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INQUIETO

"Mas sigo o meu trilho. Falo o que sinto e sinto muito o que falo - pois morro sempre que calo." (Affonso Romano de Sant'Anna_Que País é Este?)

quinta-feira, 28 de setembro de 2006

Para quem nunca viveu um grande amor - Por Anderson Moço

*Anderson Moço

Para quem nunca viveu um grande amor
É mais fácil transar a noite do que esperar pela manhã
É mais gostoso andar sozinho do que viver o amanhã
É rir baixinho na volta a cidade
É se esquecer do hoje para não sentir saudade

Conversa, de repente, entre ele e o mesmo

Ontem, queria escrever poesia para te dizer - Tudo que queria é te mostrar um dia, que disso tudo que eu tinha, perdi, esqueci e larguei por ai. Sofri de um jeito novo, perdido entre aquele povo, parado, sofrido, mascado, mas rindo, que quase que me comovo. Corri pra frente, arrastei os dentes, cortando rente – Que coisa é essa? Tu não se incomoda com a moda que roda feito corrente?- Silêncio, respondeu a mente – Com que autoridade tu invade, nesse alarde, sem pedir licença? De calça arriada, covarde, sussurrei, murmurei e só não me mijei pra não ficar na descrença. – Você só tem esse muro de despeito, na verdade é mais um desses moleques satisfeitos, cheios de trejeito e com palavreado rarefeito. Já me virei de lado, entendi o recado, puxei o cobertor abandonado, no meu pé, que já estava frio de tão gelado. Vai ver esse aviso veio de lá do cerebelo. - Não é conversa, é aconselho. Vê se raciocina! Não me venha com utopia de disciplina, aqui na sua caixa, que manda sou eu e não tem idéia que contamina

sexta-feira, 22 de setembro de 2006

Imprieefção

       Impsetiea minha mente
       Mainlpua meus pensamentos
       Peurrfa minha ideologia
       Esrteemce meus contentamentos
       Raetia minha disposição
       Faati minhas atitudes
       Etxerimna em meu coração
       Innstates de magnitude
  CaÇoa-me pelas costas
 Órfà de extrema importância,
      Ordena-me por vias tortas

terça-feira, 19 de setembro de 2006

Vida que me abate

*Poesia de Anderson Moço

Um dia acordei e tudo havia mudado
O que eram, deixaram de ser
Tudo estava estragado

Minha vida agora era sofrer
O homem já não mandava
A mulher já não sorria
O sonho não se realizava
A felicidade muito sofria

Quis gritar, correr, fugir
Quis achar o viver por vir
Mas era só sofrimento
O amor era vago de sentimento

A criança chorava o medo
O jovem matava o novo
O dia acabava cedo
As lágrimas cobriam o rosto

Tudo era pobre de emoção
O riso, o choro, a canção
O amor, a raiva, a resignação

O poeta lamentava a perda
O amante o seu coração
E a vida seguia em sua devastadora intenção

quarta-feira, 13 de setembro de 2006

Me prenda em sua liberdade


Você adora meus defeitos
e odeia minhas qualidades
rejeita-me se eu lhe aceito
me aconchega em suas grades
.......
Aprisione-me em sua liberdade
pois, suas asas são a minha cela.
Só sossego em sua saciedade.
Insatisfeita, me fecha a janela.
...........
Seus tornozelos tornam-se âncora,
as suas coxas, a minha fraqueza.
Os seus cheiros são minha cânfora.
........
Deixa-me pobre, a sua riqueza,
e a minha feiura lhe parece bela,
por ser feliz a minha tristeza!


