumentar ao contrário
às suposições de desfalque ao erário.
Porém, temos mesmo de reconhecer:
os seus atos visam, apenas, o enriquecer.

Despacharam sua condenação terminativa
e a sua atitude, um tanto evasiva,
vai acabar o levando atrás das grades.

Você não terá quem possa resolver.
As rezas a que deve, agora, se ater,
se destinam a juízes e, não, a frades.


Segunda-feira, 6 de Agosto de 2007

Dáblio Dáblio Dáblio Eu e Vc

Se os pensamentos estivessem na net,
seríamos um só gosmento chiclete.
Os desvarios múltiplos da sua telha
despertariam outra nova centelha.

Se pudéssemos estar com qualquer um,
causaria um estranho zunzunzum.
Esse barulho o deixaria débil
e o teu corpo em estado febril.

Ou poderíamos ter o conforto
de estarmos em junção absortos
e ter em todos nosso pensar.

Dá pra ser assim. Há de ser.
Dáblio, dáblio, dáblio EUEVC
Clique duas vezes para entrar..

Sábado, 4 de Agosto de 2007

Saca só essa parada_Tinindo e Trincando

Entra errada a batida,
dá treta errada invertida,
em meio ao barulho e mordida.

-Decido, decide, decida!!!
- Eu não acho a saída.

-Abaixa o topete Prequete não trete.
só com o flerte, a parada se inverte.

-Saca só essa parada...
É gostoooooosa,
é engraçaaaada!
É um conto de fada?
É uma treta danada,
Aquela safaaaaada...

O presságio, o ágio, o pedágio?
O bolso ta frágil?
-Mãos para o alto,
é um assalto!
-Não reajo.

Está enterrada a batida perdida,
em meio ao barulho e mordida.

Domingo, 29 de Julho de 2007

Discussionário_D.A.Do.Fleming

O quê te vens à cabeça
Quando te prensas se pensas?
Se remoeres o universo,
Coloque-o em estrofes e versos

Pra dispensares a amargura
Precisas usar tua bravura
Começa a construir estrutura
Pra suportares as ranhuras

Solta teu tufão oral
Tem fé na onda neural
Ao juntares esquecidas secções
E transformá-las em nobres conexões

É dessa forma o nascer das feições
E a aquisição, pelos pés, das trações
Inicia-se um mexer-cavalgar
A essência do seguir-caminhar

.

Segunda-feira, 23 de Julho de 2007

Hipocrise

Putas em promoção
Hippies comercializando
Padrecos de baixo-calão
Ávidos, no comando

Prole de otários
O mole aos malvados
Tiram os salários
dos mal informados

Patrão traiçoeiro
Bobo tristonho
Cavalo rampeiro
Sustentam os sonhos

Súditos mal criados
Conduzidos pela moral
Rebelião dos endiabrados
Pra retornar ao normal

Terça-feira, 17 de Julho de 2007

Sucinto

Sinta só Cynthia Sutil:
"Não insista para que persista"
Esse assunto que surtiu
é um acinte ao que sinto
Sinto ser sucinto,
é efeito do absinto

Quarta-feira, 11 de Julho de 2007

À Cynthia em centímetros

Sente Cynthia Cintilante.
Consente ao soneto um instante.
Está tudo no estatuto:
só és Sutíl se eu for astuto

Sentia satisfação incessante.
Incidia esse dia estonteante.
Só me assusta um assunto:
Apetece eu estar puto?

Apaixona-te por mim.
Se engana se atuas.
dize-me tu um breve sim.

É assim que te situas:
Sinto só a ti em mim
Diz: sou só, Sim, Tua!

Quinta-feira, 5 de Julho de 2007

À Disposição

Eu vou ser o seu vizinho.
Vou estar de manhã à sua porta.
Quero entrar na sua casa de mansinho,
Pra sentir o sabor da sua boca.

O seu beijo é o Deus do meu pomar.
Sua doçura ameniza o amargor
do dia-a-dia só de lhe visitar.
Minha face mostra logo seu rubor.

Quero estar, aqui, sempre perto
da mulher que suga meu afeto
e me deixa, inteiro, estremecido.

Meus relativos vão sentir inveja.
Esse carinho, tem gente que almeja.
Mas vai ser só seu, enobrecido.

