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INQUIETO

"Mas sigo o meu trilho. Falo o que sinto e sinto muito o que falo - pois morro sempre que calo." (Affonso Romano de Sant'Anna_Que País é Este?)

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

LíRiCa


Teu nome é lírico.
Me lembro dos lírios
e dos meus delírios
sem te melindrar.
...
Te levo pra Síria,
te invento gírias
do meu lerear.
...
És o meu colírio,
sem ti não me viro,
não posso ladrar.
...
Tua boca é a mira
onde a minha pira
quer se eternizar.
...
Minha fera fira
os meus freios frouxos
para te enfrentar.
...
E meu peito em prantos
perde os seus encantos
se eu não te aBRAçar.
Originalmente postado em 07 de abril de 2008

domingo, 21 de dezembro de 2008

FaiFeiÑFi


_ Oh meu, cê viu que fita?
Os treco num foro
e os mano se trisca.
_Qui coisa hein loko.
Os cara soltaro o pipoco
i agora os nego nem pisca
_Nói num vai mai se vê
entaum desliga a TV
qui vô pegá pista.

É mai um nego atormentado da vida
engole o segredo
mai fai um enredo
PIROTECNIA

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Rumo ao infinito

Quero os teus braços e abraços.
Quero a tua mão e o coração.
Quero as tuas pernas, ternas.
Quero a tua sensação, então,
...
vamos construir a nossa vida
juntos. E nunca mais será igual.
Vens viver a vontade esquecida.
Vamos fazer o bem pro mal.
...
Endireita o meu ímpeto missionário
e acharei, em ti, meu dicionário
pras cartas que te escreverei, paixão.
...
Vamos devagar pelo início.
Me faze esquecer meu vício.
Tu serás meu universo, imensidão...

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Carente de carinho

O porta-retrato que você me deu
está posto em destaque em minha mesa.
entendeu minha posição de ser ateu
foi a minha amante mais firmeza.
...
Derramei lágrimas em sua carta
em momento mais dificil dessa rota.
Meu coração quase que enfarta
mas ampliou o diâmetro da aorta.
...
Sem você não teria resistido
e afirmei que teria investido
em suas doses inTensas de paixão.
...
Se tiver, um dia, mulher como você
não pensarei duas vezes em dizer
quero o seu o amor, imensidão...

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

AMEríncola MACAmBúzio


Mesmo em uma maca,
vou macaquear esse marasmo,
o arremedo mórbido de um orgasmo,
o morrer meticuloso que os achaca.
................
Ao ranger estridente da faca,
vão tecer um texto de quiasmos,
vão condicionados como os asnos
 por temerem o toque da matraca.
..................
Nas relações, só nobres espasmos
da energia que se mostra fraca
é o que resta por desperdiçarmos.
................
Se passarmos por tantas catracas
sem, nessa Bossa, nos saborearmos
não seremos SERes, sacas?

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Poções de fel

Ao te extirpar de minhas entranhas
retirou-se de mim tuas artimanhas.
Te comportaste de forma ardil
e arranhaste o som do meu vinil.
...
Tenho tentado me dar com isto
e a cada vez que me reabilito
sinto uma extrema desproporção
das poções do teu fel rincão
...
Até vislumbro ter me livrado
do tronco onde fui açoitado
onde tive meu dom achacado.
...
Te perder me abriu ferida
mas me fez voltar à vida
bem mais forte pra lidar c´a lida.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

POLY.nésia

Apática, vc se foi.
A sua ausência dói
e o nosso coração corrói.
.........................

Sua presença inestimável
nos incrementou um nível
por nos fazer conhecer melhor
.........................
Você revelou nosso profundo eu
pois estar ao seu lado
nos deixou menos quadrados.
.......................
Porque você foi nessa?
Companhia polivalente a bessa
vai ficar sempre na cabeça.

domingo, 19 de outubro de 2008

PEGA não, PEGA nada


Eu colei em ti irmão.
Vamos causar diversão,
porque nessa roda viva
vale mais uma mente lasciva.

Prevejo uma doida canção
de tons nobres em dimensão
maior que a ação inclusiva,
minha grande paixão inclusive.

