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INQUIETO
sexta-feira, 29 de maio de 2026
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enxurrada
quarta-feira, 27 de maio de 2026
urgências
quarta-feira, 6 de maio de 2026
Matéria Escura
é ausência
uma trama em que
assentamos
o concreto
mais que o sólido
todo etéreo
se esvazia
e nos consolida
tudo o que tocamos
nos torna
tacanhos
sendo que o espaço
entre o que se toca
tece os sensos
o que pensamos
é processo
e nada o que está posto
tem passagem
desolados
tateamos o acaso
a procura de um piso
e pisamos
descalços
na cabeça
temos que o senso
e os sentidos
que os guiam
brotam flores
só que tortos
nossos guias
botam postes
e alegrias
nossos portos
os mapas distorcidos
em sua fonte
guiam todo horizonte
e o rumo
bota toda nossa vida
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026
O número é letra
de ver todo o dia
o sol que lhe gira
e nos põe energia
lhe digo em palavras
pois tenho nas contas
o nosso saldo
não tem resultado
Conte comigo
eu tenho palavra
se der seu abrigo
um verso lhe abraça
Se casa comigo
seu par é primo
pondo em seu dedo
um zero no enredo
E quase acertado
na soma zerada
a letra lhe altera
não tem resultado
Tá tudo acertado
não tem resultado
Um zero
é letra
terça-feira, 27 de janeiro de 2026
nem tão errado, nem tão real
diz ser um deus
e, enganado,
nos dá adeus
Por ter seus olhos
com tanto brio
vê num relapso
um outro rio
E deste lado
põe forte o nado
sem ver corrente
e se prende
Não sente errado
por ter deixado
de lado
o que fora nau
Sob seus cuidados
sob seu zelo
é sábio
e se faz real
sexta-feira, 7 de novembro de 2025
Paísão da porra!
onde os abraços são ofertados a esmo
e estes abraços são fortes e demorados
em que a diferença no trato
é de um, dois ou três beijos na face
e não basta um aperto de mão
Que País é este!
em que recém encontrados
oferecem repouso e estadia
mesmo sem ter dito de fato
há profunda intenção no ofertado
e muito afeto a cada contato
Que País é este!
em que o clima não muda os sorrisos
em que a chuva não desfaz laços
nem o calor dá refresco à alegria
o vento semeia carinho
espalhado em todo o agito
Que País é este!
em que as línguas não criam barreiras
criam novas línguas e novos motes
tudo para dizer: Eu te amo!
para acalentar o cuidado
e apaziguar o ânimo
Que País é este!
em que as mazelas não superam virtudes
em que as tristezas é que interrompem a alegria
e nunca o contrário
em que viver é uma arte aprimorada
e o convívio é o estado da arte
Que País é este!
em que se esquece toda divergência
com um simples copo de cerveja
e, claro,
muitos mais abraços, afetos e cuidados
distribuídos aos montes, em todo espaço
Que País é este!
em que a pobreza nunca foi de espírito
e os recursos são amplos e infindáveis
e, destes recursos,
os mais belos são os humanos
que, por sua vez, são naturais
Que País é este!
em que os animais compõem as famílias
São legatários e herdeiros
dormem nas camas
e tem seus próprios banheiros
não são esquecidos ou atropelados
Isto não é um País (só)
é verdadeira Nação
de mães, pais, pets e irmãos
muito mais que um país
é um puta Paísão!
sábado, 1 de novembro de 2025
amar is over
E tanto pensei
Já quis e não mais
Um passo a querer
Agora e por tudo
De toda maneira
Já tive um motivo
Nenhuma ladeira
Amar é uma luta
E tudo se busca
Armar-se no fim
É faca e caveira
Por tanto motivo
E sem ter razão
Corte-me o não
sábado, 25 de outubro de 2025
ant-IA
Sob qual produto
Sabe lá seus rumos
As suas origens
Nem seu destino
Os seus ouvidos
E o que se escuta
Trava en permuta
os nossos pinos
Um peão à frente
Sem cavalo atrás
Pede à nossa dama
Que se movimente
Provo do irreal
inserto
e desproporcional
Ama a Chama
Se me quer cama
Não bote fogo
Não puxe a corda
Espere
Não me acorda
É que me ama
Vem, me pega
E lhe dou luxo
Deito ao lado
Contrário
Ao ódio
E, não,
Não me endireito
Não apaga
e me chama
Não me puxa
E não fujo
Terras Raras
A saudade é um ímã de neodímio
Atrai tudo, por quê me redimo
um pedaço qualquer do meu aço
Puxa toda a força e despedaço
Sim, sinto sua falta e falho
E nem lhe digo de verdade
Que nisso resiste a gravidade
Põe carta longe do baralho
Vale muito nos perder
ter distância e querer
Que a cada polegada
Soma, à força, a pegada
À distância, vejo os passos
E sigo o seu destino
Pois não lhe ter por perto
É só um torto desatino
sexta-feira, 3 de outubro de 2025
O renomado inominável
terça-feira, 26 de agosto de 2025
Taturana
Eu piso descalço
E lhe rogo
não lhe piso
E você me preza
Você se esgueira
Em suas patas e beiras
Move todo seu corpo
Para me atacar
E sobe no solo
Para que o esforço
Lhe trace as cores
Pede que lhe toque
Em pilosidade
E sendo que me provoque
Eu lhe cutuco sem glória
Lhe temo por cego
De ter apego
E prego:
Não me faça ardores!