Terça-feira, 26 de Junho de 2007

Mugunzá_D.A.Do.Fleming

Vejo em seus olhos
o que pede de joelhos.
O reflexo em sua lágrima
confirma os sopros do diafragma

As suas intenções são nobres
com ímpeto de elevar aos pobres
condições justas de trocar
e aprender a peitar as tropas

Esteja atento, agora, aos meios
que os homens, tão cheios,
explodem em desproporção

Você submergiu no seu mundo
e crê estar certo e profundo,
mas se afoga nessa confusão.

Sábado, 16 de Junho de 2007

Enternecer_D.A.Do.Fleming

Preciso balizar a diplomacia
pois, todas vantagens que a aprazia,
se perderam na pouco sugestionável
mulher, sensata ao inquestionável

Tenho, mesmo, aspirações maiores
de trazer-lhe todo dia as flores.
Clamar por sua indulgência
E me fazer sua nobre vigência

Aguardo, ansioso, o lapso
que lhe trará em colapso
para nossa fusão verter

Do fuso saltará a faísca
que explodirá a conquista
de nosso eterno enternecer


Quinta-feira, 14 de Junho de 2007

LUmiLária_D.A.Do.Fleming

Ei, coloquei sua LUminária na minha mesa
Posso te dizer, ela é firmeza
É uma boa operária pra cabeça
Solução de que, no escuro, não enlouqueça

Quando a sua sensação me pesa
E a sua ausência a mente lesa
Sua luz torna-se presente
E diz ser eu, de novo, onipotente

Faça toda essa ofuscação
Em raios luminosos em direção
Ao que considere meu ideal
Para tanto, torne-se real

Acendo-me ao me entregar a ti
Pois, todas as vezes em que repeti
O BEM que você me faz
Não foram, ainda, vezes por demais.

Segunda-feira, 11 de Junho de 2007

Te odiei com amor, me amou com ódio_D.A.Do.Fleming

Não precisa de um psiquiatra
Um manicômio não a aceitaria
Precisa de alguém que a mal-trata
Que se incomode com essa putaria

Várias vezes estivemos perto,
Mas nunca daria certo
Agora, proclamo com ardor
Meu amor: meu dissabor

Me fez despejar palavras
As quais pronunciei sem travas
Me amou com ódio um ano
Ingênuo, ao invés de insano
Te odiei com amor um ano
Ingênuo, ao invés de insano

Várias vezes estivemos perto,
Mas nunca daria certo
Agora, proclamo com ardor
Meu amor: meu dissabor

Me confessou sua inocência
Me jurou o alto do pódium
Te odiei com amor, me amou com ódio

Terça-feira, 5 de Junho de 2007

Tu és doido_D.A.Do.Fleming

Tá tudo tiranizado na tribo
Traquejam nas entranhas o estribo
Se toquem que os toques da tourada
dão cornos esticados à manada

Atracam nossa vida em um tronco
e crêem sermos todos como um bronco
a triturarem tolices de suas tramas
e trcocarmos trotes pelas camas

Nossa trilha é dado incerto
das maravilhas desse reto
das Damas que fazem "muié"

Retires da terra tua estaca
ou tens tu a telha fraca?
Tu és doido, é?

Quarta-feira, 30 de Maio de 2007

Para me enterrar_D.A.Do.Fleming

Onde eu vou plantar banana?
A terra é curta e o solo engana
Dá pra aprovar o meu projeto?
Negam antes de algo concreto

Tentei entender sua burocracia
pra resolver ao que à fome sacia.
Mas é um emaranhado descabido
que corta no talo o meu pedido

Alguém me salva nesse lote!
Já penso em comprar um bote
Para poder, daqui, escapar.

Essa terra que me deram é boa,
só que que fica todo tempo a toa
a espera de alguém para me enterrar.