É nói na situação.
Vamo firmar união
pra fazer o mundo girar

Nós somos a fita em questão,
ganhamos na boa intenção.
Nós somos o nosso avatar!

domingo, 21 de setembro de 2008

Coisa lOuCA


Você me deixou estonteado
fui, por um dia amarrado
em suas fartas doses de beleza

Foi doce estar ao seu lado
ainda me sinto encantado
ainda falta, nos meus pés, firmeza

A sua boca dominou o meu olhar
e o seu sorriso sacudiu meu ar
que eu aspirei em ritmo profundo

Aspiro poder lhe reencontrar
em qualquer canto, em qualquer lugar
onde gravitacionar seu mundo.

sábado, 23 de agosto de 2008

ManoCômico


Ser um anjo em forma decaída
ter acesso sem saída à recaída
ver a vida de uma lida ladra
ser um quarto ao que se enquadra

Mitômano fulano de astros vastos
tem sempre as pedras nos sapatos
não se entende, nem levanta
e sente sempre o sopro de Amaranta

A dor que sente é sua nação
ela mesma o faz resistir
e move em solavancos, coração

Ele anda pelos cantos, por aí
só na fé de não crer em vão
nos confortos que ele vem a contrair


Amaranta
"Terceira filha de José Arcádio Buendía e Úrsula. Se apaixona por Pietro Crespi, assim como sua irmã, Rebeca. Esta arruma seu casamento, enquando Amaranta tenta interrompê-lo. Rebeca desmancha o noivado e se casa com seu irmão de criação José Arcadio. Pietro Crespi se apaixona por Amaranta, que mesmo apaixonada, não o dá esperanças. Tem uma relação amorosa com Aureliano José, seu sobrinho (filho do Coronel Aureliano com Pilar Ternera). Ao fim, mantém uma amizade com o Coronel Gerineldo Márquez, mas o esnoba. Morre virgem e com uma atadura na mão que carrega por boa parte da vida, fruto de uma queimadura em penitência que ela faz consigo mesma após o suicídio de Pietro Crespi." (Wiki)

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Beijing, Beijing...


Temos em comum o abismo social.
Temos crescimento exponencial.
Meu mercado come o que fabrique.
Nossa ascensão nos uniu no BRIC
...
Também vamos despontar com as Olimpíadas
lutaremos bravamente em noss´íliadas.
Vamos inverter o fuso d´Ordem Mundial,
a que faz de nós eterno bananal.
...
Nossos atuais chefes e substitutos
tornarão os vivos um tanto nefastos
para entenderem do que são no fundo.
...
Um dia sei que estaremos juntos,
seja nos heróis, seja nos defuntos
e vamos abalar o FIM do mundo

domingo, 3 de agosto de 2008

Fascínio

O seu jeito de falar me encanta
dá descanso longo à minha garganta.
Os meus olhos bailam em sua saia
e não ousam avistar as suas falhas.

Sua ousadia me paralisa
e o piloto automático me mobiliza,
isso contraria a natureza
de ser a dialética minha proeza.

Me leve contigo pro seu lar,
pois, quando do seu lado me fixar,
voltarei a expor meu raciocínio.

Não terei vergonha de anunciar
minha vontade de ser seu par
pra lhe dar muito mais que meu fascínio.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

aRT.i.CuLaDo


Saber lidar com suas ligações
e articulá-las em suas funções
é a estratégia a se entreter
pra sentir o gosto de poder.

Equilibre, em si, as situações
que imprimem pilhas de pressões.
Distribua relativamente os seus esforços
para dominar seus osssos.

Em pé, poderá permanecer
nesse eterno enrijecer
de nos manter espertos.

Se vacilar ao se recolher,
não terá tempo de esmaecer
ante a virar recheio num espeto.

segunda-feira, 23 de junho de 2008

EnTimesmado


Você se esconde nos seus lapsos vocais,
você me prende cada dia um pouco mais.
Eu faço tudo que eu puder para trazer
mais para perto o meu desejo de você.

Os seus vacilos não me trazem grilos
as minhas idéias não têm sigilo.
As suas arguras são fáceis de esquecer.
não pense nunca em me arrefecer.

