Páginas

INQUIETO

"Mas sigo o meu trilho. Falo o que sinto e sinto muito o que falo - pois morro sempre que calo." (Affonso Romano de Sant'Anna_Que País é Este?)

terça-feira, 25 de dezembro de 2007

Janto-lhe-Ás


Espantalho-me com a asneiração
esbravejante dessa população.
Ao esbugalhar abrigos beiram
ao genocídio que asseveram.

Madureira me alertou, enfático,
da importância do que ratifico:
para conquistar o seu domínio
exige-se pronto um agir exímio.

A elegância de suas postulações
vão repercutir entre as razões
e poderão lhes fazer conquistar.

O quebraencabeçamento dos motes
vão fazer dos seus dotes
a sua arma de estimular

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

À Caminho do Ninho


Avisem aos meus amigos do retorno
deste cidadão decidido e soturno
à tomar seu caminho de volta.

Avisem: ele virá de avião
e chegará nesta estação
e que virá sem escolta.

Avisem para prepararem as festas
para afinarem as orquestras
e entoarem as canções que gosta.

Sinapses Relapsas


Ao permanecer o provisório.
Improviso ao irrisório.
Minhas sinapses relapsas.
São lapsos de aspas.

Assobio o sabe-se lá.
Sabido ressabiado.
Subo sobre a sílaba,
embebido no esnobado

Excluído da centrífuga,
movimento do momento,
na favela o Rap é fuga
pra causar constrangimento.

Não há cimento,
apenas intento no acento.
Quando perdem crescem mais.
Assintóptico aos demais.

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Completo Desconhecido


Por um tempo,
pouco tempo,
você vem indiferente,
com ares de distância e
com olhares de desejo arrogante
de quem nada alcança.


Com a frieza de um homem pedante
que vive na ilusão, de quarto em quarto buscando
a satisfação inquietante, vazia... iludido,

de nada...

Talvez de olhares falsos insinuantes diante...
De cada mundo escondido
por trás de cada rosto banido
Por camadas de vidro,
que te mostram um caminho,
talvez escolhido, talvez encoberto.


Pelo medo do próximo passo
sozinho.
Um completo desconhecido...
Jogado do sonho
sofrido.

Pela tristeza do agora não vivido
e do amanhã já passado
remoto...

Mais uma vez iludido, engolido pelo ego,
envelhecido de possibilidades passadas,
ultrapassadas, ultrajadas...
Ferido.


De novo e ainda o desconhecido.
Continua na luz baixa do quarto,também,
esquecido.

Alguém que clama pelo próximo
pedido, embaçado, indeciso,
sozinho...

Com a imensidão aos pés,
mas com o domínio impedido...
Trancado...


Encravado nos próprios sentidos
não sentidos.
Armado de tempo passado parado,
agora fechado.
Lacrado.

Impenetrável.
Inexistente.
Insaciável.
Apagado.

domingo, 9 de dezembro de 2007

Eles não vão à Daslú

A sociedade foi feita por ricos.
E pros ricos ela foi desenhada.
Se um pobre não tiver muito afinco,
Vai viver pra sempre na merda.

Se quiséssemos distribuição igualitária,
Estabeleceríamos um teto de riqueza.
Mas quem for, na pobreza, um pária,
Terá milhões de reais em tristeza.

Ilhas, mansões, carrões, Daslú.
Fome, miséria e calor no talo.
Os pobres morrem como patos, incautos
Amarrados na escravidão dos contratos.

Ser Calmociteno

Poésia de Vilauba Herrera
http://www.resmungosnovos.blogspot.com/


O sol socou-lhe a cara, depois das 12 horas.
Acordou flácido e com o queixo dolorido.
Para não pregar os olhos, tomou um comprimido.
Gole de vinho avinagrado para acelerar a melhora.

Dizia que não existe bom dia pela manhã.
A raiva quente ao bocejar, que lhe domina
cuidava com banho frio e aquela dose de Ritalina
Já no metrô, se acalmava com um drops Diazepan.

Baldeação, tumulto e correria até o final.
Descia louco, xingava todos, "Vão pra puta que pariu!"
Entrava na primeira lanchonete: "Me arranja um Rivotril"!

O dia passava soturno, não olhava pela janela.
Procurava alguém, inconformado, louco por um revide.
Mas só encontrava o caos que almejava, dentro de um Dualid.