Sexta-feira, 25 de Maio de 2007

As meias sujas sobre Saramago_D.A.Do.Fleming

Saiam sujeiras do santuário
São lixo sobre luxo literário
Não são bons modos, essas meias
Ocuparem o lugar das veias

Se soubesse Saramago
Desse fétido fator
Acharia um tanto vago
A omissão de um impostor

São cegos e melhor se enxergam
Mas não estrague o olfato
Ou os aromas o apagam

Melhore o seu mau-trato
Pois convidados que chegam
Vão preocupar-se com o fato

Sábado, 19 de Maio de 2007

10Ordens_D.A.Do.Fleming


10obedeça a desordem
10obstrua a postura
10construa a tortura
10costure a costura
10trone a poltrona
10trua a altura
10faça o fascínio
10taque o taquímetro
10troçe esse troço
10sista da pista

Terça-feira, 15 de Maio de 2007

A vida comê-la é...

A crítica é a tática dos céticos,
esses médicos da realidade imunda.
É grude dos enfermos frenéticos
e é muda quando a merda muda

São preenchedores de espaços vagos
e animam todo o animalismo
para costurar os rasgos
do abismo em que meteram o jornalismo.

De todos os nossos sentimentos,
em quatro anos de tratamento,
os que mais valem pra vocação
é o Amor, o Ódio e a Paixão!

São três razões pra se indignar,
seja o que for que a gente fizer.
Juntando tudo, o que é que dá?
A vida comê-la é...

Sábado, 5 de Maio de 2007

Contrato Universal_D.A.Do.Fleming

Você fez um Contrato Universal
das atratividades de seu recital.
Isso lhe traz a segurança branda
e tira as pedras do caminho por que anda

Embora eu não saiba lhe dizer
se creio na verdade do seu ser,
consigo lhe espiar com dor
de não ter seu tratamento de doutor

Espero em longos anos aprender
a sua receita que me faça encher
desse seu ar repleto de esperança.

Aceito com ternura os seus condimentos
e tempero em terapia os meus momentos
para ter o seu fôlego e pujança

Camaleão_D.A.Do.Fleming

A estrutura sustentadora ruiu
e um barro movediço surgiu
para me engolir na vertigem
de amarguras que me afligem

Agora, só me resta a incerteza
da existência de uma firmeza
nos pensares que tecem as teias
das ilusões mensageiras das peias

Apanho da queda a cada segundo
sou personagem de conto rotundo.
e essa angustia só me deixa puto!

Ela acaba com minhas vontades
e me aprisiona nas grades
que me deixam menos arguto

Quinta-feira, 3 de Maio de 2007

O teu som todas as manhãs_D.A.Do.Fleming

Quero ouvir tua voz todas as manhãs
e vais ser meu café depois das maçãs
vou gravar esse indelével som
e não esquecer o timbre do teu tom

O teu canto de pássaro me faz voar
ele perpassa em mim, em todo lugar
Um telefonema teu pode resolver
os barulhos brutos de embrutecer

Eu bato as asas só já faz um tempo
e tento planar num sopro de vento
que me lava a fronte numa rajada

A sua ausência só me atormenta
e a minha perna caminha lenta
se não ouço o teu canto de fada

A12 Internacional/ Em meio aos templos derrubados_D.A.D.O. Fleming e Moreno Bastos

O texto do ditador é taxativo

Será feito sem dó nem piedade

O ataque é nuclear e preventivo

Vão procurar nos escombros a liberdade


Quando mexerem com a Faixa de Gaza

E lançarem seus gases venenosos

O Homem do povo fica e o Severino Vaza

Desses dias corruptos assombrosos


Fardados vêm em plena chacina

Avançam de raio laser e avião

Correm de volta para a faxina

Após a visita de um furacão

Ao contrário de um cidadão assíduo

Em baixa o Bush puxa

A um corrupto conspícuo

Sabujo de rabugice murcha

Viciados pela diabólica doutrina

Disfarçados em capa democrata

Beijam os pés de Ofélia e Katrina

Planejando o próximo tapa

Segunda-feira, 23 de Abril de 2007

Amor selvagem_D.A.Do.Fleming

Nossa festa rompeu a noite
e querer parar era açoite
ao extremo prazer descabido
que fez as águas do rio, libido

Não temos mais de contar os dias
e não há horas em que não ardias
em meu corpo por todas as partes
o teu corpo prestes a um infarte

Na selva não houve acasalamento
nenhum que explodisse em rebento
como o nosso amor o fez

Juntamos a energia da cachoeira
e tratamos de deixar na eira
a água escorrida da tez