Sua vontade tem asas largas
pode planar macias as suas sagas
atrás de mais um naco de esperança.

Lhe enlaço em face ao que faço, fácil:
fazer você sorrir é o meu prazer dócil.
Com você, posso bailar em toda dança.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Dapávirada


Tem que fazer virar,
tem que fazer acontecer,
tem que valer a pena.

Você tem que tentar,
provar que pode ser
que a sua alma não é pequena.

Tem de desenrolar
para poder passar.
Vai se envolver nesses problemas.

Só vai se segurar,
se essa maré baixar,
se resolver os seus dilemas.

Eu sonho no luar
em lhe pegar no ar
para provar da sua gema.

Se cê me acompanhar
ninguém vai segurar
pra nossa ação não há algema.

Quando quiser ligar
aqui eu vou estar
E vamos juntos neste esquema.

É assim que vai ficar
nós dois a emparelhar
pra dar um jeito em nossa cena.

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Crisado


Quando, às vezes, essa onda me engole
fico um tempo afogado, eu fico mole.
Mas, se passa, em um estante resplandece
os desejos gloriosos da minha prece.

Olha só, tudo muda muitas vezes.
Sua vida ainda terá muitos revezes.
Ser você é navegar nessa tormenta,
não ter medo de buscar o que intenta.

Só não ceda às pressões das correntezas,
que o levam leviano em incertezas
por onde nunca ousaria navegar.

Nade intempestivamente neste oceano
e, ao se sustentar neste auto-engano,
na crista dessas ondas poderá surfar.

sábado, 17 de maio de 2008

Vulcão Vitorioso


Essa lava que irrompe do meu peito
surgiu de um jeito misterioso.
Aguardava, há um tempo, nesta terra
Para mudar e animar o povo.

Poços de Caldas é minha paixão
É o meu time glorioso!
Em qualquer campo surge um Vulcão.
Vitorioso! Vitorioso!

Equipe unida, a melhor das montanhas,
no Sul de Minas derrama suas entranhas.
Nas praças, Thermas e Palace Cassino
seu futebol é declamado em hino.

A raça, força e determinação
são os motores desta nação.
Fazem o Poços Futebol Clube
avançar para ser o campeão!

Poços de Caldas é minha paixão
É o meu time glorioso!
Em qualquer campo surge um Vulcão.
Vitorioso! Vitorioso!

Nossas águas sulfurosas já diziam
e os minérios deste solo prediziam
as riquezas que este time vai trazer
para Poços sempre engrandecer.

Poços de Caldas é minha paixão
É o meu time glorioso!
Em qualquer campo surge um Vulcão.
Vitorioso! Vitorioso!

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Ladrão de emoção

Roubei tuas lágrimas
E fiz delas minhas
Roubei teu sofrimento
E fiz dele cimento
Roubei tua tristeza
E fiz dela certeza
Roubei tua indecisão
E fiz dela cisão
Roubei teu amor
E fiz dele clamor
Roubei tua paixão
E fiz dela meu chão
Roubei tua alegria
E fiz dela alergia
Roubei tua energia
Roubei também teu sorriso
E fiz de improviso
Assim, minha sinergia

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Confesse

Vasos devassos
Recheios rasos

Curte o costume
Assunta e assume,
Sou vaga-lume

Não pisco
Não risco
Ar de arisco

Esquenta o esquecimento
Esquece o acento,
Sou lento

O estreito estremece
E tudo merece
Confesse!

terça-feira, 1 de abril de 2008

Um cheiro

O seu cheiro impregnou em mim
todas as frases saem assim:
sem atingirem rumo algum,
como as palavras dignas de um bebum.
...
Mesmo sem tocar a sua pele
sinto seu corpo, sem que me rele
nennhuma parte sua, além das letras
as que encheram meu ar de tretas.
...
Pensando em você eu não escrevo
uma só frase com algum relevo
que possa, de um jeito, me explicar.
...
As minhas orações são desconexas
diante de suas expressões perplexas
que só confundem, ainda mais, meu conjungar.

segunda-feira, 17 de março de 2008

Ao Léo


De madrugada,
por que você correu de mim?
Você que amarrou os meus EUs
meus Titos, Benes, Ivans.