Foto de plínio Ribeiro

terça-feira, 12 de setembro de 2006

Deveria esquecer

*Poesia de Anderson Moço

A cada dia trago em mim um arrependimento novo
Pelo que fiz ou deixei de fazer
Pelos olhos que viam o chão
quando deveriam olhar outras bocas
Meu arrependimento é maciço
Intenso como diamante
Constante como o tempo
Eterno como minha dor

Gostaria de serrar os olhos
Me esquecer quem fui
E nunca mais me lembrar quem sou

Meu arrependimento é como o fogo
Me destrói a alma
E me deixa vivo a me arrepender do próximo instante

Deveria amar mais
Ver flores que nascem para mim
Ver sonhos que se erguem como ondas
E se quebram na praia de minhas ilusões

Deveria esquecer
Só os que esquecem podem ser felizes

sexta-feira, 8 de setembro de 2006

Jornalirismo

Por favor, me digam onde é o buraco
Que eu pulo e acabo com isso, emplaco
Apuro esquema, qualquer problema ataco
Piso na lama de sapato branco, cato cavaco

Por favor, vou para a jaula dos leões, desatraco
Aguento tonelada, toco, chato e cheiro de sovaco
Ligo para Deus, Rá. Deixo recado até para rei polaco
Vou para a área, volto. Visado, me transformo em velhaco

Mas quando chega a hora do fechamento derradeiro
E vem o desespero, troco tudo, chamo o frei de cachaceiro
Idéias se escondem nas gavetas, inspiração cai do desfiladeiro

Preencho os espaços brancos entre mil cores de uma propaganda
E a notícia legendada fica ali, ao lado de um duplex com varanda
No bar em frente, xingo a verdade pra mostrar quem é que manda

quinta-feira, 7 de setembro de 2006

Bate e Pronto

*poesia de Moreno Bastos

Não me venha com frases de efeito
Para redondilhas já tenho o anti-corpo
Se preferir, me sirva um trago de sopro
Para te esquecer de pouco em pouco

Não me venha com seu olhar perfumado
Contra a paixão, comprei meu escudo
Se desejar, me esconda o conteúdo
Para não saber a droga com que me iludo

Aceite o prato de coisas gastas que lhe dei
Aquilo tudo imundo, mudo e fora da lei
Da sua boca manchada disso que não sei

Te quero além, mas sem sair de perto
Ouvindo o som de tua pele, desconcerto
No meio desse verso torto e entreaberto

quarta-feira, 6 de setembro de 2006

A partir de agora

Agora, vou viver a sua luta
serei, da sua guerra, o soldado.
Sou dado às coisas do cuidado
que se deve ter a uma fêmea astuta.
..........
Em todos os combates de trincheiras,
sob os ataques de uma frota aérea,
usarei a arma que for mais venérea
para te livrar de quaisquer rasteiras.
..........
Serei sua linha de frente,
franco atirador de peito aberto,
quando o bloqueio estiver rente.
........
Serei assim se estiver perto
e do jeito mais atraente,
te darei uns montes de afeto .

Senhor de si

*Poesia de Anderson Moço

Minha derradeira história
eu mesmo contoMinha derradeira memória
eu mesmo monto
Quanto sorri ou chorei
só eu lembro
Quanto amei ou deixei de amar
só eu que sinto a saudade
Se choro ou jogo fora
Se amo ou mando embora
Sou eu o senhor de minha história
Sou eu o senhor de minhas memórias

segunda-feira, 4 de setembro de 2006

Quase nada

*Poesia de Anderson Moço

Vivo em um mundo de mentiras descaradas
Onde poucos são reis
E todos são quase nadaVivo em um mundo de verdades mal-contadas
Onde quase tudo que há
É bobagem, é quase nadaVivo em um mundo de vontades escancaradas
Onde ter é quase ser
Onde viver é quase nadaVivo em um mundo de saudades encurraladas
Onde o tempo corre rápido
E a vida é quase nadaVivo em um mundo de paixões violentadas
Onde tudo é só maldade
Onde amar é quase nadaVivo em um mundo de vidas mal levadas
Onde viver é uma bobagem
Onde o eu é quase nada

Justa Jibóia

Se enrole em mim como uma jibóia
quebre meus ossos e minhas convicções
faça de mim a sua melhor bóia
e me derreta com suas fricções
.........
me traga os livros que te fazem rir
e não esqueça dos que fazem chorar
pois, serão eles o meu elixir
para entender que te faz pensar
..........
Me deixe, assim, preso a ti
me torne um cão sem poder latir
e os meus uivos há de escutar
..........
As minhas dores tornarão as tuas
e, em todas a pele que deixar nas ruas,
terá um pouco do meu doce amar.