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INQUIETO

"Mas sigo o meu trilho. Falo o que sinto e sinto muito o que falo - pois morro sempre que calo." (Affonso Romano de Sant'Anna_Que País é Este?)

domingo, 25 de março de 2018

o sentido de tudo

eu passo ao fundo
em me fazer seguro
pois, me pertenço

em um segundo
tenho o absoluto
e não convenço

pois, nesse mundo
tem-se de tudo
e nada tem sentido

o meu estilo
é não ter estilo
e crença











quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

por ti, pra mim

a noite toda
quero m'encostar em ti
a noite toda
quero te abraçar e rir
sem ter motivo
te expremer e me exprimir
a noite toda
quero ter alguem aqui
quero ser alguem pra ti
e me acode
se já for hora de acordar
que o tempo todo
vou querer saber só de dormir
se aos teus cuidados
estiver a me despir
só assim eu sei ser sim
num só sono
sem sede para acordar
sem noite pra amanhecer
sem medo no meu paladar
a noite toda
eu quero me enrolar em ti
a noite toda
eu sonho contigo aqui
a noite toda
eu tenho mais motivo pra dormir
eu respiro teu ar
eu devoro teu ser
eu destilo tua ira
a noite toda
eu fabrico ilusões
dos teus trejeitos
que são trens, caminhões
carregam cheios
de motivos e emoções
minhas ruínas,
os meus temores
e os une
ás tuas más intenções
num fechamento
pra ver cerrar os portões
manhã, cedinho
não há qualquer vibração
não movo um dedo
vou só saber do teus sons
dos teus pelos
um vulto na tua visão
o cheiro doce
que o teu calor
provocou
invasão!
a noite toda
sonho que a manhã
vire noite
para que a noite toda
possa me encostar em ti
pra rir sem motivo
pra ter teus cuidados
te expremer e me exprimir

Janela de Vidro

São teus olhos,
a forma deles,
sua cor e desejo
o que carregam em si
insegurança e certeza
O teu jeito macio
de dizer,
teus movimentos
lentos,
Tua sede de viver
Minha sede,
uma saudade
pra se ter
São teus olhos,
largas janelas
Tua boca cheia,
terna promessa
Tua presença
é doce esperança
Teus pensamentos
são nossa dança

a crédito

O sol sustenta,
em ocre,
a cor da pele
e dita os modos
de quem tá na seca,
sob sedenta sede

Os ramos mesmos oram pelo verde
por saudade do solo, já rachado

Eis que um temporal os acomete
e muda o tempo todo ao lado

Com água, agora, há gana
tem gordura nos bois e há banana

O quê se planta dá
têm-se o que comer
pra sustentar o ocre,
a cor que o sol tingiu
na pele. A sua história

que entoa o riso
que a seca ruiu
que o calor secou
que a fome escondeu
e a chuva pariu