A sua figura me assusta
por me fazer ver minha descrença
por aumentar as possibildiades
e impestiar minha letargia
por me causar inveja
por limitar meus olhos
por enchê-los de lágrimas
Por me fazer ver
um mundo por outro prisma

Me ajude a retornar ao meu tempo
ao seu, ao nosso tempo.
Torne-se minha Lúcia,
minha Lena, minha Bia
apague meu pedro interior
acenda meu Rui
não me ponha Pingos
seja minha Vânia
minha Raquel
me ajude a viver
ao Léo.

terça-feira, 4 de março de 2008

Pós-caldense



Seus morros me fazem planar.
Seu frio me faz esquentar
e sua beleza, não sei quê falar.

Sou seu, em quê distância viver.
é minha, mesmo quantos tiver.
Sou Caldas se você quiser.

Sua ordem me faz divulgar.
Seu progresso tem bom paladar
e suas ruas são boas de andar.

Cada praça uma linda mulher,
cada café me domina o saber
de estar em si seja onde estiver.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Queda Ocular

Quando cheguei no solo extasiado,
mirei o teu semblante logo ao lado.
Só de te ver acelerei as sensações
dentro de mim em grandes proporções.

Vou mergulhar de ponta no teu cristalino,
entrar em queda livre no teu desatino.
O brilho dos teus olhos é a minha sina,
parece engolir meu mundo com a retina.

A tua íris é o meu céu encantador
e a tua pupila dilatada oprime a dor
que eu sentiria sem viver estes momentos.

Abrirei meu paraquedas no teu peito
pra me dissolver em ti, ser rarefeito
e poder voar, tranquilo, em teus inVentos.

domingo, 24 de fevereiro de 2008

Contradito


Nada é como esperamos.
Ao pedir paz, brigamos.
Ao brigar, reconciliamos.
Ao querer comer, inflamos
e ao chorar, secamos.
Assim que somos, sumimos.
Se quisermos sumir, assumimos.
Ao se limpar, suínos.
Pra não acontecer
é só imaginar.
Se quiser lembrar, esqueço.
O que tem nos pés, cabeça.
O que tem nas mãos, engessa.
Para fugir sem pressa
pare de roer a mesa.
Para almoçar, a sobremesa.
Ao desconstruir, firmeza.
Ao pesar, leveza.
O reencontro é a arte do desencontro.
Para unir, desate.
Para respirar, enfarte.
Para calar, se parta.
Se quiser ficar, reparta.

sábado, 23 de fevereiro de 2008

mata_barata


baratas,
suas ratas,
se arrastam
nas arestas,
sudorizam
os ladrilhos,
não dão ares
de andarilhos,
mas insistem
em perambular.

vou causar-lhes
morte.
e o chinelo
é o chicote
pra lhes açoitar.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Nem me viu


Quem te viu, quem te vê
Bem-te-vi
A tua vida vadia
evadiu.
Se envolveu nos vacilos
da vida.
Visando averbar a revira-
volta.
Se teus sonhos sadios
dormiram,
se enfadou nos caminhos
fodidos
e faliu sua chance
de mudar sua
história.
Se roeu nas raízes
dos males
e morreu sem
brincares
nessa vida
arredia.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Subtração

Poesia e foto de Raphael Alves



É sobre este estado de subtração
com milhas e milhas de falso pudor
que se apresenta em Novo Airão
e compreende o Estirão do Equador
...


E é sobre a serenidade que vive a viajar
E nem deixou seus votos por aqui
Não me encontrou em Amaturá
tampouco achou-me em Beruri
...
É sobre o ladrar dos cães
e sobre o silêncio que já descansa em paz
É da cor de Alvarães
e da textura de Codajás
...



