tudo o que vemos
é ausência
uma trama em que
assentamos
o concreto
é ausência
uma trama em que
assentamos
o concreto
mais que o sólido
todo etéreo
se esvazia
e nos consolida
tudo o que tocamos
nos torna
tacanhos
sendo que o espaço
entre o que se toca
tece os sensos
o que pensamos
é processo
e nada o que está posto
tem passagem
desolados
tateamos o acaso
a procura de um piso
e pisamos
descalços
em falso
na cabeça
temos que o senso
e os sentidos
que os guiam
brotam flores
só que tortos
nossos guias
botam postes
e alegrias
desvirtuam
nossos portos
nossos portos
os mapas distorcidos
em sua fonte
guiam todo horizonte
e o rumo
tido como sorte
bota toda nossa vida
bota toda nossa vida
em morte