E quando lhe vejo
Desvio a rota
Pois lhe ter morta
Pouparia a pupa
sem metamorfose
em bela mariposa
segunda-feira, 25 de agosto de 2025
SizíGia
Vc é a lua
Sou sua força
E você a minha
Subimos marés
Voamos as ondas
E deixam no chão
Os nossos pés
Contra a força das águas
E o seu retorno
Nado sem prancha
Subo em seu salto
Para que num ato
Toque a sua sombra
Puxe meu corpo
Perto ao seu corpo
E dentro de si
Somamos forças
Giro ao entorno
Do que lhe torna
E num só gole
Eu me afogo
Em uma linha
Os nossos astros
Mudam desastres
E forçam os ares
Em novos tratos
quinta-feira, 21 de agosto de 2025
Como a gente
Por inteligente
Importa mesmo
Por ser gente
Pensar com os dentes
Tropeçar no caminho
Afundar navios
Sem ter aguardente
Ao mostrar assovios
Em suaves desvios
É que nos afinamos
Sem pensar no peso
Do desleixo
Sem deixar de pensar
Nos seixos
Que de rolados
Já não os queixa
Sem mente
Se inteligente
Há pra tudo
Um jeito
E qualquer sujeito
Tem sua razão
Importa mesmo
é ser gente
Ter desvios
O queixo nos dentes
Por não ser sujeito
Ao que faz deleite
Do que foi, então
Não nos deixe
Sem ser mar
Ao peixe
Nem dar cara
Aos tapas
Que afagam
E afogam
Ser inteligente
É ler
No meio de toda gente
Sem ter nem noção
sábado, 12 de julho de 2025
convicto
Tive outras convicções, ao longo de infindáveis anos, em que me debrucei sobre o conhecimento.
O mais preciso que já foi produzido.
Por desconhecidos,
mas com nomes e endereços próximos do concreto.
Ainda que não possa dizer seus sobrenomes, é inegável que aquelas letras foram escritas, postas sobre papiros.
Se em grego, hebraico ou troiano... com vírgulas ou apóstrofes, não faço óbices às certezas que criaram.
E sobre as quais afirmo, e reafirmo:
tenho a mais absoluta certeza que estou enganado!
Não há no mundo uma evidência do que estou dizendo, nem há palavras que possa escrever para negar
ou mesmo afirmar.
Isso que é o objeto do nosso questionamento!
Tô te falando!
O que penso é o que preciso, e isso é pouco preciso.
E dito isso, posso lhe afirmar, ca-te-go-ri-ca-men-te: tenho certeza que estou enganado!
E isso nem está muito certo.
sexta-feira, 11 de julho de 2025
Afeito
e vontade
Você tinha vontade
e requebrava
Um olho no outro
é verdade
Temos desejo
Um suingue que arde
Pego em sua anca,
encosto em seus seios,
não é tão tarde
e damos um beijo
Me aprochego
olho no fundo do leito
Atravesso seu rio
sem nado
Um dedo, dois dedos,
meu corpo inteiro
e, sem ser
covarde
lhe ofereço a boca
No que já é tarde
Cada dor
dobra a idade
dos seus beijos
da sua boca
na minha boca
Em segredo
lhe tenho no peito
Inteira
dentro de um sujeito
sem jeito
imperfeito
e refeito
sexta-feira, 25 de abril de 2025
Bora
quinta-feira, 24 de abril de 2025
por_onde_houver_chao
Ando meus passos
Por trilhas desviadas
Piso fofo na areia
E molho os pés n'água
Por tamanha imensidão
Caminho sem pressa
Que os passos são imprecisos
E os percalços fazem moinhos
Deixo o peso após o vento
E as rajadas dão movimento
Ao que se queria inerte
Agora, vôo sem asas
Deixo o cansaço pra trás
E não lamento as trapaças
Pelas que corri demais
No calcário dos recifes
Sangro meus dedos
E por deslize
Faço coragem
Dos meus medos