É ainda o porquê destas palavras afins
que jorraram pela semana inteira
ao nascerem em Tonantins
e seguirem para São Gabriel da Cachoeira


...
E nunca quis soar estranho
com pretensões de mundos inteiros
Pois não foi várzea nem castanho
Refiro-me aos Careiros

...
Mas sempre foi sobre a descrença
deitada nua em pleno divã
que sequer fora a São Paulo de Olivença
mas implorava por Benjamin Constant

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Torresmo


A Saudade
essa vadia
dá pra todo mundo
a qualquer hora
por qualquer coisa
em qualquer dia.
Quero afogá-la
em lamentações
e expulsá-la
pr´outras estações.
Só quero ter
saudade
da Saudade mesma
e sair ileso
de virar
Torresmo.

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Paixão Interrompida

Desajustados, batem meus ventrículos
e minha face obedece aos ventríloquos
que ajustam o caminhar da minha boca,
oca, capaz de entoar só essa voz rouca.

Só tem sangue venoso nos meus átrios.
Esvaem-se os vastos adjetivos pátrios
por cederem espaço à paixão sadia
afogada em doses extras de covardia.

Romperam-se as funções das válvulas
e, se puder lhe reciclar, salvo-las,
para poder restar alguma parte minha.

Sua ausência desconjuntou os batimentos
e, por ora, os meus olhos são lamentos
de um coração a morrer de arritmia.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Em meio aos templos derrubados

A12 Internacional/ Estadão dia 12/09/2005

Poesia de Daniel Fleming e Vilauba Herrera






O texto do ditador é taxativo:
será feito sem dó nem piedade
O ataque é nuclear e preventivo.
Vão procurar nos escombros, a liberdade.

Enquanto mexem com a Faixa de Gaza
e lançam seus gases venenosos
o Homem do povo fica e o Severino Vaza
desses dias corruptos assombrosos.

Fardados vêm em plena chacina,
avançam de raio laser e avião,
correm de volta para a faxina
após a visita de um furacão.

Ao contrário de um cidadão assíduo,
em baixa o Bush puxa
a um corrupto conspícuo
sabujo de rabugice murcha.

Viciados pela diabólica doutrina,
disfarçados em capa democrata,
beijam os pés de Ofélia e Katrina
planejando o próximo tapa.

sábado, 2 de fevereiro de 2008

Pacto equilibrista


Tiro com esforço a tua blusa,
mas não assomes: me abusa.
Ao Libertar teus safos seios,
Sufoco num sopro os devaneios.
...
O teu cabelo é uma confortável cama
e a tua boca acende a minha chama.
Vou querer te pegar de novo,
se o teu céu clarear, eu chovo.
...
É doloroso me desfazer de ti
e me dissolvo ao te ver partir
pr´essa tua vida equilibrista.
...
O que eu disse foi o que senti
e vou virar saudades sem ti
nessa minha vida de malabarista.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Mulher de Minutos

Poesia de Monica Montone


Não sou mulher de minutos
Daquelas que os segundos varrem
Para debaixo do tapete sujo

Não pinto os cabelos de fogo
Nem faço tatuagem no umbigo
Me recuso a usar corpetes e cinta-liga

Há sementes em meu ventre
São palavras que ainda não reguei
Prefiro guardá-las em silêncio
Até que o tempo amadureça os meus minutos
E a vida me contemple com seus frutos

Eu não borro os meus cílios na solidão da noite
Nem pinto meu rosto com a palidez das manhãs
Meu corpo é feito de marés
Onde navegam mil anseios
Eles são como veleiros sem direção
Porque eu estou sempre na contra-mão.

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

As Cachoeiras do Santo Gabriel

Poesia e foto de Juliana Biscalquin


"Saúdo a todos, com ares de festa, com vinho de pupunha, com beijú e kiampira e um peixe bem muquiado. Envio meus sinais de fumaça de que retornei e quase intacta. Grata aos que vibraram. Entre piolhos já exterminados, queimaduras negligentemente cuidadas, picadas de origem anfibológica, vômitos e diarréias (sobre os quais seria dificil poetizar) sobrou ainda mais disposição para descobrir mundos novos, dentro e fora de mim. Katehe naka. Katehe xita. Estou de volta! Com os mesmos 20 e poucos anos e a bagagem um pouco mais pesada. "


São mais de cinco os mercenários, donos da cidadela
E mais de três os bêbados cristãos ordenados
Mais de nove os políticos endinheirados
São quarenta mil cento e trinta e sete¹ os explorados