Seu Crime


O seu corpo é a imagem da perfeição.
Receio que minhas palavras não a descreverão
com a delicadeza merecida.

Seus ombros são os cabides dessa veste.
Os seus seios são doces taças de néctar.
A sua anca é suporte de um corpo delicado
e de nádegas arrebitadas.

Suas coxas claras escondem a beleza do seu sexo.
Seus pés macios parecem pisar nas nuvens.
A sua pele sedosa é cobertura sublime.

Eu sou
seu crime.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

RDDM


Respeito, democraticamente, aos direitos das mentes!
Repito renitente essa regra sem algum medo e defeito.
Respeito, democraticamente, aos direitos das mentes!
Em sociedade, entre os homens, só isso pode ser feito.

Respeito os direitos da mente até de um crente.
Contanto, que mudar minha mente não intente.
Meu peito pesa ao ter de decidir em um pleito
pela mente que pesa. Eleita para nos dar jeito.

Respeito os direitos da mente doente
se restrita estiver entre seu ambiente,
se não tratar de atentar no meu leito.

Respeito os direitos da mente inocente.
Até da que nega respeitar a gente.
Pois, o quê pensa será rarefeito.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

A beleza está


Algumas vezes, a beleza está
na miopia dos nossos olhos,
no grau alcólico do sangue,
ou na satisfação com a vida.

E, muitas vezes, a feiura está
no senso crítico aguçado,
na tristeza de um endiabrado,
e no ardor obrigatório da lida.

O Belo e o Feio estão na percepção
e,não, em sua concretude física.
Prova disso é o amor e a paixão!

Os sentimentos nascem com a música
e trazem alento ao feio que a compaixão
o transformará em belo numa mente lúdica.



*a doçura do ácido perpassa a materialidade do olfato

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Calango



Não te prendo nem nas lentes

da fotografia.

Mas, posso te prender

em minha

caligrafia.

domingo, 2 de dezembro de 2007

Estatutos do olhar

Poesia e foto de Raphael Alves

Artigo I

Fica estabelecida como identidade do ser humano não mais sua impressão digital e sua assinatura, mas seu olhar.


Artigo II

Fica decretado que o olhar é bem individual, tal como suas inúmeras interpretações. E é dever de todos respeitar a visão de mundo do próximo


Artigo III

Fica decretado que a beleza está para o olhar como este, por sua vez, está para a alma e que esta aliança entre os três é indissolúvel.


Artigo IV

Fica decretado que é irrevogável, inalienável e irrenunciável o direito de cada um emocionar-se diante das belezas da vida.


Artigo V

Fica proibido o condicionamento do olhar apenas para o mal, tal como qualquer expressão ou indício de indiferença no semblante diante da humilhação e exclusão alheias.


Parágrafo único

O olhar humano passa a ser livre como os olhos do condor que passeia sobre os Andes.


Artigo VI

Fica decretado que a verdade deixa, a partir de agora, de ser uma palavra para tornar-se a característica de cada olhar.
Parágrafo único
Cada dia passa a ser o Dia Oficial do “Olhar Com Bons Olhos”.


Artigo VII

Fica estabelecido que as lágrimas serão o único remédio do olhar sincero para a alma ferida.


Artigo VIII

Ficam estabelecidas como primeira e derradeira comunicações o olhar direcionado a outro.
Parágrafo Único
As palavras tornam-se meras coadjuvantes na comunicação diante da importância do olhar nos olhos.


Artigo IX

Fica estabelecido que a alma será o guia daqueles que, por decisão divina, nasceram sem ou perderam o dom da visão.


Artigo X

Passam a ser as Sete Maravilhas do Mundo:

a) O primeiro abrir de olhos do recém-nascido;

b) O olhar da mãe que amamenta o filho;

c) O olhar do pai que recebe o filho pela primeira vez no colo;

d) O olhar sábio dos idosos;

e) O olhar confortante da amizade;

f) O olhar da criança diante do brinquedo inesperado;

g) O olhar dos casais apaixonados.

E passa, também, a ser dever de todos contemplar, praticar e cultivar esses bens.


Artigo XI

Fica estabelecida a pureza do olhar como a suprema lei: a partir de agora, todos devem alinhar olhos e alma para contemplar o mundo, desbravando-o e redescobrindo-o com o deslumbramento dos olhos de uma eterna criança.