já se notava
um indício
do seu jeito
Com o tempo,
o que tem por dentro
aflorou
suas quinas
aquilataram o espaço,
determinaram o passo
e privaram a cabeça
dos seus traços
O que for que faça
tem sua graça
e o seu contrário
sendo só
uma
soma
seu som
é sintoma
sem
dor
sai da sua
sanha
senta-se
e sinta
cento e sessenta
tons
de sabores
Em suma,
assuma!
Sei bem que as amizades se dissolvem, na mesma intensidade em que se firmam. Somos sujeitos distintos, porquanto o tempo nos defina.
Nosso caminho tem atoleiros, como tem mata-burros, estende tapete e cria absurdos. Estes degraus estabelecem o impulso ao nosso interesse.
Sinto ter pisado em falso muitas vezes. Foi a gana de escalar que me fez cair. Querendo mostrar o que não possuía, te fiz rir, de mim.
Em tempo, ao me pensar além da razão, dei vazão ao que não se quer impedir. O que lhe pedi, faria por ti e, por mim, gostaria de ouvir.
Sei que traço caminhos cruzados, sem sentido ou enviesados. No fim, de tudo o que aprendi contigo, restam abraços de um caldo divertido.
Posso dar muito mais ao mundo do que me considero, inadvertidamente, capaz. A idade, a mudança, a alteridade, Aleluia! Sobrepassam o senso irrazoado que nos domina tempo e hora.
Rogo que perdoe meus arroubos, deixe de lado meus instintos. De todo modo, a cada cálculo que fizer, estará somado o balanço do barco ao chocalho da rede.
Em cada atitude esperada, posso deixar um desejo, dar passo errado e me desculpar.
Pouco sei do caminho traçado, mas fazemos curvas, olhamos pros lados, desenhamos o mundo. Estamos (f)errados!
Nosso desenho é rabisco, mas o esboço traz previsão. Guardo sempre ao lado, o balanço, o aprendizado, pra ser menos criança e ter no calço, a sua razão.
Mar, sol, calma e emoção!
Ideologia,
eu quero uma pra você,
eu quero uma pra você abandonar
Pois, quando não há razão,
há silêncio
ou gritaria desvairada
A sua propensão à censura
A sua inclinação ao desprezo
Sua sabedoria
vai despencar
do alto do último andar
Seu conhecimento
Seus livros lidos,
eu vou queimar
Vou botar fogo nas suas ideias
Voou achincalhar seus pensamentos
Vou falar
Vou falar
Vou falar muito
Até as suas entranhas me expulsarem
da sua intolerância
do seu desrespeito
E longe de si
ou dentro de si,
por ter sido devorado,
posso ter garantido
meu direito à alegria
Porque, afinal,
a felicidade é uma obrigação legal
Não quero um sistema
que me liberte
Mas um mecanismo
que me permita
Não quero um desejo
que me devore
Mas um sonho
que se realize
Não quero um sol
que se ponha
Mas uma lua
que não adormeça
Não quero voar
sem asas
Mas pisar forte
com pés descalços
Eu quero poder pensar
e dizer
o que me contradiz,
em bom som,
com boa dicção:
- Você é quem me faz feliz!
Esse é meu refrão
sem tom,
sem harmonia,
Que diante à sua presença
não tenho limites,
não se devora,
e não se põe
o alvorecer da aurora
Quebrei muitas coisas
outras tantas, as consertei
Por ser homem de palavras
abri e fechei as travas
corrompi a lei
Deixei pessoas aos prantos
outras tantas, as que amei
Por ter o fulgor, faltava
e quase me arrebentava
nas entranhas, o meu rei
Tenho, em mim, todas as chagas
as que existem e as que inventei
Por mais que buscasse
não me curava
de todos males, os acessei
Voltam a sangrar, as feridas
após anos de escondidas
destrançam-se, as cicatrizes
ampliam a imensidão do tempo
e deixam, em carne viva, o corpo
Não aceita a idade
o rio corrido
as correntes margeiam
os troncos cortados
Não aceita suas rugas
a velhice dada
o caminho traçado
e o percorrido
Não se mete na blusa
com que pulava muros,
roubava frutas
e rezava
Não corre seus passos
e o prazo o engole
acelera o tempo
e reduz o espaço
A vida é uma reticência e ponto
Cheia de final sem recomeço
Plena de começos sem fim
A vida são vidas feitas
Sólidas ou rarefeitas
Não permanecem ou passam
Em cada trampolim
Pulamos
Sem saber o pranto
Temos todos fatos
Em nossa fuça
Mas não há recusa
O que sabemos
Tão pouco vemos
Nos direciona
E nesse fim
Há destino
Ou novo fio
Jogo-lhe tijolo
na testa
Por uma finestra
Por todo seu caminho
Tem um carimbo no seio
Bem no meio
O que lhe faz assim
Sendo você, sem mim
São as veias
Um movimento
Carrega seu trilho
Sem desancar
Na correria
Perde seu Lar
E as paredes
Meu tijolo,
Agressão que seria
Constrói!
O seu rumo dói
Destrói
E desfaz
Só o tempo sabe o quanto estamos passados
Nem o vento
Nem a chuva
Têm a mais puta ideia do quanto vivemos
A palavra proferida aos ares
Contém mais que seus significados
Carregam a vida
Vivida e renunciada
Nossas rugas e cicatrizes dizem tanto
Dos caminhos
Dos atalhos
Procurados na ânsia de nos encontrarmos
Uma frase tem espaços entre as letras
As lacunas do intentado
Onde moram pretensões
Por aventura aos nossos lados
Não há um só código
Não há um só dado
Há mais entre o silêncio e a fala
Que pensa nosso antepassado
Já não tenho casa
Ou nunca tive conforto
Não pertenço a lugares
Mas a sentimentos
Que mudam a cada instante
Portanto moro em apartamentos
Em condomínio de emoções
Das minhas próprias emoções
Cheio de elevadores e escadas
Esse edifício pega fogo a todo instante
Há sempre um incêndio
E preciso correr de mim mesmo
Pra lugar algum
A única saída plausível
É a janela
Mas que acaba me fazendo ver
Ter mais belezas aqui dentro
Que suposto nos olhos alheios
Portanto fico
E queimo
O fogo arde e cura
Se desaba um andar da minha brasa
Já tenho um novo lar para viver