São vinte e três as etnias
Imensuráveis as riquezas linguísticas
Que nas bocas opacas e oprimidas
Se convertem em palavras mínguas


O caos urbano
de um desregrado crescimento
Faz a ‘Bela’² continuar dormindo
De tanto acanhamento

Fome, dor, suicídio
Perspectiva, subjulgamento, omissão
51 é pra dar sentido
Ao que esfarinhou o coração

(O)Brigada Infantaria de Selva
Que à fronteira traz proteção
Pelo suor, pelo trabalho,
Colômbia!
Pelas promessas e prostituição

A mais indígena das cidades brasileiras
Tem Maria, tem Joana e Edivanson
São tukanos, barés, banivas-
-“Me chamo Cacique Henrique de Almeida³”

O xibé e o tabaco
Adiam o ronco do estômago, dolorido
Indigesta realidade manauara
Na minha barriga de branca bem alimentada

Observações:

¹ IBGE 2007

²"Bela Adormecida" - De São Gabriel da Cachoeira, avista-se a Serra de Curicuriari. Foi apelidada com o nome da fábula infantil por suas formas parecerem a de uma mulher deitada e dormindo.

³ Nomes reais, assim como os personagens do primeiro verso.

domingo, 27 de janeiro de 2008

Irrenunciável

Poesia e foto de Raphael Alves



Se de pedras e asfalto ao avesso
fazem-se essas ruas vadias
É em nuviosa melodia
que ao canto desapareço
...
Pelo tempo, o nosso apreço
inda maior seria
Se no fim da ventania
soprasse o recomeço
...
Com punhado de terra e água
misturados sorriso e mágoa
fez-se história de raiz forte
...
Contada à nossa maneira
com rimas de vida inteira
e capítulos para além da morte

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

BRANCA



Amanheci apaixonado em ti
e se tinha receio por ti, o parti!
Vou declarar-te os anseios
pra me encontrar nos teus seios.

Estou viciado em tua chatice
e as palavras que nunca te disse,
vou despejá-las numa só frase:
Vou te comer em catarse!

Vou devorar teus assuntos
para criar em conjunto

o Universo na cama.

Nossas estrelas serão o teto,
nossa foda será o concreto
e essa vida será nossa trama.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

FODA!



O seu pisar
é ímpar.
Seus calcanhares,
pazes.
As suas pernas,
ternas.
A sua coxa,
poxa!
A sua anca
espanca.
A sua bunda
abunda.
As suas costas,
postas.
Os seus seios
cheios.
O seu pescoço
eu coço.
A sua boca,
almoço.
Os seus cabelos:
lê-los.
O seu carinho,
ninho.
O seu sorriso,
piso.
Os seus olhares,
lares
e você toda
é FODA!

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Vamu Botá Pá Frente

Poesia de Daniel Fleming e Vilauba Herrera - www.resmungosnovos.blogspot.com


Vem_____Vista a sua peita,

Vai ______entre nessa barca

Vem _____e vamos pro churca.

Vai ______Vamu botá pá frente!

Vem_____________________

Vai ______Demente, indigente, tenente

Vem _____Vamu botá pá frente!

Vai______Quem faz a vida é a gente.

Vem_____ Faça de você, contente.

Vai______________________

Vem_____ Mude sua língua.

Vai______Invente novos motes.

Vem_____Vamu botá pá frente!

Vai______________________

Vem_____Invista na sua força.

Vai______Vamos catar a moça.

Vem_____Vamu botá pá frente!

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Os mEUS EUS e os tEUS

Não me venha com baboseiras,
de explicar nossa existência.
As suas soluções caseiras,
acabaram em deficiência.

