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INQUIETO

"Mas sigo o meu trilho. Falo o que sinto e sinto muito o que falo - pois morro sempre que calo." (Affonso Romano de Sant'Anna_Que País é Este?)

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Yo-Yo

"Nasceram flores no canto de um quarto escuro. Mas eu te juro são flores de um longo inverno" Otto, 6 minutos - "Instantes acabam a eternidade"



Em cada pedaço meu deixado
no ir e vir de um iô-iô lesado
vai ficar alguma marca minha
e apagará toda amorosa linha.

Se sou brinquedo de pouco divertimento
é bom que me desligue sem lamento
que agora a bateria resta fraca
e em meio aos movimentos sempre empaca.

Se conseguir se lembre que o motor
que move os mecanismos trazem dor
pois, sim, tenho nervos nessa parte.

As articulações estragadas de calor
refletem o desgaste de um amor
paralisante e passível de resgate.




Confissões solitárias


Me virei do avesso por você e agora pago pela minha inconsequente sinceridade. Sei muito bem o preço desta moeda, já que reiteradamente me submeto ao pouco caso alheio.

Isso não me fará parar.

Perco sim a crença depositada em cada um, mas não perco de modo algum a convicção na minha conduta íntegra. Mas sei que nunca haverão de me confortar em cada tombo desta vida desprovida de valores.

Cada um sabe as decisões que toma e como sempre faço questão de repetir: toda decisão é uma escolha e uma renúncia.

Eu nunca renunciarei ao que de mais nobre tenho: os meus sentimentos. É este mecanismo que nos apresenta à vida como vivos. É ele o responsável por todas as glórias e catástrofes cotidianas.

Ao escolher o puro devaneio de uma falsa liberdade, renuncia à um naco de sua humanidade.

Mesmo assim respeito sua decisão, sem deixar, porém, de demonstrar meu escárnio.

Isso por me dedicar a alguém cegamente. E esta mesma cegueira que me faz amar se apresenta como ignorância de um sentimental inapto à percepção da realidade.

Não vivo mesmo os fatos, mas suas consequencias, pois creio serem elas a razão de qualquer agir.

As hemoglobinas que dantes se preenchiam do mais pleno carinho, agora, são vasos vazios onde não se encontra mais espaço.

O buraco cavado no meu peito dia-a-dia não se preencherá facilmente. No entanto, o sangue venoso se aproveita deste espaço e se deleita ao sacudir inapropriadamente a minha frágil maquininha de bater.

Espero que não pare.

De um coração irremediavelmente machucado,

Daniel Fleming

BH - 23/11/2009



*** Muito obrigado pela linda cartinha. De certo ajudará na cicatrização***
Não nutro horror por ti, mas guardo a decepção.

Um comentário:

  1. É, meu nobre amigo. É possível sentir a dor que sentes. Curioso é que passas por isso, quando também passo. Meus últimos textos e fotografias têm sido confissões de minha ainda irremediável tristeza. Mas admiro-te por admitir que não renuncias aos teus sentimentos. Também não o faço e pago o preço por cultivar loucuras (porque assim o consideram) como um amor eterno, verdadeiro, paixão, sinceridade. Sinto às vezes que vivo o "Amor nos tempos do cólera" ou, simplesmente, a dor de um amor que não dá certo. Eis aqui a minha confissão, não tão bela como a tua, mas minha. Um forte abraço e saudades de nossas conversas.

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