O mEU dEUS são os tEUS
os tEUS EUS são os mEUS
o DEUS mEU é o EU
e o EU tEU é o sEU DEUS

Há uma infinidade de deuses,
que, em conjunto fazem os meses.
Não somos só universo,
somos o verso de um pluriverso

Eu sou o DEUS do mEU EU
EU sou o mEU se for tEU
EU sou DEUS sendo tEU
E o tEU DEUS somos NÓS

Santa Hipocrisia

Papemos prontamente o papa
esse popular não nos escapa.
Tem coragem de pedir castidade
e pensa estar na antigüidade.
.....
Pra ser papa tem de estar gagá,
pra nunca poder se indagar
se as besteiras que fala
estão aos conformes da sala.
......
Ponham esse doido no hospício!
Sua doutrina traz malefício
para a cabeça de um crente.
.....
Use sempre o preservativo!
Veja o que passa no coletivo
Pra ter a verdade na mente.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Poema da Batalha

Poesia de Gabriela Correa
Música de Thiago Correa



Sabes quando aperta-te o peito?
Angustiado permanece, preso
Tente respirar com todo este peso
Sufoca a alma e o orgulho
Pensas que quero ferir-te?
Machuco a ti e a mim

Equívocos são como pedras
Atingem a cabeça que se põe a ressoar
Vibração que arde, corta coração
Retalhos de sentimentos largados ao chão
Colho-me, varro-me.

Aspire meus erros e os jogue fora
Limpe os vestígios e lustre os absurdos
Com esforço talvez se tornem glórias

Procuro a fronteira que me separa da exatidão
Sou imigrante, não tenho permissão
Choco-me com a guarda, violentamente
Mas sou fraca, perco a batalha sangrenta
Dentre tanto sofrimento hasteio a bandeira da paz

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Aurora


Se a tristeza consumir seu dia
levante-se para uma nova guia
que fará tudo a seu bel prazer,
assim que ela puder crescer.

Só se lembrará desse novo dia
que lhe matará a melancolia
e fará sempre algo por você.
É sempre assim que vai ser.

Em todas suas decepções
terá muitas outras opções
para conseguir restabelecer.

Batam em conjunto novos corações!
E esta ressonância nos dará trações
para todo dia a Aurora nascer.

Pedido de adoção



Para esse pedido de adoção
encho o meu ar de comoção
para aceitar um filho pródigo
que tenta desvendar seu código.

Conheço-lhe tão pouco,
mas sinto-me tão seu.
Prometo só lhe deixar aos prantos
e retornar para entoar seus cantos.

Quero me banhar na sua luz.
Sua geografia é que me conduz
com atitude de ripa-na-chulipa.

Quero me esbaldar nas suas praias
e converter suas guapas de saias,
pois, sou filho de Floriano com Floripa.

Fortaleza


Em um encontro inesperado no busão
foi que aconteceu, talvez, a solução.
Pena estar, em sua Fortaleza, ancorada
e eu, perdido, numa vida abandonada.

A sonegação feita no seu beijo
é, mesmo, a resposta que almejo
de uma mulher instigante no acento
que faz de minhas palavras, vento.

Só não faça desgastar meu repertório
e mê de algo mais que terno e irrisório,
pois, quero lhe ter, seja quando for.

Posso amargar a sua ausência
se estiver certo da anuência
em poder ver, sempre, a sua cor.

Ditadura da honra

Poesia de Roberto Madureira


Tocava nos autos registros históricos
Qual não fosse insolência do Capitão do Mato
Sangue do sangue, ainda assim insensato
Capaz de aflorar instinto pouco bucólico

De dia é a troca: sangue por asas
E a depravação, ao cair da tarde
E os seus infurnados em estéreis senzalas
Com o rosto cortado e a carne que arde

Pois eis que chegamos na modernidade
E a bagagem do crápula ainda perdura
Eu carrego pra vida, ainda que dura
Que irmão é irmão, não tem cor nem idade

Mas se espalha no ar cheiro de capital
A máscara cai antes mesmo de abril
Macho se afina e Deus vira mortal
Pelo tal do dinheiro que move o Brasil

Pois é chegada a hora de um novo apartheid
Segregar: homens, meninos e corruptíveis
Se a Justiça é cega e não os enxerga
Cabe aos homens fazê-lo, indefectíveis

Avante honestos, dominem, vão além
Coloquem de pé a ditadura da honra
E pra que desprovidos de caráter ainda possam lutar


Dê-lhes apenas um punhado de notas de cem